No último pregão da semana, o Ibovespa devolve parte dos ganhos da véspera e recua pressionado pelo desempenho negativo de mineradoras, que se desvalorizam refletindo balanços do setor e uma queda no preço do minério de ferro.
A CSN (CSNA3) liderava as perdas com um recuo de 7,73%, seguida por Usiminas (USIM5 -5,09%), Gerdau (GGBR4 -3,99% e GOAU4 -3,39%) e Vale (VALE3 -5%). Na mesma direção, o principal índice da B3 recuava 0,36% às 13h20, operando aos 114.267 pontos.
Embora previsto pelo mercado, o resultado da Vale no terceiro trimestre do ano mostrou um cenário apertado para o setor no período, em consequência de preços mais baixos do minério de ferro e custo de produção em alta.
Marco Noernberg, líder de renda variável da Manchester investimentos, ressalta que a queda da Vale ajuda a pressionar o Ibovespa. “O balanço, que não foi bem visto pelo mercado, apesar de não ter sido desastroso, acaba empurrando o índice para baixo. Geralmente, quando a Vale divulga seus números, acaba ditando o Ibovespa, ou para cima ou para baixo”, avalia.
No terceiro trimestre, a Vale vendeu a tonelada de minério por US$ 92,6, valor 27,2% abaixo dos US$ 127,2 por tonelada do mesmo período do ano passado. O prêmio, por sua vez, ficou estável em US$ 6,6 por tonelada.
Acompanhando a gigante do setor, a Usiminas viu seu lucro líquido cair 67% no terceiro trimestre deste ano, pressionada por vendas menores de aço, maior custo nessas vendas e também por avanço no investimento em bens de capital (Capex). De julho a setembro, o montante somou R$ 609 milhões, abaixo dos R$ 1,8 bilhão reportados no mesmo período em 2021.
E essa queda da commodity está diretamente ligada à segunda maior economia do mundo. Durante boa parte do primeiro semestre, a China fechou províncias como forma de colocar em prática sua política de zero Covid-19, o que acabou pesando fortemente nos preços, uma vez que o gigante asiático é o maior consumidor de minério do mundo.
E os resultados mais fracos do setor não devem parar no terceiro trimestre. Nesta sexta-feira, o penúltimo pregão do primeiro mês do último trimestre de 2022, o preço do minério de ferro caiu 5% na Bolsa de Dalian, na China, negociado a US$ 86,31 por tonelada, atingindo um dos menores patamares do ano.
Suzano sobe após balanço
A Suzano, empresa do setor de papel e celulose, subia 2,41% no pregão, após divulgar seus números do terceiro trimestre na noite de quinta-feira (27). Além dela, a Klabin (KLBN11), também do setor, avançava 3,28%.
A companhia apresentou números robustos no terceiro trimestre do ano, após conseguir realizar um repasse de preço da commodity, suportada por uma demanda sólida e sem aumento da oferta no período.
No período, o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado consolidado subiu 36% na base anual, para R$ 8,596 bilhões, um recorde histórico da empresa. Ao mesmo tempo, o lucro operacional do segmento da celulose teve alta de 34% na mesma base de comparação, para R$ 7,665 bilhões.
A empresa encerrou o período entre julho e setembro com um lucro de R$ 5,44 bilhões, ante a perda de R$ 962 milhões no terceiro trimestre do ano passado. O consenso de analistas para o lucro da Suzano era de aproximadamente R$ 1,56 bilhão.
Leia a análise:
Como as ações da Suzano (SUZB3) devem reagir ao resultado histórico do 3º trimestre
O resultado da Suzano veio acima do esperado pelo Itaú BBA, que projetava um Ebitda de R$ 8,3 bilhões. Em relatório enviado a clientes nesta sexta-feira, o analista do banco Daniel Sasson considerou os resultados positivos, e destacou que um preço de celulose mais alto beneficiou os resultados.
“Além disso, volumes mais fortes e menos paradas para manutenção, juntamente com uma desvalorização do real no período, contribuíram para o bom trimestre”, avalia o BBA.
Setor de educação segue em alta
Assim como na véspera, as ações da Cogna (COGN3) e da Yudqs (YDUQ3) lideram as altas do pregão, refletindo uma possível vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição de domingo (30).
Nesta sexta, as empresas avançavam, respectivamente 5,96% e 3,16%. Desde o início da campanha eleitoral, as educacionais têm reagido positivamente na Bolsa sempre que o cenário se mostra mais favorável a uma vitória do ex-presidente Lula.
Isso ocorre porque o candidato petista tem dito que vai novamente impulsionar os programas de financiamento estudantil criados nas gestões petistas, como o Fies, que turbinaram os resultados das companhias de educação no passado.
Na pesquisa Datafolha divulgada na noite de quinta-feira (28), o ex-presidente possui 49% das intenções de voto, ante 44% do atual presidente Jair Bolsonaro (PL). Os brancos e nulos somam 5%, enquanto os indecisos são 2%.
Além do setor, IRB (IRBR3) subia 4,30%, Americanas (AMER3) ganhava 3,53% e Méliuz (CASH3) apontava em 5,56% para cima.
Bolsas internacionais
Os mercados lá fora operam em alta nesta sexta. Nos EUA, os investidores repercutem os balanços de Amazon e Apple, que aumentaram os temores de que o aperto monetário mais agressivo do Federal Reserve finalmente esteja desacelerando a economia e possa prejudicar os lucros das companhias.
A Amazon, por exemplo, viu seu lucro operacional cair 48% em relação ao terceiro trimestre do ano passado e desapontou o mercado. Além disso, a empresa fez uma projeção de resultados fracos para o quarto trimestre – período das vendas de final de ano em que companhias como a Amazon costumam brilhar.
Além disso, hoje foi divulgado o PCE (índice de preços para despesas de consumo pessoal), o indicador de inflação preferido do banco central dos EUA. A medição avançou 0,3% no mês passado. Já o núcleo do indicador, que exclui itens de preços mais voláteis, como energia e alimentos, subiu 0,5%, dentro do esperado por analistas.
Veja como estavam os mercados globais nesta tarde. Os da Europa, vale ressaltar, já operam próximo do horário de fechamento.
Índice | Localidade | Performance |
Dow Jones | EUA | +1,90% |
S&P 500 | EUA | +1,64% |
Nasdaq | EUA | +1,87% |
Euro Stoxx 50 | Zona do Euro | +0,11% |
FTSE 100 | Reino Unido | -0,45% |
DAX 30 | Alemanha | +0,21% |