Tempestade perfeita no Ibovespa: Fed tomba Méliuz (CASH3) e Locaweb (LWSA3)

Acompanhando a aversão de risco global, o Ibovespa renovou a mínima do ano. Agora, o vilão foi o presidente do Fed

O Ibovespa subiu pelo quinto dia seguido e terminou o pregão no maior patamar em mais de um mês, com a expectativa pelo Copom.

Foto: Pixabay

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E lá vamos nós para a festa dos 100 mil pontos do Ibovespa, mas ao contrário. O maior índice acionário do Brasil chegou a recuar 2,5% no pregão de hoje com a aversão a risco global, renovando a mínima do ano.

O mercado foi pego de assalto no início da tarde desta terça-feira (30), quando o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, disse que a inflação não pode ser mais considerada transitória, e que o programa de estímulos à economia pode ser encerrado antes que o esperado. O Ibovespa, que já vinha em queda, ampliou as perdas

A fala da autoridade monetária americana vem à tona em meio ao temor global com a variante da Covid-19, Ômicron, que pressionou os índices na Europa. 

As principais Bolsas do Velho Continente fecharam o pregão em queda após o CEO da Moderna, Stéphane Bancel, dizer que as vacinas aplicadas mundo afora provavelmente são menos eficazes contra a cepa. 

O cenário configura uma verdadeira tempestade perfeita aos mercados acionários, sobretudo no Brasil, que negocia nos menores múltiplos em mais de uma década. O que explica a acentuada queda em alguns papéis?

Desempenho do Ibovespa no acumulado de 2021

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

O que são os estímulos monetários dos Estados Unidos

Em seu discurso nesta terça, Powell disse que a Covid-19 ainda representa uma ameaça à economia americana. Mesmo assim, o presidente do banco central americano entende que inflação persistirá ao longo de 2022 e que, para isso, é necessário que os estímulos sejam reduzidos.

Até o mês passado, o Fed comprava a bagatela de US$ 120 bilhões (R$ 676,56 bilhões na cotação atual) por mês em títulos hipotecários e do Tesouro americano, com o intuito de manter a liquidez dos mercados fluindo e, dessa forma, amenizar a desaceleração econômica e desemprego ainda longe dos níveis pré-pandemia. 

Agora, Powell disse que o processo de encurtamento da compra desses títulos pode acontecer antes do esperado, para conter o movimento de alta dos preços na economia. Nos últimos 12 meses, a inflação no país atingiu 6,2% – a maior alta desde novembro de 1990.

Estas compras de títulos, que na prática podem ser consideradas uma expansão monetária, são conhecidas como Quantitative Easing (QE), ou relaxamento quantitativo. A medida foi implementada no território americano pela primeira vez em 2008, com a crise do subprime.

Desde então, o S&P 500 se multiplicou por quase seis vezes. 

À época, o então presidente Barack Obama também aprovou um pacote de US$ 787 bilhões de estímulo à economia, com investimento em infraestrutura e diminuição de impostos, de forma similar ao observado desde a chegada da pandemia.

Fora o dinheiro na veia dos mercados, o Fed mantém a taxa de juros básica da economia entre 0% e 0,25%. O banco central também chegou a discutir juros negativos, como na Europa e no Japão, mas preferiu não dar esse passo. A injeção de liquidez até então foi suficiente para sustentar os mercados, que agora caem. 

A liquidez e os ativos de risco

Em um podcast organizado pela Empiricus neste mês, o lendário André Jakurski, fundador do Pactual e da JGP Asset Management, disse que as “Bolsas estão navegando com as condições financeiras mais frouxas da história”.

Com os juros reais negativos na perspectiva para o médio prazo, os estímulos monetários, tanto com recompra de títulos como em termos de taxa de juros abaixo do nível considerado neutro, elevam o custo de oportunidade dos investidores que alocam recursos na renda fixa.

Com o processo inverso tomando tração, a liquidez dos mercados acionários é reduzida com a migração do capital. As empresas de tecnologia, sobretudo, são as que mais sofrem, já que a maior parte de seu valor está no futuro

Nos Estados Unidos, o resultado é imediato. O Russell 2000, índice que contempla as principais small caps do país, recua mais de 10% no acumulado deste mês. 

Com menor visibilidade do cenário econômico no médio e longo prazos e estímulo econômico reduzido, os investidores preferem ficar de fora dos papéis considerados mais arriscados.

        Desempenho do IWM, ETF que replica o Russell 2000, neste ano. No menor patamar desde fevereiro

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Integrantes do Ibovespa não ficam de fora

O Brasil, claro, não está situado em uma ilha. Segundo informações da B3, mais da metade do mercado brasileiro é composta por investimentos de estrangeiros. 

Nos 12 meses encerrados em 5 de novembro, os estrangeiros foram responsáveis por 52% da movimentação da Bolsa brasileira, ultrapassando a marca de R$ 771 bilhões. Portanto, o fluxo do capital acompanha o que acontece além das fronteiras.

Fonte: TradeMap
Participação de estrangeiros na B3. Fonte: TradeMap

Alguns papéis do Ibovespa se destacam negativamente no pregão de hoje. Locaweb (LWSA3) e Méliuz (CASH3) lideram as baixas, com quedas acima de 10%, mostrando que o setor de tecnologia, ao menos em Bolsa, será o maior impactado. 

Como a Agência TradeMap mostrou neste mês, a Méliuz tem sentido o peso da concorrência e acusou o golpe da desaceleração da economia nos últimos meses. 

Assim como a maior parte dos recentes IPOs na Bolsa brasileira, a Méliuz é caracterizada pelo ritmo de alto crescimento. 

Os valuations das empresas com múltiplos elevados sofreram com os impactos da abertura da curva de juros, isto é, com a elevação das taxas de juros futuras, seja pelos conflitos internos ou mudança drástica do cenário global — como o que tem acontecido nos últimos dias

Ações CASH3 caem 76% desde a máxima histórica, em julho

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

O Ibovespa opera no menor patamar desde 6 de novembro do ano passado. Em dólares, desde a máxima histórica (em maio de 2008), a baixa é de 59,6%.

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