Copom reduz Selic para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo, e mantém ritmo de 0,25 p.p
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,00% para 13,75% ao ano, dando continuidade ao ciclo de flexibilização monetária iniciado em março e mantendo o ritmo de cortes adotado nas últimas reuniões.
No cenário doméstico, a inflação segue como um dos principais focos de atenção da autoridade monetária. O IPCA caiu 0,32% em agosto, e o acumulado em 12 meses recuou para 4,22%, abaixo do teto da meta de inflação, de 4,50%. O resultado representa a maior deflação mensal em quatro anos e reforça o cenário de acomodação gradual das pressões inflacionárias.
As expectativas do mercado também apontam para uma melhora do cenário. No Boletim Focus de 14 de setembro, a projeção para o IPCA de 2026 caiu pela terceira semana consecutiva, de 5,00% para 4,90%. Ao mesmo tempo, a estimativa para o crescimento do PIB foi reduzida de 1,93% para 1,89%, indicando uma percepção de moderação da atividade econômica. Para a Selic, o mercado manteve a projeção de 13,75% ao final de 2026, nível que já estava incorporado às expectativas antes da decisão do Copom.
Nesse ambiente, a combinação entre uma inflação mais comportada e sinais de desaceleração da atividade econômica abriu espaço para a continuidade da flexibilização monetária. Ainda assim, as expectativas de inflação permanecem acima da meta, o que exige cautela na condução da política monetária.
No cenário internacional, o ambiente ainda exige atenção. O impasse entre Estados Unidos e Irã continua no radar, especialmente pelos possíveis impactos sobre os preços do petróleo e de outras commodities. Além disso, os mercados acompanham a condução da política monetária nas principais economias, o ritmo da atividade econômica global e o comportamento dos preços das commodities.
Esses fatores podem afetar o câmbio e a inflação brasileira e, consequentemente, as condições financeiras domésticas. Por isso, permanecem no radar do Banco Central para a definição dos próximos passos da política monetária. O Comitê deve continuar avaliando a evolução da inflação, das expectativas, da atividade econômica e do cenário externo antes de definir os próximos passos do ciclo de flexibilização.
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