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Carrefour (CRFB3): Sinergias geográficas com BIG vão ocorrer com ou sem ação do Cade; entenda

Carrefour (CRFB3): Sinergias geográficas com BIG vão ocorrer com ou sem ação do Cade; entenda

Negócio junta dois dos três maiores players do segmento alimentar no Brasil

Carrinhos supermercado Carrefour

Foto: Shutterstock

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Finalmente, a compra do Grupo BIG pelo Carrefour (CRFB3) sairá do papel. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou o negócio, com restrições, nesta quarta-feira (25).

A compra do Carrefour, fechada por R$ 7,5 bilhões, foi anunciada em março do ano passado e promete criar um gigante do setor varejista. Em assembleia, os acionistas deram aval à compra do Grupo Big no dia 19 de maio, após o processo ter passado pelo crivo do conselho de administração.

O negócio junta dois dos três maiores players do segmento alimentar no Brasil e integra o racional da unidade brasileira da varejista francesa em se expor de forma mais ampla no Sul e no Nordeste do país.

Para o Carrefour, a aquisição pode trazer grandes sinergias geográficas entre suas lojas e as unidades do BIG. Isso permitirá a expansão de formatos tradicionais, como atacado e hipermercados.

De acordo uma análise independente apresentada no momento da divulgação do negócio – quando as premissas ainda eram iniciais – o BIG possui um ativo imobiliário que valia R$ 7 bilhões, o que demonstrava ser um negócio a múltiplos atraentes para o Carrefour.

As sinergias do negócio podem atingir R$ 2 bilhões até 2025, principalmente com a densidade de vendas do BIG e a oferta de crédito do Banco Carrefour no espectro do BIG.

O que o negócio muda para o Carrefour

No acumulado de 2021, o Grupo BIG reportou R$ 23,16 bilhões em vendas brutas. Dessa forma, a empresa conjunta teve um substancial faturamento de R$ 104,34 bilhões.

O resultado do Carrefour, contudo, é satisfatório apenas no segmento de atacado. No ano passado, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do Atacadão cresceu 8,9%, o do Carrefour Varejo caiu 25,8%.

A compra do BIG vem no sentido de ampliar o que hoje é o carro-chefe da operação do Carrefour. O Atacadão correspondeu a 72% da receita líquida da companhia em 2021.

O Grupo BIG (Maxxi Atacado, Sam’s Club, BIG Bompreço e demais marcas) possui 388 unidades, sendo que cerca de metade se encaixa no “atacarejo”, tão falado no mercado alimentar atualmente.

O Carrefour Brasil ainda tem sua operação voltada majoritariamente ao varejo e pretende ampliar seu braço de atacado. No fim de março deste ano, a companhia detinha 779 pontos de venda, sendo que 252 levavam a marca do Atacadão.

A empresa corre para sustentar sua posição de liderança no mercado com o Assaí (ASAI3) investindo na ampliação de seu parque. No primeiro trimestre deste ano, a atacadista abriu cinco lojas orgânicas e tem outras 47 em construção.

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O Carrefour, em sua defesa, tem índices de eficiência mais positivos do que o Assaí. No primeiro trimestre de 2022, as vendas gerais e administrativas equivaleram a 7,7% da receita líquida do Atacadão, enquanto essa proporção foi de 9,6% no Assaí. A margem Ebitda, portanto, foi maior no ativo do Carrefour.

A união das atividades, sobretudo, Maxi Atacado, Sam’s Club e BIG Bompreço deve melhorar esses índices com maior barganha junto a fornecedores, quem sabe até diminuir despesas administrativas e aumentar a penetração do Carrefour em mercados pouco explorados.

Na teleconferência de resultados no início deste mês, executivos do Carrefour reconheceram que as melhoras também devem contribuir para as atividades do BIG como um todo, com as margens sendo beneficiadas.

Remédios do Cade já eram esperados pelo mercado

A superintendência-geral do Cade já havia indicado a aprovação do negócio, condicionando a transação a algumas vendas a serem realizadas. A fim de não concentrar o mercado de varejo alimentar, o Cade apresentou algumas exigências ao Carrefour para que o negócio saia do papel.

O principal dos “remédios” da autarquia brasileira inclui a venda de lojas de atacarejo em nove cidades no Sul e Nordeste do Brasil, evitando que ao entrar nos respectivos mercados, o Carrefour seja líder nas grandes praças em todo o Brasil – embora sua atuação inevitavelmente cresça em tais regiões.

Densidade das lojas do Carrefour pelo Brasil

Fonte: Carrefour RI (densidade das lojas pelo Brasil)
Fonte: Carrefour RI (em junho de 2021)

O Cade também disse que Carrefour e BIG precisarão notificá-lo sobre qualquer novo negócio envolvendo supermercados, hipermercados, atacarejos e clubes de compras.

Isso será necessário mesmo que as operações não atinjam parâmetros para a notificação obrigatória (como em termos de valores).

Sobe no boato, cai no fato. Após dispararem mais de 12% no dia do anúncio da transação, nesta quarta, dia que efetivamente o negócio foi aprovado, as ações do Carrefour operam em queda.

Os papéis da companhia fecharam o pregão desta quarta em baixa de 1,21%, a R$ 19,59.

Desde o dia 24 de março, quando a transação foi anunciada, as ações praticamente não saíram do lugar, com a queda generalizada do mercado e os investidores preocupados com a despesa financeira (que mais do que dobrou no primeiro trimestre) e os custos da pressão inflacionária.

A visão, entretanto, ainda é positiva de uma forma geral. De acordo com dados consolidados pela Refinitiv, apresentados na plataforma do TradeMap, dos 13 especialistas que acompanham a empresa, dez recomendam compra das ações, com preço-alvo mediano de R$ 24,50.

O Assaí, que tem melhor desempenho na Bolsa no mesmo período, também fechou a sessão desta quarta em queda. Os papéis, cindidos pelo Pão de Açúcar (PCAR3) no ano passado, tiveram baixa de 1,13%, a R$ 15,72.

O concorrente do Carrefour tem preço-alvo mediano atribuído pelos analistas de R$ 20. Todos os 16 especialistas indicam a compra dos papéis.

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