Nenhum setor da Bolsa sofreu tanto no primeiro pregão após a reeleição de Lula quanto o imobiliário. Às 13h36 desta segunda-feira (26), o IMOB, índice que reúne construtoras, incorporadoras e empresas de shopping centers e propriedades comerciais, caía 29,13%, aos 1.169 pontos, quase o dobro da queda do Ibovespa, que recuava 15,38% no mesmo horário, aos 173.539 pontos.
O índice não tinha um único papel no positivo. A lista de “maiores altas” do IMOB, na prática, era a de menores quedas: JHSF (JHSF3) recuava 21,89%, Cury (CURY3) 21,91%, Iguatemi (IGTI11) 22,48% e Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3), 24,65% cada.
Na ponta mais pesada, as incorporadoras de média e alta renda e as voltadas ao programa Minha Casa Minha Vida caíam juntas. Cyrela (CYRE3) despencava 42,06%, MRV (MRVE3) 41,92%, Moura Dubeux (MDNE3) 38,51%, EZTEC (EZTC3) 37,38%, Lavvi (LAVV3) 37,36%, Plano&Plano (PLPL3) 34,99% e Even (EVEN3) 34,43%. Entre as empresas de propriedades comerciais e logística, Log (LOGG3) perdia 28,53%, Multiplan (MULT3) 28,11% e Allos (ALOS3) 25,16%.
O setor é o mais sensível à curva de juros: construtoras dependem de crédito imobiliário e financiamento à produção, e shoppings e galpões são avaliados pelo investidor em comparação com a renda fixa. Com os juros futuros em disparada ao longo de toda a curva e o dólar futuro em alta de 9,18%, a R$ 5,431, a reprecificação atingiu em cheio essas empresas, que tinham subido com a expectativa de corte de juros em um eventual governo Flávio Bolsonaro.
Os fundos imobiliários sofreram menos, mas também caíam. O IFIX recuava 6,38%, aos 3.736 pontos, no mesmo horário.
Mais cedo, a B3 havia acionado o circuit breaker na abertura, o primeiro desde 2020, suspendendo as negociações por 30 minutos após o Ibovespa cair 10%.
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