A recuperação lenta do mercado de trabalho, a inflação elevada e o avanço da variante Ômicron do coronavírus voltaram a derrubar a confiança de comércio e serviços em dezembro, mostram dados divulgados pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) nesta terça-feira, dia 28.
Os números são das sondagens realizadas pela instituição junto a esses setores, abordando temas como situação de negócios, demanda, faturamento e mão-de-obra. Os indicadores são construídos com base tanto na avaliação do momento presente como nas expectativas para os próximos meses.
Ontem, o FGV Ibre divulgou que a confiança na indústria também recuou ao menor nível desde agosto do ano passado.
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A confiança do comércio caiu pela quarta vez seguida, e a de serviços pela segunda vez consecutiva, confira abaixo.
Comércio
De acordo com a FGV, o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) caiu 2,7 pontos em dezembro, ao passar de 88para 85,3 pontos. Esse é o menor patamar desde abril de 2021. No trimestre encerrado neste mês, a sondagem mostra recuo de 2,9 pontos no indicador, a quarta queda consecutiva.
Houve queda em cinco de seis segmentos, como resultado da piora da percepção sobre o momento atual e também das expectativas para os próximos meses.
O que diz a FGV
“O resultado de dezembro é influenciado principalmente pela percepção de piora no volume de demanda pelo quinto mês consecutivo, sugerindo que, apesar da melhora da pandemia, o setor continuando sentindo os efeitos negativos da baixa confiança do consumidor, lenta recuperação do mercado de trabalho, alta inflação e juros em alta. As expectativas também pioraram sugerindo que o início do próximo ano deve ser desafiador, sem perspectivas de retorno da trajetória de recuperação que vinha ocorrendo até o terceiro trimestre desse ano “, avaliou Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre.
Serviços
Já o Índice de Confiança de Serviços (ICS) caiu 1,3 ponto em dezembro, para 95,5 pontos, a segunda queda consecutiva. Em médias móveis trimestrais, o índice também registrou a segunda queda consecutiva. Houve piora tanto no sentimento em relação ao momento presente quanto nas expectativas para o futuro.
O que diz a FGV
“A recuperação da confiança de serviços, que vinha ocorrendo ao longo de 2021, parece perder força no final do ano. Em dezembro, o resultado negativo foi influenciado por uma ligeira piora na demanda no momento e diminuição das expectativas sobre os próximos meses. Apesar do programa de vacinação seguir avançando, o cenário para os próximos meses ainda parece muito incerto, principalmente pelo ambiente macroeconômico mais frágil e a dúvida sobre nova variante”, afirmou Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre.