Bolsa se recupera e opera no positivo, puxada por empresas ligadas à economia doméstica e commodities

As ações que mais se valorizavam durante a sessão desta terça foram algumas das maiores perdedoras do pregão de segunda.

Foto: Shutterstock

Após uma sequência de queda, devido aos temores de que novas medidas de política monetária poderão ser adotadas para conter a inflação, o Ibovespa voltou a operar no campo positivo. Por volta de 13h20 (de Brasília), o índice subia 0,61%, aos 117.669 pontos, sendo que as ações que mais se valorizavam eram as que mais perderam no pregão de ontem.

Com isso, as ações de Cogna (COGN3) crescia 6,37%, voltando ao patamar positivo, depois de baixa de 5,65% na sessão desta segunda-feira. Da última quarta-feira (6) até ontem, os papéis da empresa de educação acumulam uma queda de 10%. Na ponta positiva, o destaque eram CVC (CVCB3) e Grupo Soma (SOMA3), que subiam 4,67% e 4,02%, respectivamente.

Para Leandro Petrokas, analista e sócio da Quantzed, o movimento de alta das empresas voltadas a economia doméstica também está atrelado a um arrefecimento da alta dos juros, com todos os vencimentos trabalhando no campo negativo.

Segundo números da Plataforma TradeMap, os DIs com vencimento em julho de 2023 eram negociados a 13,02%, mostrando uma queda de 7 pontos-base. Os contratos de julho de 2025 operavam a 11,76%, recuo de 8 pontos-base.

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

“Essa queda beneficia alguns setores que são sensíveis às oscilações das taxas de juros, como varejo e construção civil”, comenta Petrokas. O segmento de construção era impulsionado por Direcional (DIRR3), que crescia 3,61% e Mitre (MTRE3), que subia 6,60%.

No caso das empresas, ambas divulgaram na noite de ontem suas prévias operacionais para o primeiro trimestre do ano, com o mercado reagindo positivamente aos números.

A Direcional, que é voltada para empreendimentos populares e de médio padrão, registrou vendas líquidas de R$ 621,9 milhões no primeiro trimestre de 2022, uma alta de 21% em relação ao mesmo período no ano passado, sendo que março foi o melhor mês de vendas líquidas da história da companhia. Com isso, a construtora teve o maior volume de vendas para um primeiro trimestre.

Em relatório, a Genial Investimentos afirma que a construtora apresentou “bons números operacionais” no primeiro trimestre, embora a instituição tivesse uma projeção para VGV de R$ 629 milhões e para vendas líquidas de R$ 657 milhões.

Já a Mitre atingiu R$ 153,5 milhões em vendas líquidas no primeiro trimestre de 2022, número 85,3% superior ao mesmo período em 2021.

Segundo a Genial, a Mitre reportou “números operacionais saudáveis”. “Mesmo sem lançar empreendimentos no trimestre, a companhia conseguiu vender quase R$ 154 milhões do seu estoque. Assim, a VSO (velocidade de vendas) dos últimos 12 meses subiu para 40,5%”, diz a corretora.

O VSO, (vendas sobre oferta), indicador utilizado para demonstrar o percentual de unidades comercializadas em relação a um total de disponíveis no primeiro trimestre de 2022, da Mitre foi de 11,6%, redução de 5,2 ponto porcentual (pp) em comparação ao mesmo período de 2021.

Ajuda das commodities

Em termos de volumes negociados, as ações ligadas à commodities ajudam a sustentar o Ibovespa no positivo nesta terça-feira. Após ficar abaixo dos US$ 100 na segunda, o petróleo sobe 6,5% nesta terça, sendo cotado por US$ 105 na ICE.

Na Bolsa, a Petrobras (PETR4) subia 1,44%, a PetroRio (PRIO3) crescia 3,47% e a 3R Petroleum (RRRP3) valorizava 1,97%.  A subida do produto é uma resposta ao relaxamento de algumas restrições de mobilidade na China, que havia decretado lockdown na região de Xangai por conta de um novo surto de Covid-19.

Além do petróleo, o minério também apresenta uma valorização na comparação intradia. Na Bolsa de commodities de Dalian, também na China, o minério de ferro teve uma alta de 4,40%, negociado a 925 iuanes, ou o equivalente a US$ 145,22.

Dentre as empresas de mineração e siderurgia, a Vale (VALE3), que negocia 15% de todas as ações da B3, crescia 1,37%.

Quedas do dia

No campo negativo, quem liderava as quedas era o Banco Inter (BIDI11), recuando 5,75% no mesmo horário. A empresa divulgou prévia operacional do primeiro trimestre do ano ontem e, de acordo com Petrokas, da Quantzed, pelo comportamento de queda do papel, o mercado parece “não ter gostado dos números apresentados pela empresa, mesmo com a aquisição da fintech americana USend”.

Apesar disso, os resultados do banco mineiro foram positivos. A instituição fechou o trimestre com 18,6 milhões de clientes, crescimento de 82% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Além do Inter, seguiam a fila das quedas a Méliuz (CASH3), recuando 2,73% e a B3 (B3SA3), que caia 2,28%.

Um setor que caía em bloco era o de frigoríficos, com Marfrig (MRFG3) recuando 2,85% e Minerva Foods com desvalorização de 2,50%, figurando na ponta baixa do índice, enquanto a BRF (BRFS3) caía 0,56%.

Para Petrokas, a queda das ações da BRF pode ser explicada pelo relatório publicado nesta segunda-feira pelo Goldman Sachs, que recomenda a venda dos papéis da companhia. 

No documento, o banco acredita que o momento para a empresa apresentar bons resultados está passando, o que pode pesar no desempenho das ações nos próximos 12 meses.

Além disso, o setor também sofre pressão por margem devido ao aumento dos custos dos insumos, principalmente os grãos, com o advento do conflito entre Rússia e Ucrânia, iniciado em fevereiro”, diz o analista da Quantzed.

Bolsas internacionais

No exterior, os principais índices acionários operam sem direção única, com a Europa em queda e os Estados Unidos em alta.

Nos EUA, os investidores acompanharam a divulgação do CPI (índice de preços ao consumidor) do país, que acelerou para 1,2% em março, acima do aumento de 0,8% em fevereiro. Em 12 meses, o indicador, que serve para medir a inflação por lá, já sobe 8,5%, maior valor desde dezembro de 1981.

Veja mais:
Maior desde 1981: inflação dos EUA em 12 meses vai a 8,5% em março

O indicador veio em linha com o esperado pelo mercado, que apostava numa alta de 1,1%. Para a chefe de economia da Rico Investimentos, Rachel de Sá, um fruto direto dessa alta de preços pode ser um posicionamento mais duro do Banco Central dos EUA (o Federal Reserve) com sinalizações em direção a uma alta de juros mais rápida e mais forte do que muitos imaginavam até então.

Por lá, os principais índices acionários apresentavam uma alta nesta terça. Nasdaq subia 1,31%, S&P 500 crescia 0,94% e Dow Jones valorizava 0,76%. Enquanto isso, no Velho Continente, o movimento era contrário. O FTSE 100 recuava 0,55%, enquanto o DAX, da Alemanha, desvalorizava 0,53%. O índice Euro Stoxx 50, que reúne empresas de toda a zona do euro, tinha uma queda de 0,41%.

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