Moscow Mule: o drinque que não é russo, foi boicotado durante a Guerra Fria e hoje vende dezenas de milhões de doses por ano
Quem lê o nome Moscow Mule e seu habitual preço, entre R$ 25 e R$ 45, no cardápio de bares e restaurantes talvez não imagine o que está por trás do drinque.
Traduzido para algo como “Mula de Moscou”, o coquetel não nasceu em Moscou, tampouco é de origem russa. Na verdade, ele foi criado nos Estados Unidos e se tornou um dos principais responsáveis pela popularização da vodca no país.
O drinque passou por maus bocados. Durante a Guerra Fria, foi boicotado por bartenders americanos devido ao nome e à associação à extinta União Soviética, com direito a esclarecimento da Smirnoff de que não era uma bebida comunista. Mas ele conseguiu sobreviver.
Já nos anos 2000, recebeu um incremento brasileiro: a famosa espuma de gengibre. Criada pelo mixologista Marcelo Serrano, ela foi adicionada como alternativa à ginger beer, difícil de encontrar no mercado nacional na época.
O Moscow Mule também esteve ligado a uma das mais criativas ações de marketing da história dos drinques.
Após o lançamento da câmera Polaroid, em 1947, um de seus criadores passou a visitar bares para ensinar bartenders a preparar o drinque.
Ao final da demonstração, fotografava o profissional segurando uma caneca de Moscow Mule e uma garrafa de Smirnoff. As imagens eram então usadas para promover a bebida em outros estabelecimentos, ajudando a convencer novos bares a incluí-la em seus cardápios.
Afinal, um dos coquetéis mais famosos do mundo também já foi um desconhecido.
Gengibre com vodca: uma criação polêmica
Com várias versões sobre sua origem, a história do Moscow Mule é cercada de controvérsias.
O que se sabe, e o que relata o jornal norte-americano The Wall Street Journal, é que o drinque surgiu em Hollywood, na Califórnia (EUA), no início da década de 1940.
A criação teria se dado dentro do bar Cock 'n' Bull, pelo dono Jack Morgan em parceria com seu amigo John Martin, presidente da G.F. Heublein & Bros. A empresa detinha a marca Smirnoff, vodca então pouco conhecida nos Estados Unidos e adquirida de um expatriado russo.
Enquanto a Smirnoff acumulava estoques encalhados de vodca, o Cock 'n' Bull enfrentava o mesmo problema com sua cerveja de gengibre. E então, juntando o útil ao agradável e combinando os dois produtos, nasceu o Moscow Mule.
Há também uma segunda versão para a história do drinque, contada pelo WSJ como a mais confiável. Nela, Wes Price, bartender-chefe do Cock 'n' Bull, teria inventado o Moscow Mule para acabar com as garrafas de Smirnoff e ginger beer que não encontravam compradores.
Segundo Price, o coquetel rapidamente caiu no gosto do público assim que começou a ser servido. O primeiro a experimentá-lo foi o ator hollywoodiano Broderick Crawford.
Por que servir em caneca?
O “drinque da canequinha”, como o Moscow Mule costuma ser chamado por aqui, é um dos poucos coquetéis servidos fora de uma taça. E isso não aconteceu por acaso.
Os amigos Martin e Morgan tiveram a ideia de servir a bebida em canecas de cobre gravadas com a imagem de uma mula como forma de promovê-la. O recipiente, inclusive, fez tanto sucesso que passou a ser roubado por clientes.
Mais tarde, as canecas passaram a ser vendidas em todo o país.
Há quem diga que, na verdade, as canecas foram uma contribuição de Ozeline Schmidt, namorada de Morgan e herdeira de uma fábrica de cobre.
Outra versão atribui a ideia a Sophie Berezinski, filha de um fabricante russo de utensílios de cobre, que levou cerca de 2 mil canecas aos Estados Unidos na tentativa de vendê-las, mas não encontrou compradores.
Como preparar o Moscow Mule
Para preparar o Moscow Mule é necessário:
- 45 a 60 ml de vodca;
- 15 ml de suco de limão-taiti;
- 10 ml de xarope de açúcar;
- 90 ml de ginger beer (ou tônica sabor gengibre)
- Gelo;
- 1 rodela de limão;
- Folhas de hortelã;
- Espuma de gengibre (opcional).
1 – Leve ao fogo a água e o açúcar e mexa até dissolver.
2 – Em uma caneca de cobre, misture a vodca, o suco de limão taiti e o xarope de açúcar;
3 – Preencha dois terços do copo com gelo e ponha 90 ml de cerveja de gengibre (ou tônica sabor gengibre, mais fácil de encontrar). Adicione com cuidado para não perder o gás.
4 – Finalize com uma rodela de limão e folhas de hortelã ou com espuma de gengibre por cima, se preferir.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
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