Às vésperas da reunião decisiva do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) e no dia seguinte ao anúncio de novo aumento dos combustíveis, investidores acompanham com atenção na manhã desta terça, dia 26, a divulgação do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo da primeira quinzena do mês.)
Serão divulgados ainda mais dois dados macroeconômicos importantes: o saldo do mercado formal de trabalho em setembro e, durante a tarde, a arrecadação de tributos pela Receita Federal.
Lembrando que a expectativa para a atividade econômica está longe de ser otimista.
A quebra de compromisso do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Paulo Guedes com a responsabilidade fiscal já eleva a aposta média de alta nos juros para quase 10% ao fim de 2022, ao mesmo tempo em que derruba a expectativa para o comportamento da atividade econômica.
O Itaú foi o primeiro a sinalizar recessão à vista, prevendo queda de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano que vem.
Investidores ainda estarão atentos a possíveis desdobramentos das declarações de Guedes em torno da privatização da Petrobras e novidades sobre a PEC dos Precatórios, que será levada à votação nesta semana.
IPCA-15, Caged e arrecadação
Em um momento de forte preocupação com a inflação, o mercado acompanhará a divulgação do IPCA-15, que vai apontar a variação de preços nas duas primeiras semanas de outubro. A expectativa do mercado é que o índice oficial, que em setembro subiu 1,14%, desacelere de leve, ficando em torno de 1%.
Mesmo assim, seria o maior patamar da história para este mês da série.
Também agora pela manhã, serão informados os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de setembro, com o saldo das vagas com carteira formal no Brasil. Em agosto, foram gerados 372,2 mil postos de trabalho formais – a expectativa do mercado é que o desempenho seja pouco abaixo disso no mês passado.
Durante a tarde, a Receita Federal apresenta o balanço da arrecadação de tributos em setembro.
Por que esses dados podem mexer com o mercado? Investidores estão cada vez mais receosos de que o Brasil possa atravessar um período prolongado de inflação alta em um cenário de baixo crescimento.
Além disso, o número sai às vésperas da decisão do Copom sobre os juros – com o anúncio do governo de que o teto de gastos será alterado para permitir mais despesas no ano que vem, analistas já esperam uma alta maior na taxa Selic na reunião de amanhã, de 1,25 ponto a 1,5 ponto.
Uma inflação maior ou menor no início deste mês pode ser um ingrediente a mais para o comitê embasar sua decisão. Os dados de emprego podem surpreender para cima ou para baixo e ajudam a dar o tom de como está a atividade econômica.
Que horas os números serão divulgados? Às 9h, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga o IPCA-15, e, às 10h, saem os números do Caged. A arrecadação será divulgada pela Receita Federal às 14h.
Confiança do consumidor e vendas de novas moradias nos EUA
O governo dos EUA irá atualizar o índice Conference Board de confiança do consumidor americano em outubro. Agora pela manhã, serão divulgados ainda os números de venda das novas moradias do país no mês passado.
Por que esses números podem mexer com o mercado? A expectativa é que, a partir da semana que vem, o Fed (banco central dos EUA) já comece a reduzir os estímulos à economia americana. Indicadores do desempenho da atividade do país ajudam a calibrar esse processo.
Que horas esses dados serão divulgados? Os dois números saem às 11h.
Balanços
Após o fechamento do mercado, saem os resultados do terceiro trimestre de: Cesp (CESP6), Banco Inter (BIDI11), INDS Romi (ROMI3) e Localiza (RENT3).