Méliuz (CASH3) aposta fichas em pessoal e sente desaceleração com economia e concorrência; o que analisar no balanço do 3º trimestre

Desde a máxima histórica, em julho, papéis caíram 70%, mostrando que os desafios daqui para frente são grandes

As ações esquecidas pelo mercado nas últimas semanas tiveram um pregão de redenção. A Méliuz (CASH3) foi o maior exemplo.

Foto: Divulgação

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No dia 5 de novembro, a Méliuz (CASH3) completou um ano de sua abertura de capital. Desde a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), as ações já subiram mais de 170%, mas engana-se quem pensa que foram só mar de rosas — a tempestade dos últimos meses se explica na prática. 

Desde a máxima histórica, em julho, os papéis da Méliuz caíram 70%, mostrando que os desafios daqui para frente são grandes. O resultado do terceiro trimestre do Méliuz, divulgado na noite da última terça-feira (16), confirma esse fato, com a desaceleração de alguns números. 

Entre julho e setembro deste ano, a empresa claramente empregou seus esforços em investimentos que, futuramente, podem suportar os objetivos de expansão da companhia. Com isso, os custos com pessoal, por exemplo, dispararam. 

O caso da Méliuz trata-se de um plano de longo prazo, para o qual as métricas tradicionais de valuation não são as mais adequadas para mensurar o crescimento. 

Mesmo assim, o top line da companhia, que continua sólido, coloca uma pulga atrás da orelha do mercado, que procura entender as formas de manutenção e entrega das projeções. 

Ações do Méliuz desde o IPO

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Quadro do trimestre consolidado

(EM MILHÕES) 3T21 3T20 VARIAÇÃO
RECEITA LÍQUIDA R$ 58,72 R$ 25,64 129%
DESPESAS OPERACIONAIS R$ 69,52 R$ 20,83 233%
RESULTADO BRUTO (R$ 10,80) R$ 4,80
LUCRO (PREJUÍZO) (R$ 2,95) R$ 4,73

O que esperar das ações da Méliuz?

Por volta das 14h30 desta quarta-feira, as ações da Méliuz operavam com alta de 3,09%, a R$ 3,67. A empresa vale R$ 2,95 bilhões na B3.

No acumulado de 2021, a performance das ações da companhia é positiva em 40%, na esteira da empolgação com o IPO.

Mas, assim como a maior parte das empresas que abriram capital no último ano, os últimos meses não têm sido agradáveis. No acumulado dos três pregões que antecederam a divulgação do resultado do Méliuz, os papéis caíram quase 10%. 

O que esperar daqui para frente?

Os múltiplos continuam altos e não devem arrefecer tão cedo. A companhia negocia a um preço/lucro de 275 vezes, com base no resultado dos últimos 12 meses.

São sete analistas que acompanham a empresa, segundo os dados compilados pelo Refinitiv, disponíveis na plataforma do TradeMap. Quatro indicam a compra das ações neste patamar, enquanto três sugerem a manutenção dos papéis.

O mais otimista deles enxerga as ações da Méliuz valendo R$ 15, upside de mais de 320% sobre o patamar atual.

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Conjuntura econômica prejudica negócio da Méliuz

A receita líquida da Méliuz disparou 129% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, atingindo R$ 58,72 milhões, com a operação brasileira correspondendo a 86% desse montante.

Em comparação ao trimestre imediatamente anterior, porém, houve desaceleração. Entre abril e junho deste ano, a receita líquida foi de R$ 52,5 milhões, perfazendo um aumento de 11,86%. 

Vale ressaltar que esse aspecto é independente da estratégia da empresa em investir em tecnologia e elevar a base de colaboradores. A receita da companhia sofre com o cenário macroeconômico pressionado.

Nos últimos 12 meses, a inflação oficial brasileira já está acima dos dois dígitos, diminuindo o poder de compra da população. Isso também faz com que a política monetária seja menos flexível, com a elevação da taxa de juros, o que é um desincentivador ao consumo. 

O faturamento da empresa ainda é mais de 80% ligado ao cashback, o que de fato se materializa somente na efetivação de compras.  

Ainda assim, a Méliuz atingiu o maior resultado da história em volume de vendas (GMV, na sigla em inglês). O montante foi de R$ 1,1 bilhão, alta de 27% no trimestre e de 74% em 12 meses. 

Fonte: Méliuz
Fonte: Méliuz

Investimento em pessoal prejudica curto prazo

No terceiro trimestre deste ano, as despesas operacionais somaram R$ 69,52 milhões, uma alta de 233% em um ano e de 11% na comparação trimestral. 

Na justificativa da empresa, esse aumento fica na conta das despesas com pessoal (acréscimo de R$ 6 milhões), que está em linha com a estratégia de focar no crescimento orgânico, visando melhorias e novidades que devem surgir nos próximos trimestres.  

É bom que se diga que, em toda e qualquer empresa propriamente dita de tecnologia — como se denomina a Méliuz –, nos primeiros anos de operação, ou de crescimento dos investimentos, há uma descorrelação entre a geração de receita e o aumento de pessoal.

Os desenvolvedores normalmente são contratados e ficam operacionalizando os projetos por meses até que, em algum momento, passam a gerar receita. Em um mercado de tecnologia aquecido, esses profissionais muitas vezes chegam a peso de ouro. 

O grande ponto de inflexão é a execução deste processo. Caso não ocorra conforme as expectativas da administração, o pipeline deverá ser revisto. O passo atrás costuma pesar sobre os múltiplos das ações, que muitas vezes negociam a preços exorbitantes. 

Contas abertas desaceleram; sinais da concorrência?

A Méliuz encerrou o terceiro trimestre com 20,8 milhões de contas abertas, uma elevação de 10% na comparação trimestral. 

Entre o segundo trimestre deste ano e o subsequente, a abertura de contas por dia útil caiu de 39 mil para 30 mil. A explicação da empresa foi na linha de que o foco está voltado para o desenvolvimento do novo cartão Méliuz, que deve ser lançado em janeiro de 2022.

Com o novo projeto, que tomou a frente das prioridades no meio do trimestre, a Méliuz espera que o número de contas abertas por dia útil retorne ou supere a média apresentada no primeiro semestre deste ano. A empresa, porém, não disse quando espera que isso aconteça.

O número de usuários ativos, aqueles que realizaram ao menos uma transação ligada à Méliuz no trimestre, cresceu ainda menos. O aumento de 8% em relação ao trimestre imediatamente anterior levou o número a 8,8 milhões. 

Isso equivale a 45,6% do números de contas totais, menor que os 46,8% do segundo trimestre, mas uma melhora ante os 31% do mesmo período do ano passado. 

A métrica é importante do ponto de vista de retenção e monetização dos clientes da base, já que a concorrência base à porta.

Players indiretos têm investido cada vez mais na remuneração via cashback, carro-chefe do Méliuz. A Lojas Americanas (LAME4), por exemplo, tem ampliado os investimentos na plataforma Ame. O Inter (BIDI4), por sua vez, também oferece cashback para quem compra dentro de seu app.

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