China deve acirrar competição com o Brasil nas exportações de frango
A China deve ampliar sua participação nas exportações globais de carne de frango e disputar mercados importantes com o Brasil, como Oriente Médio, Ásia e África, na próxima década, avaliou Chenjun Pan, especialista do Rabobank no setor de carnes, em entrevista à agência Reuters. Embora seja atualmente o principal destino da carne de frango brasileira, o país asiático se tornou exportador líquido do produto em 2025, escoando excedentes de cortes menos consumidos internamente, como o peito.
Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a China foi o quinto maior exportador global de frango em 2025, com pouco mais de 1 milhão de toneladas embarcadas, ante o recorde de 5,3 milhões de toneladas do Brasil, líder mundial. A produção chinesa de carne de frango cresceu mais de 9% no primeiro semestre deste ano, após uma alta de cerca de 7% em 2025, impulsionada por uma estratégia do governo chinês para reduzir a dependência da carne suína, cujo consumo é o maior do mundo no país.
A analista explicou que o mercado interno chinês consome sobretudo pés e asas, itens fortemente exportados pelo Brasil ao país, mas demanda menos cortes como o peito, gerando excedentes disponíveis para exportação a destinos como Rússia, Hong Kong, Coreia do Norte e países do Oriente Médio. A China, no entanto, não compete com o Brasil em mercados como União Europeia, Japão e Coreia do Sul, que não aceitam carne de frangos vacinados contra a gripe aviária, prática adotada pelo país asiático para conter o vírus.
Pan avalia ainda que a demanda chinesa por carne bovina tem potencial de crescimento, apesar das tarifas de importação extracota mais altas atualmente aplicadas ao Brasil e a outros fornecedores, que devem permanecer até 2028. Segundo a especialista, o país deve abrir mais oportunidades ao Brasil após esse período, à medida que a demanda chinesa migra de commodities para produtos de maior valor agregado.
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