Como cada região votou para presidente desde 2002
O PT foi ao segundo turno das sete eleições presidenciais realizadas desde 2002, sempre contra um adversário de outro campo político: o PSDB, até 2014, e a família Bolsonaro, a partir de 2018. No primeiro turno de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16%. A comparação dos resultados por região, com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra como o eleitorado de cada parte do país se moveu ao longo desses 24 anos.
Norte
O Norte foi, por mais tempo, uma região favorável ao PT. O partido ficou à frente em cinco das sete eleições, com o melhor resultado em 2006, quando Lula teve 56,06% dos votos válidos. O adversário superou o PT duas vezes: em 2018, quando Jair Bolsonaro teve 43,38%, contra 36,80% de Fernando Haddad, e em 2026, quando Flávio Bolsonaro somou 49,15%, ante 44,65% de Lula. A votação do adversário no Norte mais que dobrou no período, de 22,65% em 2002 para 49,15% em 2026, o maior percentual da série na região.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, o PT só ficou à frente em 2002, com 43,08%, e em 2010, quando Dilma Rousseff teve 39,89%, contra 37,97% de José Serra. Nas outras cinco eleições, o adversário venceu na região. O pior resultado do PT foi em 2018, com 20,78%, mesmo ano do melhor desempenho do adversário, com 57,66%. Em 2026, Flávio Bolsonaro teve 56,51%, e Lula, 32,62%.
Sul
O Sul teve a virada mais acentuada da série. Em 2002, Lula liderou na região com 49,45%, contra 28,47% de Serra. Desde 2006, o adversário do PT ficou à frente em todas as eleições. Em 2026, Flávio Bolsonaro alcançou 60,08% dos votos válidos, o maior percentual de um candidato em uma região desde 2002, fora do Nordeste. O PT, que teve seu pior resultado na região em 2018, com 19,81%, ficou com 31,28%.
Sudeste
No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, o PT ficou à frente em 2002, com 46,47%, e em 2010, com 40,88%. Nas demais eleições, o adversário liderou, inclusive em 2006, quando Geraldo Alckmin teve 45,22%, contra 43,28% de Lula, puxado pelo desempenho em São Paulo. Em 2018, Haddad teve 19,19%, o menor percentual do PT em uma região em toda a série. Em 2026, Flávio Bolsonaro somou 51,36%, e Lula, 39,68%.
Nordeste
O Nordeste é a única região em que o PT ficou à frente nas sete eleições. Os melhores resultados foram em 2006, com 66,78%, e em 2022, com 66,76%. Em 2026, Lula teve 63,77%. Ao mesmo tempo, a votação do adversário na região atingiu seu maior nível da série, com 30,85% para Flávio Bolsonaro, o dobro dos 15,39% de Aécio Neves em 2014.
Menos espaço para os demais candidatos
Em todas as regiões, a parcela dos votos destinada aos demais candidatos encolheu. No Sudeste, ela passou de 30,84% em 2002 para 8,96% em 2026; no Nordeste, de 34,35% para 5,37%. Nas duas últimas eleições, a soma dos demais candidatos não passou de 11% em nenhuma região.
O retrato de 2026
No primeiro turno deste ano, Flávio Bolsonaro ficou à frente em quatro das cinco regiões, e Lula manteve a liderança apenas no Nordeste. A principal mudança em relação a 2022 foi o Norte, onde o petista havia vencido Jair Bolsonaro por 47,09% a 45,45% e agora ficou atrás de Flávio, com 44,65%, contra 49,15%. Lula perdeu participação nas cinco regiões, e Flávio superou a votação do pai em todas elas. Os dois voltam a se enfrentar no segundo turno, em 25 de outubro.
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