Os papéis de mineradoras e siderúrgicas, ligadas diretamente ao minério de ferro, operam entre as maiores altas da Bolsa nesta quarta-feira (1), após dados positivos da manufatura da China, um dos maiores exportadores da commodity no mundo.
Com isso, por volta de 13h20, a CSN (CSNA3) subia 4,62%, a Usiminas (USIM5) avançava 3,81%, a CSN Mineração (CMIN3) se valorizava 4% e a Vale (VALE3), empresa de maior peso no Ibovespa, apontava em 4,54% para cima. No mesmo horário, o índice ia na contramão, com baixa de 1,60%, aos 103.252 pontos.
Na China, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) Manufatureiro subiu de 50,1 pontos em janeiro para 52,6 pontos em fevereiro, o nível mais alto desde abril de 2012. Já o índice Não-Manufatureiro, que mede a confiança empresarial nos setores de serviços e construção, aumentou de 54,4 pontos para 56,3 pontos no mesmo intervalo.
“A elevação dos índices de sentimento econômico, puxada pelo fim da “política de tolerância zero à Covid”, corrobora nosso cenário de forte recuperação do PIB da China em 2023, com um crescimento de 5,5% ante 3% em 2022”, comentou a XP, em relatório.
Diante disso, a tonelada da commodity negociada na bolsa de Dalian teve alta de 2,42%, cotada a US$ 132,23.
Hapvida cai mais de 30%
Após a divulgação de um balanço do quarto trimestre abaixo das expectativas do mercado, as ações da Hapvida (HAPV3) lideram as baixas do pregão, com uma queda de 35,19%. Apesar de a receita mais do que dobrar no último trimestre de 2022, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 316,7 milhões, revertendo o lucro de R$ 200,2 milhões anotado no mesmo período de 2021.
Para se ter uma ideia da frustação, o desempenho veio abaixo, inclusive, da expectativa mais pessimista. A Genial Investimentos esperava prejuízo de R$ 208 milhões, enquanto o Santander, com a visão mais otimista, projetava lucro líquido de R$ 293 milhões.
Em relatório publicado nesta manhã, a XP classificou os resultados como “decepcionantes em relação ao crescimento e as margens”. Segundo a corretora, os números da empresa continuam pressionados pelas despesas financeiras.
Petrolíferas em baixa com imposto sobre a commodity
As produtoras de petróleo, por sua vez, operam em forte baixa nesta quarta, reagindo à decisão do governo de taxar as exportações brasileiras da commodity. Ontem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo vai aplicar um Imposto de Exportação sobre petróleo de 9,2%.
Dentre as ações, 3R Petroleum (RRRP3) caía 12,09% e a Prio (PRIO3) perdia 4,30%. Fora do Ibovespa, a Enauta (ENAT3) tinha queda de 4,35% e a PetroReconcavo (RECV3) se desvalorizava 6,75%.
Embora tenha retomado a cobrança de impostos federais sobre os combustíveis, o governo não recompôs integralmente as alíquotas anteriores e precisava encontrar uma forma de compensar a perda de arrecadação. A cobrança vai vigorar por quatro meses, mas pode continuar após este período a depender do aval do Congresso.
Para Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, a medida é ruim para as petrolíferas já que prejudica a competição internacional. “Também é ruim para a balança comercial brasileira, já que vamos exportar menos petróleo. É praticamente um confisco de resultado das empresas por parte do governo”.
BRF lidera as altas
Na ponta positiva, a ação da BRF (BRFS3) liderava os ganhos do dia, com uma alta de 7,96%. A subida chama atenção já que a empresa encerrou o ano de 2022 com um prejuízo bilionário. No quarto trimestre, o aumento das despesas pesou e a BRF teve um prejuízo de R$ 956 milhões, praticamente zerando o lucro de R$ 932 milhões visto no mesmo período em 2021.
Apesar disso, na visão do Itaú BBA, a operação brasileira surpreendeu positivamente as expectativas. Pelos cálculos dos analistas, as estimativas foram superadas em 26%, com uma lucratividade acima do esperado. “Isso melhorou o desempenho do trimestre, mesmo tendo sido compensado pelo enfraquecimento da dinâmica global”.
Para o banco, o outro destaque é o fato de as marcas Sadia e Perdigão registraram um aumento de 2,6 pontos percentuais (p.p.) na preferência do consumidor e virem ganhos de participação de mercado durante a Copa do Mundo.
Mercados internacionais
No exterior, os índices acionários americanos e europeus iniciaram os pregões em alta, mas passaram a operar em queda no começo da tarde.
Nos Estados Unidos, os investidores repercutem a divulgação de dados de atividade em fevereiro, incluindo a sondagem Industrial ISM. A atividade econômica medida pelo indicador no setor manufatureiro do país continuou a se contrair em fevereiro, embora em um ritmo mais suave do que em janeiro.
O ISM Manufacturing PMI subiu de 47,4 pontos em janeiro para 47,7 em fevereiro. Essa leitura ficou abaixo da expectativa do mercado de 48. Em janeiro, vale ressaltar, o PMI tinha caído para o nível mais baixo desde maio de 2020.
Na Europa, os mercados reagiram positivamente à atividade industrial chinesa, apesar dos resultados mistos dos PMIs industriais dos países europeus. O PMI da zona do euro recuou para 48,5 pontos, e todos permanecem na chamada “zona de contração”, que é abaixo de 50 pontos.
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