Ibovespa futuro sobe quase 8% após vitória de Flávio no primeiro turno
O Ibovespa futuro subia 7,76% por volta das 9h35 desta segunda-feira (5), aos 207.980 pontos. Na abertura, o contrato chegou a disparar 9%, perto dos 211 mil pontos, e entrou em leilão. A interrupção, usada pela B3 quando os preços variam bruscamente demais, já foi encerrada, e as negociações seguem normalmente. No câmbio, o dólar abriu em forte queda e chegou a ser cotado abaixo de R$ 5.
O resultado do primeiro turno pegou o mercado de surpresa. Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Lula (PT), e a direita ampliou sua presença no Senado.
A aposta das mesas é de um rali no primeiro pregão depois da votação, com bolsa em alta e juros futuros e dólar em queda. Na sexta-feira, os investidores esperavam uma disputa mais equilibrada, com Lula na frente no primeiro turno, e atribuíam ao senador cerca de 60% de chance de vencer. Com a inversão, essa probabilidade deve passar de 80% nas contas do mercado.
A leitura predominante é que um governo Flávio abriria espaço para mudanças na política fiscal. Analistas veem as ações de consumo entre as mais beneficiadas. O raciocínio é que um gasto público menor tiraria pressão de juros e inflação e daria fôlego ao consumo.
Flávio teve 56,1 milhões de votos, ou 47% dos válidos. Lula ficou com 53,9 milhões, ou 45%. Os dois voltam a se enfrentar no segundo turno, em 25 de outubro.
Foi o melhor desempenho da direita em um primeiro turno desde 1989, primeira eleição direta após a redemocratização. O campo também foi bem nas disputas estaduais e no Senado. O PL elegeu 19 senadores e passará a ter 28 cadeiras, mais de um terço da Casa, que tem 81 parlamentares.
Lá fora, o dia é negativo. Os índices futuros de Nova York recuam, pressionados pelos juros dos títulos do Tesouro americano antes da reunião do Federal Reserve, marcada para o fim do mês. O rendimento do papel de 10 anos está no maior nível em mais de 20 anos, e cresce o receio de que o custo alto de financiamento pese sobre as ações. O petróleo também cai, com o aumento das exportações do Oriente Médio e a liberação de estoques pelos países do G7.
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