BB Seguridade (BBSE3) se apoia em Selic para cima e sinistralidade para baixo no 2T22; saiba mais

Alta dos prêmios e queda da sinistralidade representam o melhor dos mundos

Foto: Shutterstock

O segundo trimestre da BB Seguridade (BBSE3) foi o melhor da história da empresa — ao menos desde o IPO, realizado em 2013. A turbulenta conjuntura macroeconômica, de certa forma, contribuiu para a companhia.

No período entre abril e junho deste ano, a BB Seguridade lucrou R$ 1,4 bilhão. O número disparou 86,6% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando o ciclo de alta da taxa de juros ainda estava em estágio inicial. No primeiro semestre, o lucro foi de R$ 2,6 bilhões.

Desde então, a Selic passou de 4,25% para 13,25%. O que para muitas empresas foi um peso a ser carregado, para a BB Seguridade, impulsionou o balanço.

Na comparação do segundo trimestre de 2022 com igual período de 2021, o resultado financeiro cresceu 17%, para R$ 4,6 bilhões, beneficiando todas as verticais de negócio da holding. 

A Brasilseg, que é o carro chefe da companhia, viu o resultado financeiro estimular o bom movimento dos prêmios no período. O volume de prêmios de seguro cresceu 21,2%, superando a meta do guidance no período.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, a sinistralidade caiu 23,7 pontos percentuais, sobretudo por conta de menores sinistros relacionados ao seguro de vida, vide a queda de óbitos relacionados à pandemia.  

Alta dos prêmios e queda da sinistralidade representam o melhor dos mundos para a atividade seguradora. 

O modelo de negócio prevê o recebimento antecipado dos recursos, os quais ficam aplicados majoritariamente em renda fixa ligada ao CDI, até que os desembolsos com os sinistros sejam necessários. 

Dessa forma, o segmento de seguros cresceu 136,3% em 12 meses, para R$ 159,4 milhões, levando o lucro líquido a disparar 202,1% na mesma base comparativa, para R$ 355,02 milhões. 

É esperado que, em termos de crescimento, o resultado financeiro desacelere daqui para frente, em função do fim do ciclo de alta da taxa de juros. Contudo, o montante gerado pelo resultado financeiro continuará em patamar mais elevado do que entre 2020 e 2021 por um longo período de tempo. 

Quando os recursos levantados por meio dos prêmios são alocados em papéis diferentes daqueles pós-fixados, porém, o resultado pode ser diferente. 

A marcação a mercado dos títulos ligados à inflação levou o resultado financeiro da Brasilprev, segunda frente de grande importância da holding, para o negativo, após um primeiro trimestre positivo. 

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No fim das contas, a investida que foca em previdência privada aberta fechou o período entre abril e junho com lucro líquido de R$ 229,74 milhões, avanço de 346% em relação ao segundo trimestre de 2021.  

No quarto trimestre do ano passado, a companhia já demonstrava um maior otimismo ligado ao resultado financeiro.

Entre 2016 e 2017, o resultado financeiro anual da BB Seguridade chegou a R$ 1,3 bilhão, e a expectativa é que agora o número se aproxime deste patamar, levando a lucratividade ao nível de meados da década passada. 

Guidance revisado mostra aquecimento do mercado da BB Seguridade

A BB Seguridade aproveitou o balanço do segundo trimestre para revisar o guidance (em outras palavras, as projeções corporativas) e calibrar as expectativas do mercado.

O resultado operacional deve crescer entre 15% a 20% em 2022 (a projeção anterior era de 12% a 17%). No que se refere aos prêmios emitidos pela Brasilseg, a previsão é de alta de 20% a 25% (ante a faixa de 10% a 15% anterior). A expectativa de crescimento das reservas previdenciárias é de 9% a 13%, sem mudança. 

A gestão da BB Seguridade foi conservadora na estimativa de crescimento no ano de 2022, que prometia uma turbulência macroeconômica. 

O que não estava nos planos, porém, foi a forte retomada da economia em meio ao arrefecimento da pandemia, mesmo com a guinada da taxa de juros.

Com o ajuste nas projeções, a BB Seguridade aponta que os próximos trimestres devem se valer do forte resultado operacional e, mesmo que não repita o desempenho do primeiro semestre, ainda deve entregar crescimento e volumes satisfatórios – ainda mais do que o primeiro guidance apontava. 

O ponto de atenção, porém, fica para as despesas gerais e administrativas. A Brasilseg (responsável por mais da metade do lucro do período) viu suas despesas crescerem apenas 1,9 ponto percentual em relação ao segundo trimestre do ano passado, mas o consolidado da holding cresceu 28,8% em 12 meses, bem acima da inflação.  

Remuneração a acionistas em voga

Na teleconferência de resultados, realizada na manhã desta segunda-feira (8), executivos da companhia revelaram que devem ampliar o payout, isto é, a parcela do lucro líquido a ser distribuída como proventos deve aumentar nos próximos trimestres.

Junto ao balanço, a empresa informou que pagará R$ 2,07 bilhões em dividendos referentes ao primeiro trimestre deste ano. O payout foi de 80%, com DY (dividend yield) de 3,6% sobre as ações, em relação ao preço de fechamento da última sexta-feira (5). 

Com pouca perspectiva de reinvestimento na própria operação, além de um negócio que não demanda endividamento e que por natureza abastece o caixa de forma periódica com o recebimento de prêmios, a BB Seguridade deve acelerar a remuneração aos investidores. 

O mercado parece ter antecipado o momento favorável à holding. No acumulado deste ano, as ações da empresa avançam mais de 40% – já considerando a alta acima de 3% do pregão de hoje – contra cerca de 3% positivos do Ibovespa.

A guinada esticou os múltiplos da companhia, que negocia a números mais altos em termos de preço/lucro da média dos últimos 36 meses (15,6 vezes atuais, ante a média de 11,8 vezes).    

Mesmo assim, as recomendações dos analistas compilados na plataforma do TradeMap para a BB Seguridade são mais positivas do que negativas.

BB Seguridade refinitiv

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