Ao longo da semana, o Ibovespa foi influenciado pela reta final da campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, pela divulgação de indicadores econômicos no Brasil e pelas tensões geopolíticas no cenário internacional.
No cenário doméstico, o Boletim Focus manteve a projeção para o IPCA de 2026 em 5,22%, enquanto reduziu a estimativa de crescimento do PIB de 1,85% para 1,83%. A expectativa para a Selic permaneceu em 13,25% ao ano. Para 2027, a projeção de inflação subiu de 4,30% para 4,32%, enquanto a estimativa de crescimento do PIB recuou de 1,40% para 1,32%. Os investidores também acompanharam as pesquisas eleitorais e o primeiro debate do segundo turno. A semana marcou ainda o início da divulgação dos balanços do terceiro trimestre, com os resultados das empresas movimentando as ações na Bolsa. O IPCA-15 de outubro avançou 0,32%, desacelerando em relação à alta de 0,70% registrada em setembro e ficando abaixo das expectativas.
No cenário internacional, as tensões no Oriente Médio e os desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia permaneceram no centro das atenções. Os ataques dos houthis contra instalações energéticas da Arábia Saudita, os incidentes envolvendo petroleiros no Estreito de Ormuz e os temores de uma nova escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã provocaram fortes oscilações nos preços do petróleo. Na quinta-feira (22), o Brent avançou 4%, a US$ 113,17 por barril, atingindo o maior nível desde maio. Os investidores também acompanharam as negociações diplomáticas envolvendo os conflitos e os ataques contra infraestruturas energéticas na Rússia e na Ucrânia.
Maiores altas
Os papéis da Magazine Luiza (MGLU3) acumularam valorização de 14,22% na semana, impulsionados pelo recuo dos juros futuros e pelas expectativas dos investidores em relação ao cenário econômico após as eleições presidenciais. Na terça-feira (20), as ações dispararam 14,79%, acumulando três pregões consecutivos de alta. O movimento também foi favorecido pela revisão da avaliação do Citi, que elevou a recomendação da varejista de neutra para compra, destacando seu potencial de recuperação diante da perspectiva de menores custos financeiros, melhora das condições de crédito e fortalecimento da demanda por bens duráveis.
A MRV (MRVE3) encerrou a semana com ganhos de 13,99%, impulsionada pela recuperação das ações após as perdas do período anterior e pelas expectativas de melhora operacional da companhia. Na segunda-feira (19), os papéis chegaram a subir mais de 11%, favorecidos inicialmente pelo recuo dos juros futuros. O movimento também foi sustentado pelos resultados da prévia operacional do terceiro trimestre, que apontou vendas líquidas recordes de aproximadamente R$ 3 bilhões, crescimento de 29,6% na comparação anual. Além disso, a evolução das operações no Brasil e a venda de ativos da subsidiária Resia reforçaram as perspectivas de melhora dos indicadores financeiros da construtora.
A Vamos (VAMO3) avançou 13,05% no acumulado semanal, beneficiada pelas expectativas de queda dos juros e pelos sinais de melhora operacional da companhia. O movimento ganhou força após o Itaú BBA elevar suas projeções de lucro para 2027 e 2028, destacando a recuperação das margens de locação e a redução das retomadas de veículos. A prévia operacional do terceiro trimestre também contribuiu para o desempenho, com receita recorde de R$ 1,15 bilhão no segmento de locação, alta de 11,5% na comparação anual.
Maiores quedas
A WEG (WEGE3) acumulou perdas de 10,96% na semana, pressionada pela divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026, que ficaram abaixo das expectativas do mercado. A companhia reportou lucro líquido de R$ 1,67 bilhão, alta de 0,9% na comparação anual, enquanto a receita líquida somou R$ 10,86 bilhões. Apesar do crescimento das operações internacionais, a margem EBITDA recuou para 21,6%, refletindo o aumento dos custos de matérias-primas, as tarifas de importação nos Estados Unidos e as despesas relacionadas à expansão da capacidade produtiva.
As ações da Vale (VALE3) recuaram 6,51% no acumulado semanal, pressionadas pela queda dos preços do minério de ferro e pelas preocupações com a demanda chinesa. O cenário de oferta elevada da commodity e as perspectivas de menor consumo na China aumentaram a cautela dos investidores, enquanto as expectativas de resultados mais fracos no terceiro trimestre também pesaram sobre os papéis. Apesar do cenário desfavorável no curto prazo, a expansão da produção de cobre permaneceu como um dos principais fatores de crescimento de longo prazo da companhia.
A Bradespar (BRAP4) terminou a semana com desvalorização de 5,47%, em meio ao desempenho negativo das ações da Vale, sua principal participação acionária, e às preocupações com o mercado de minério de ferro. Os investidores também acompanharam os desdobramentos da disputa judicial bilionária entre a holding e a Litel. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) reavalie questões apresentadas pela Bradespar. No entanto, a medida não altera o mérito do processo, mantendo as incertezas sobre uma possível indenização que, com juros e correção, pode chegar a R$ 3 bilhões.
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