Navegue:
Ações da Eletrobras (ELET3) sobem com caminho aberto para privatização; veja os detalhes

Ações da Eletrobras (ELET3) sobem com caminho aberto para privatização; veja os detalhes

A Eletrobras corre para realizar sua oferta de ações, fazendo com que a fatia do governo caia de 70% para 45%

A privatização da Eletrobras (ELET3) caminha para seus capítulos finais, com seu aumento de capital podendo ocorrer semana que vem.

Foto: Shutterstock

Por:

Compartilhe:

Por:

A privatização da Eletrobras (ELET3) caminha para seus capítulos finais. Após o mercado temer que a votação do TCU (Tribunal de Contas da União) fosse adiada para o segundo semestre, o que inviabilizaria a desestatização da empresa em 2022, a notícia foi mais positiva do que o imaginado.

Por volta 13h50 desta quinta-feira (19), a Eletrobras (ELET3) subia 3,73%, para R$ 44,18, e estava entre as maiores altas do Ibovespa. A empresa vale quase R$ 70 bilhões na B3.

Após forte investida do novo ministro de Minas e Energia (MME), Adolfo Sachsida, nesta semana em Brasília, os ministros da Corte aprovaram a capitalização da Eletrobras por sete votos favoráveis contra um contrário

Na véspera, as ações da companhia recuaram 2,16%, na esteira do risk off no mercado global, além de votos indefinidos dentre alguns dos ministros, o que poderia trazer volatilidade às expectativas. 

Desta vez, porém, o 7×1 foi positivo. A Eletrobras corre para colocar na rua sua oferta de ações, fazendo com que a participação do governo saia de aproximadamente 70% para 45%.

De acordo com a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, a ainda estatal irá protocolar seu aumento de capital (não acompanhado pela União) no dia 25 de maio, tanto na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) como na SEC (Securities and Exchange Commission, a xerife do mercado americano). 

Na visão do ministro Bruno Dantas, do TCU, quem irá determinar o preço das ações e, em última instância, o tamanho da oferta, é o mercado e não cabe à Corte fazer essa papel.

Os valores da privatização

Inicialmente, o governo esperava arrecadar R$ 62,5 bilhões com o processo de privatização da companhia. O montante, todavia, aumentou para R$ 67 bilhões após a visão do TCU de que o valor deveria ser reajustado.

O montante ainda não é consensual, dado que o ministro Vital do Rêgo, único da Corte a registrar seu voto negativamente, entende que o processo deveria custar R$ 130 bilhões. Rêgo justifica a conta com o potencial de empreendimentos da Eletrobras, e não apenas a geração de energia média em curso.

Leia também:
Eletrobras: despesa cresce, mas lucro sobe 69% puxado por operações financeiras

O valor de R$ 67 bilhões será dividido da seguinte forma:

  • R$ 32 bilhões: ao longo de 25 anos, a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) será abastecida, sendo que R$ 5 bilhões serão pagos ainda neste ano;
  • R$ 25,3 bilhões: caixa do Tesouro para bônus de outorga, em função da renovação dos contratos das 22 usinas hidrelétricas da empresa;
  • R$ 9,7 bilhões: investimentos em bacias hidrográficas ao longo da próxima década.  

O valor a ser destravado pela Eletrobras

O mercado aguarda ansiosamente pela privatização da companhia, que deve figurar como única grande privatização do governo de Jair Bolsonaro, possivelmente servindo como mote das promessas de reeleição no fim do ano. 

Entre processos travados, como o dos Correios, e outros desejos distantes, como da Petrobras (PETR4), a Eletrobras é o exemplo claro das razões pelas quais os investidores veem com bons olhos as desestatizações.

A primeira delas, e talvez a mais clara, é justamente o afastamento do aspecto estatal da empresa. Por mais que a União deva manter uma golden share na Eletrobras, ação que dá direitos exclusivos, a empresa se tornará uma corporation, sem controlador definido, o que tende a melhorar a governança. 

Além disso, segundo um estudo realizado pelo MME em 2019, altos investimentos são necessários para que a empresa se mantenha relevante no mercado energético.

À época, o ministério mostrou que a Eletrobras poderia investir R$ 14 bilhões para manter-se competitiva, mas até 2023 a capacidade de investimento estava em R$ 3,6 bilhões.

Durante 2011 e 2016, em meio aos prejuízos de 2012 e 2016, a média anual de investimento da empresa foi de R$ 10,2 bilhões. 

O desenvolvimento da empresa é necessário mesmo com a Eletrobras em uma posição premium no mercado gerador do Brasil. São 50,49 mil MW de capacidade instalada, o equivalente a 28% do país.

A eficiência nas operações da companhia, além de potenciais destravamentos de valor, como capacidade renovada no preço da energia, otimização da estrutura de capital.

Na comparação setorial dentre as geradoras de energia, a Eletrobras já é a que tem menor alavancagem financeira, dada pela relação entre dívida líquida e Ebitda, na ordem de 4,73 vezes. Com a privatização, é esperado que essa relação diminua ainda mais. 

Gradativo aumento do Ebitda e redução da dívida líquida

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Ainda há tempo?

O prazo é apertado, mas o mercado espera ver a Eletrobras privatizada em poucas semanas. Os pedidos de vista do TCU em dezembro de 2021 e no mês passado acabaram atrasando o processo, embora não impossibilitando-o. 

Os contrários à desestatização, porém, não devem deixar barato. A AEEL (Associação dos Empregados da Eletrobras), a ASEF (Associação dos Empregados de Furnas) e o CNE (Coletivo Nacional dos Eletricitários), que já registraram denúncias contábeis de R$ 18 bilhões à CVM americana. As associações prometem apontar mais três irregularidades na empresa na próxima terça-feira (24).

Em relatório, o JP Morgan prevê que um dos maiores jabutis da desestatização da elétrica está ligado à Usina Hidrelétrica Santo Antônio, localizada em Rondônia. A Furnas, controlada pela Eletrobras, tem 43% da usina, que perdeu R$ 1,5 bilhão em uma arbitragem recente.

Será necessário um levantamento de capital para cobrir o montante, certamente postergando o prazo de 25 de maio para a formalização da oferta. Caso contrário, é possível que a usina entre com um pedido de recuperação judicial, segundo o banco americano.

Visão do mercado sobre Eletrobras

De acordo com os dados compilados pela Refinitiv, apresentados na plataforma do TradeMap, todos os cinco especialistas que acompanham a empresa recomendam a compra dos papéis neste patamar.

O preço-alvo mediano, que não leva em conta o cenário após o processo de capitalização, é de R$ 49,50, o que perfaz um upside de 13,6% sobre a cotação atual.

O JP Morgan prevê que, sem o aumento de capital, os papéis preferenciais da Eletrobras valem R$ 50. Já depois da desestatização o valor justo é de R$ 70, em caso de sucesso. 

 

Compartilhe: