Impulsionada pela economia brasileira ainda aquecida e arrefecimento da contração monetária no país, a BB Seguridade (BBSE3) apresentou, na manhã desta segunda-feira (7), o melhor terceiro trimestre de sua história.
A companhia reportou um crescimento anual de 69,2% no resultado atribuído às participações, para R$ 1,64 bilhão, com destaque para Brasilseg e Brasilprev. O resultado financeiro consolidado da BB Seguridade disparou, chegando a R$ 232 milhões.
Nos primeiros nove meses deste ano, a holding teve um resultado financeiro positivo em R$ 631 milhões, equivalente a 14% do lucro líquido da companhia, saindo de uma perda de R$ 23 milhões no mesmo período de 2021.
O lucro líquido que, por sua vez, atingiu R$ 1,65 bilhão, patamar mais alto de qualquer terceiro trimestre da empresa em sua história, representando uma alta de 69,3% ante o mesmo período de 2021.
O resultado financeiro consolidado das empresas do grupo mostra que a Selic beneficiou o modelo de negócio, que por característica é mais defensivo do que a média. E o mercado identificou isso: por volta das 10h45 desta segunda, as ações BBSE3 subiam quase 3%, superando a marca de 48% de valorização desde o início do ano.
Arrefecimento da pandemia traz dinheiro
A Brasilseg, carro-chefe da empresa que foi reestruturada em 2018 e fornece seguros pessoais, habitacional, rural, residencial e empresarial, liderou os resultados da holding durante o período de julho a setembro deste ano.
O resultado da vertical pode ser dividido em dois. O resultado financeiro foi equivalente a 18,7% do resultado consolidado da companhia. Esse foi o segundo maior percentual atribuído às atividades não operacionais dos últimos dois anos.
Isso não significa que a operação esteve em maus lençóis — pelo contrário. O índice de sinistralidade caiu 14,7 pontos percentuais em um ano, para 27,3%, em função da diminuição das ocorrências relacionadas à Covid-19, na cobertura de morte, e no seguro agrícola, voltando à normalidade após eventos climáticos do 3º trimestre de 2021.
Os prêmios emitidos avançaram 44,8%, para R$ 5,02 bilhões, com destaque para o seguro rural, que cada vez caracteriza-se como marca registrada da empresa
O lucro líquido da divisão disparou 160,1%, para R$ 853,18 milhões. A dinâmica dos segmentos rural, agrícola e prestamista deve compor um ainda melhor desempenho ao longo dos próximos trimestres.
BB Seguridade e a marcação a mercado
No guarda-chuva da BB Seguros, a segunda atividade que mais traz resultado é a Brasilprev. Trata-se da investida que opera no segmento de previdência privada aberta, em parceria com a americana Principal Financial Group.
A receita total oriunda da previdência e seguros somou R$ 15,14 bilhões, alta de 28,8% sobre o mesmo período de 2021 e avanço de mesma magnitude em comparação ao segundo trimestre de 2022.
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O resultado operacional em si, com receitas pela gestão de recursos, prêmios ganhos retidos e despesas gerais e administrativas, ficou de lado na comparação anual, crescendo apenas 3,5%.
Entretanto, a marcação a mercado foi positiva para a empresa no ano, com o fechamento da curva da taxa de juros sob a perspectiva real. Assim, o resultado financeiro saiu de uma perda de R$ 220 milhões em um ano, para R$ 34,83 milhões.
O resultado ainda permanece no campo negativo em razão da queda dos índices de inflação, impactando a reprecificação dos ativos sob carteira. No terceiro trimestre, o IGP-M caiu 1,4% e o IPCA recuou 1,3%.
Corretagens crescem dão gás a resultado
A recomposição do resultado financeiro também contribuiu com o balanço da BB Corretora. A subsidiária integral da holding, que operacionaliza a corretagem, administração e realização de negócios relacionados a seguros, teve um resultado financeiro 233,4% superior em um ano, para R$ 211 milhões.
A empresa viu as receitas de corretagem avançarem 22,7%, para R$ 1,26 bilhão, um sólido avanço de 22,7%.
A margem operacional recuou 0,5 ponto percentual em um ano, em razão de um maior volume de provisão para devolução de comissões à Brasilprev, o que não atrapalhou os resultados operacionais da vertical.
Na BB Corretora, também pode ser observado uma melhora no desempenho comercial.
Ao longo dos próximos trimestres, com a precificação dos produtos, normalização das atividades operacionais e o mix de receitas da holding, é esperado que o resultado financeiro ganhe maior proporção no lucro da BB Seguridade.
Essa dinâmica é esperada em razão do modelo de negócio das seguradoras, que prevê o recebimento de recursos, por meio de prêmios, antecipadamente aos sinistros, via de regra.
A expectativa gira em torno dos dividendos da holding, que devem permanecer fortes para este ano. O payout (parcela do lucro que é distribuída) foi de 70% em 2020 e 73% no ano passado. Em dezembro, o Conselho de Administração se reunirá para decidir acerca do próximo pagamento.
Vale a pena acompanhar o andamento de investimentos em tecnologia, que ampliam as despesas com pessoal para reforço das estruturas digitais, algo mencionado pela holding nas contas de Brasilcap e BB Corretora, embora seja algo que gire em torno de todo o conglomerado. Há a expectativa de distribuir 100% dos produtos de forma digital em pouco tempo.
Além disso, na manhã desta segunda, o mercado não precifica possíveis influências da transição política em Brasília na BB Seguridade, vide que o Banco do Brasil controla dois terços da holding.