Indústria pesa e enfraquece “prévia do PIB” de setembro; saiba o que esperar

IBC-Br ficou quase estável no mês retrasado; apesar disso, PIB deve crescer quase 3% em 2022

Foto: Shutterstock/rafastockbr

Apesar da força demonstrada pelos setores de serviços e comércio em setembro, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) não resistiu ao impacto do peso de juros altos e desaceleração da economia mundial sobre a indústria em setembro. Apelidado de “prévia do PIB”, o indicador variou apenas 0,05% no mês retrasado, bem abaixo da alta de 0,30% projetada pelo mercado.

Os ventos contrários à atividade devem continuar segurando voos maiores da economia brasileira nos próximos meses, na avaliação de economistas. Mesmo assim, a tendência é que o PIB (Produto Interno Bruto) avance quase 3% em 2022, impulsionado pela injeção de recursos de programas sociais como o Auxílio Brasil de R$ 600 e pela reabertura pós-pandemia.

Há dois principais desafios pela frente, em especial para 2023, quando a expectativa é que a atividade perca fôlego e cresça 0,7%, segundo analistas ouvidos pelo Boletim Focus.

Lá fora, a onda de aumento de juros para conter a inflação em grandes economias, como Estados Unidos e zona do euro, e a expectativa de menor crescimento da China, por causa das restrições à circulação implementadas neste ano, colocam um freio na atividade global e acenam para a chance de uma recessão.

Por aqui, a expectativa de manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano até meados de 2023 também tende a impactar cada vez mais o consumo.

“Continuamos a projetar uma diminuição da demanda doméstica e em componentes de oferta cíclicos [ou seja, afetados por indicadores macroeconômicos], principalmente pela expectativa de recessão global e os efeitos do aperto da política monetária do Banco Central”, aponta Lucas Maynard, economista do Santander.

O especialista destaca que, por outro lado, a expectativa é de uma safra de grãos recorde em 2023, o que pode ajudar a balancear os efeitos negativos dos juros altos e demanda internacional mais fraca. A expectativa do banco é que o PIB (Produto Interno Bruto) avance 0,9% no terceiro trimestre e 2,8% no ano. Para 2023, a projeção é de crescimento de 0,7%.

Indústria em queda

Os investidores esperavam alta maior do indicador pelo bom desempenho do setor de serviços em setembro. A receita do setor, que representa 70% do PIB, atingiu o pico histórico ao registrar alta de 0,9% na passagem de agosto para setembro.

O volume de serviços se somou ao aumento também além do esperado para o comércio em setembro, que subiu 1,1%, enquanto as estimativas previam 0,2%. Já a indústria veio em linha com o esperado, com queda de 0,7%.

Na avaliação do economista Marco Caruso, do banco Original, o IBC-Br mostrou que, na prática, o IBC-Br não avançou em relação a agosto, quando registrou aumento de 1,13%.

“Isso significa que o desempenho negativo da indústria no período suplantou parte do avanço dos setores destacados”, apontou. “Esse cenário, alinhado aos indicadores antecedentes, como a queda de 3,8 pontos do índice de confiança da indústria para outubro e recuo do PMI [índice de gerente de compras] no período, sugere que a indústria deve continuar em ritmo de desaceleração.”

Nesse cenário, alerta, a tendência é que o setor industrial tenha uma contribuição negativa também no IBC-Br de outubro. Na avaliação do Original, o PIB deve avançar 0,8% no terceiro trimestre deste ano.

Terceiro trimestre forte

Apesar de ficar quase estável em setembro, o IBC-Br avançou 1,4% no terceiro trimestre, o que reforça a expectativa de uma alta de quase 3% da atividade neste ano – analistas ouvidos semanalmente pelo Boletim Focus, do Banco Central, acreditam em crescimento de 2,77%.

Saiba mais:
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Rodolfo Margato, economista da XP, pondera que o PIB não necessariamente crescerá no mesmo ritmo, já que a metodologia usada pelo BC no indicador é diferente da do IBGE. A corretora acredita que a economia mostrará alta de 0,6% entre julho e setembro.

“Por um lado, o mercado de bens vem arrefecendo em meio a condições monetárias mais restritivas e alto endividamento das famílias. Por outro, o setor de serviços segue em firme trajetória de alta, na esteira da reabertura econômica e do aumento da renda disponível às famílias”, avaliou o especialista da XP.

 

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