O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL). A divisão regional do resultado manteve o padrão observado nas últimas eleições, mas trouxe mudanças importantes em relação a 2022. A comparação dos segundos turnos desde 2002, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que Lula voltou a vencer no Norte pela primeira vez desde 2014, ampliou sua votação no Sudeste e preservou o Nordeste como principal reduto eleitoral. Sul e Centro-Oeste, por sua vez, deram vantagem ao adversário.
Norte: Lula vence por apenas 1.079 votos
O Norte registrou a disputa regional mais equilibrada, com Lula à frente por uma margem de apenas 0,02 ponto percentual: 50,01% dos votos válidos, contra 49,99% de Flávio. A diferença foi de 1.079 votos, resultado que devolveu ao PT a liderança na região em um segundo turno presidencial pela primeira vez desde 2014.
Em 2018 e 2022, o adversário petista havia vencido no Norte, com 51,89% e 51,03%, respectivamente. O melhor desempenho de Lula na região ocorreu em 2006, quando alcançou 65,59%.
Centro-Oeste: Flávio supera Lula por 20 pontos
No Centro-Oeste, Flávio obteve 60,01% dos votos válidos, ante 39,99% de Lula. A região deu vitória ao PT apenas em 2002 e 2006, quando Lula recebeu 57,29% e 52,38%, respectivamente.
Desde 2010, o adversário do partido venceu todos os segundos turnos no Centro-Oeste. O maior percentual foi registrado em 2018, quando Jair Bolsonaro alcançou 66,55%. Na comparação com 2022, a votação de Lula avançou apenas 0,2 ponto percentual.
Sul: região registra a maior votação de Flávio
O Sul foi a região mais favorável a Flávio, que recebeu 62,58% dos votos válidos, contra 37,42% de Lula. Também foi a única região em que o petista perdeu participação em relação a 2022, quando havia obtido 38,16% — uma queda de 0,74 ponto percentual.
O PT venceu no Sul apenas em 2002, com 58,84%. Desde 2006, o adversário petista ficou à frente em todos os segundos turnos, com o melhor resultado em 2018, quando Jair Bolsonaro conquistou 68,27% dos votos válidos.
Sudeste: Lula alcança melhor resultado desde 2010
No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, Flávio venceu com 52,76% dos votos válidos, contra 47,24% de Lula. Apesar da derrota regional, o petista ampliou sua votação em 1,5 ponto percentual em relação a 2022, quando havia recebido 45,74%, e alcançou seu melhor resultado na região desde 2010.
Lula venceu no Sudeste em 2002, com 63,01%; em 2006, com 56,87%; e em 2010, com 51,88%. Desde 2014, porém, o adversário do PT tem prevalecido na região.
Nordeste: Lula mantém vantagem de quase 39 pontos
O Nordeste permanece como a principal base eleitoral do PT. Lula venceu todos os segundos turnos presidenciais na região desde 2002 e, em 2026, recebeu 69,37% dos votos válidos, o equivalente a 24.450.432 votos. Flávio obteve 30,63%.
O percentual de Lula ficou praticamente estável em relação a 2022, quando alcançou 69,34%. A diferença entre os candidatos chegou a aproximadamente 13,7 milhões de votos no Nordeste, a maior vantagem absoluta do petista entre as cinco regiões. O melhor resultado do PT na região ocorreu em 2006, com 77,13%.
O que mudou em relação a 2022?
Lula ampliou sua participação nos votos válidos em quatro das cinco regiões do país. Os maiores avanços ocorreram no Sudeste, com alta de 1,5 ponto percentual, e no Norte, com 1 ponto. No Norte, a variação foi suficiente para inverter o resultado regional e garantir uma vitória apertada do petista.
O Sudeste também teve papel importante na evolução do desempenho de Lula: embora Flávio tenha vencido na região, o avanço do presidente reeleito reduziu a diferença entre os candidatos no maior colégio eleitoral do país. O Sul foi a única região em que Lula perdeu participação, com recuo de 0,74 ponto percentual.
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