Evergrande suspende ações em Hong Kong após ordem de demolição; risco global em 2022?

A incorporadora mais endividada do mundo segue com dificuldades de honrar seus compromissos e representa ameaça

Um dos riscos relevantes de 2021 foi carregado para 2022. A quebra da Evergrande segue no radar dos investidores. Saiba o que esperar.

Foto: Reprodução Site Evergrande

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Um dos riscos relevantes de 2021 foi carregado para 2022. A quebra, ou algo próximo disso, da Evergrande, segunda maior incorporadora imobiliária da China, pode se materializar neste ano, levantando preocupações de todos os lados.

No primeiro final de semana do ano, a imprensa chinesa relatou que a Evergrande foi condenada a demolir blocos de apartamentos na província de Hainan. A empresa anunciou a suspensão da negociação de suas ações em Hong Kong a partir da noite desta segunda-feira (3). Os papéis caíram 89% em 2021.

A empresa foi condenada a derrubar 39 prédios em até 10 dias, pois supostamente teria obtido a licença para tal empreendimento de forma ilegal. Os trabalhos em Hainan são considerados pouco relevantes para os objetivos nacionais da Evergrande, mas abalam o residual da confiança na empresa. 

Há menos de um mês, o conglomerado entrou em default (inadimplente), segundo as agências de classificação de risco, ao deixar de pagar obrigações pendentes, algumas sendo denominadas em dólar no mercado internacional. 

As notícias vindas do Hemisfério Oriental elevam a preocupação dos investidores globais de que as autoridades governamentais chinesas não vão aliviar a situação de incorporadoras altamente endividadas no país. E isso traz um problema ao crescimento. 

Relembre:
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Economia chinesa balança com Evergrande

De acordo com a Capital Economics, no momento em que os problemas da Evergrande vieram à tona, em setembro de 2021, a empresa já havia vendido 1,4 milhão de apartamentos, avaliados em US$ 200 bilhões, que ainda não haviam sido entregues. 

A maior parte dessas compras são de chineses que adquiriram seu segundo ou terceiro imóvel, mostrando o aquecimento do mercado imobiliário no país. Não à toa, o setor de construção civil equivale a cerca de 25% da economia chinesa, motor da economia global nas últimas décadas. 

O crescimento econômico com base nos investimentos no segmento já estavam calculados. Segundo estimativas do governo chinês, a taxa de urbanização irá alcançar até 70% em 2025, visando atingir 75% da população nas cidades em 2035.

Imóveis terão de ser construídos para sustentar a massiva migração do campo para as capitais, ao passo que a renda por habitante precisa continuar em ascendência para que o sistema continue girando. E quem mais gera empregos é o setor de construção. 

PIB per capita da China tem sinais de desaceleração após crescimento assustador

Fonte: Banco Mundial, OCDE. Foto: Our World in Data
Fonte: Banco Mundial, OCDE. Foto: Our World in Data

O risco de quebra da Evergrande e demais incorporadoras – por mais que as autoridades chinesas afirmem que o problema não contaminou demais players – é uma ameaça à economia que já está em franca desaceleração.

Segundo o Banco Mundial, o crescimento chinês vai desacelerar drasticamente neste ano, com uma alta de 5,1% após avanço de aproximadamente 8% em 2021. Caso a previsão do BM se confirme, este será o segundo ritmo mais lento de crescimento da China desde 1990, somente atrás de 2020. 

A Evergrande, importante peça no tabuleiro da economia chinesa, registrou uma queda de 99% nas vendas em dezembro, na comparação anual. Em relação a novembro, a queda foi de 7%.

Efeito sobre as commodities

Especialistas têm dito que o mundo não navega por um boom das commodities, como no início do século. Os preços seguem fortes em função do desequilíbrio entre as cadeias de suprimento e oferta e demanda mundo afora, com os resistentes impactos da pandemia. 

Naturalmente, quando a economia chinesa tende a desacelerar seu ritmo, o maior impacto recai sobre as commodities metálicas, com a menor demanda no que se refere a investimentos. 

Desde a máxima histórica do minério de ferro, em meados de 2021 a US$ 220 a tonelada, o preço da matéria-prima já recuou mais de 50% e levou junto as ações de empresas ligadas à commodity. Desde a máxima histórica, por exemplo, a Vale (VALE3) cai 32%. 

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

A China, como maior consumidora e, em alguns casos, maior produtora de commodities, é a principal dúvida acerca do crescimento mundial neste ano.

Nos Estados Unidos, já está aprovado um pacote de infraestrutura na ordem de US$ 1 trilhão, que será desembolsado ao longo dos próximos anos. Contudo, sem a demanda chinesa, o Produto Interno Bruto (PIB) global tende a perder força. E o Brasil que o diga. 

O país asiático é o principal cliente brasileiro. Em 2020, último ano com os dados fechados, o Brasil exportou US$ 67,8 bilhões à China. Soja e minério de ferro encabeçam a lista dos produtos mais procurados. 

Na última terça-feira (28), a Evergrande perdeu novos pagamentos de cupons no valor de US$ 255 milhões, que agora entram em período de carência de 30 dias. Os desdobramentos dos problemas relacionados à incorporadora, porém, não têm prazo para acabar.

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