A BB Seguridade (BBSE3), holding de seguros do Banco do Brasil, tem caixa livre suficiente para distribuir aos acionistas, em forma de dividendos, 100% do lucro líquido que a empresa deve gerar no segundo semestre, afirmou nesta segunda-feira (7) o CFO da companhia, Rafael Sperendio, em coletiva de imprensa após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre do ano.
De julho a setembro, a BB Seguridade teve lucro líquido de R$ 1,6 bilhão, número 69,7% maior que o de igual período do ano passado. No negócio de seguros, a holding tem R$ 1,8 bilhão em caixa livre para distribuir. Na corretagem, há cerca de R$ 2 bilhões.
A companhia não dá uma projeção para o lucro do quarto trimestre, mas é improvável que o montante já em caixa não seja suficiente para cobrir todo o lucro do segundo semestre.
A empresa, contudo, ainda não sabe se vai ou não distribuir 100% do lucro. A decisão cabe ao conselho de administração, que normalmente aprova a distribuição de dividendos na última reunião do ano. “Mas nós temos caixa livre para distribuir a totalidade do lucro”, reiterou.
Em relação ao primeiro semestre, a BB Seguridade distribuiu cerca de 80% do lucro. À época, a empresa disse que a expectativa para o segundo semestre era distribuir uma parcela maior e que, em razão de incertezas de mercado, “bastante capital” estava sendo retido.
“Hoje não temos nenhuma incerteza significativa e faltam apenas dois meses para o fim do ano”, disse o CFO nesta sexta.
Por volta das 10h30, a ação da BB Seguridade estava entre as maiores altas do dia, com valorização de 3,12%, a R$ 30,71.
E a Selic?
Com a alta da Selic, a BB Seguridade conseguiu multiplicar por 16 o chamado resultado financeiro, que mostra o quanto a empresa ganha com aplicações em renda fixa. O indicador somou R$ 232,4 milhões no terceiro trimestre deste ano, alta de 1.560% em um ano.
No acumulado dos primeiros nove meses do ano, o resultado financeiro representou 14% do lucro da empresa, mas o CFO acredita que essa proporção deverá ser maior em 2023, em razão da manutenção da Selic em um patamar de 13,75% pelo menos até meados do ano que vem, segundo a projeção do mercado.
Isso depende, contudo, do resultado operacional da companhia. Se o negócio de seguros crescer mais, a participação do financeiro tende a diminuir. “Mas seria por um bom motivo”, ressaltou Sperendio.
No terceiro trimestre, o segmento de seguros, que é o carro-chefe da empresa, viu o volume de prêmios emitidos avançar 45% na comparação anual, atingindo R$ 5 bilhões no trimestre. De acordo com a BB Seguridade, o volume aumentou em todas as linhas de negócio.
No segmento rural, houve avanço de 72,6% no mesmo comparativo. No prestamista (relativo a pagamentos de empréstimos e financiamentos), subiu 46,2%. No de vida, aumentou 1,9%, enquanto o residencial foi 13,3% maior. Já a sinistralidade atingiu 27% no trimestre, uma queda de 14,7 p.p. na comparação anual.
O resultado operacional não decorrente de juros, com isso, cresceu 40% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2021, atingindo R$ 2,2 bilhões.
Troca de governo
Na coletiva de imprensa, o CEO da BB Seguridade, Ulisses Assis, disse também que a troca de comando no governo federal, com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é motivo de “pouquíssima preocupação” para a holding, ligada ao Banco do Brasil.
“Assim como o Banco do Brasil, a BB Seguridade tem uma governança bastante robusta e um planejamento estratégico muito bem desenhado para os próximos anos”, disse o executivo.
Ele ressaltou que qualquer troca no quadro diretor da companhia passaria por toda a governança e envolveria indicadores técnicos de avaliação. “Aqui na BB Seguridade, todos os funcionários da direção têm de ser funcionários de carreira, então a companhia está muito bem resguardada”, disse.