Por que “Cidade do Pecado” da Tailândia virou destino de 5 mil marinheiros dos EUA
Milhares de marinheiros a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln chegaram à Tailândia na manhã de quarta-feira (2) após uma missão de nove meses marcada por relatos de desgaste e preocupações com as condições a bordo.
O porta-aviões com propulsão nuclear atracou no porto de Laem Chabang, a cerca de 30 quilômetros da cidade turística de Pattaya, onde aproximadamente 5 mil marinheiros e fuzileiros navais passarão cinco dias de descanso após longas operações no Oriente Médio.
“Nossa chegada a Laem Chabang oferece uma oportunidade merecida para que nossos marinheiros e fuzileiros possam descansar e recarregar as energias”, afirmou em comunicado o contra-almirante Robert Loughran, comandante do Grupo de Ataque do Porta-Aviões 3. “Também reforça a parceria e a aliança duradouras entre os Estados Unidos e a Tailândia.”
Para a tripulação, a parada representa um intervalo necessário após mais de 280 dias de missão, período que chamou a atenção em Washington devido a reclamações sobre as condições de vida a bordo. Para Pattaya, por sua vez, a visita promete uma injeção de recursos em um momento de baixa temporada incomumente fraca.
“Eles mesmos nos disseram que estão chegando com os bolsos cheios, já que praticamente não tiveram oportunidade de gastar dinheiro durante esse período”, afirmou o prefeito de Pattaya, Poramase Ngampiches, em entrevista por telefone. Segundo ele, a cidade está acostumada a receber grandes grupos de visitantes, incluindo milhares de passageiros de navios de cruzeiro, mas os marinheiros americanos se destacam pelo potencial de consumo.
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O prefeito estima que os visitantes possam gastar entre US$ 2,5 milhões e US$ 3,75 milhões durante a estadia de cinco dias, considerando que todos desembarquem e gastem entre US$ 100 e US$ 150 por dia. Restaurantes, bares, hotéis, casas de massagem e empresas de transporte estão entre os negócios que se preparam para o aumento da demanda.
A federação de turismo da província de Chonburi, onde fica Pattaya, informou em julho que o número de visitantes havia caído entre 20% e 30%, enquanto a taxa de ocupação de alguns hotéis recuou para apenas 15% a 20%. Até a famosa Walking Street, avenida repleta de bares e casas noturnas iluminadas por néons, registrou movimento fraco no fim de agosto, segundo comerciantes da região.
Alívio após longa missão
Parlamentares americanos chegaram a cobrar explicações do Pentágono após relatos de marinheiros e familiares sobre escassez de água e comida, exaustão e emergências relacionadas à saúde mental durante a missão. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que os relatos foram “completamente distorcidos”.
“Depois de meses de turnos longos, mesmo sem operações aéreas ininterruptas, a tripulação fica esgotada”, afirmou Bryan Clark, diretor do Centro de Conceitos e Tecnologia de Defesa do Hudson Institute. “Uma escala em porto permite que as pessoas saiam do navio. Apenas a mudança de ambiente já representa um enorme alívio.”
O USS Abraham Lincoln deve permanecer em Laem Chabang até 6 de setembro. Já o destróier USS Frank E. Petersen Jr. atracou em Sriracha, também na província de Chonburi. Parte dos militares ficará hospedada em hotéis de Pattaya, enquanto ônibus farão o transporte entre o porto e a cidade.
Como Pattaya virou a “cidade do pecado”
A transformação de Pattaya em um dos principais destinos turísticos da Tailândia começou durante a Guerra do Vietnã. Militares americanos destacados na região passaram a frequentar suas praias para descanso e lazer, impulsionando o desenvolvimento de hotéis, restaurantes, bares e opções de entretenimento.
Com o passar dos anos, a cidade ganhou fama internacional por sua intensa vida noturna e pelo mercado do sexo, tornando-se conhecida mundialmente como a “cidade do pecado” da Tailândia. Embora a prostituição seja ilegal no país, a atividade continua bastante visível em Pattaya e em outros polos turísticos.
Dias antes da chegada do porta-aviões, autoridades locais promoveram reuniões de segurança e orientaram comerciantes a praticar preços justos e atender bem os visitantes. A polícia também multou 25 pessoas, incluindo 18 tailandeses, por infrações como assédio a pedestres e aliciamento para prostituição.
As ações fazem parte dos esforços para melhorar a imagem da cidade, embora operações desse tipo sejam frequentes em Pattaya, onde as autoridades regularmente reprimem atividades associadas ao comércio sexual.
Os militares americanos também terão restrições durante a estadia. Segundo o prefeito, poderão visitar ilhas próximas, mas estarão proibidos de usar jet ski e consumir cannabis. Além disso, não poderão frequentar determinadas áreas após o pôr do sol, incluindo a região conhecida como Soi 6, famosa por seus bares e casas noturnas voltadas ao entretenimento adulto.
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