Ruído no STF traz volatilidade, mas UBS BB vê corrida presidencial aberta e polarização intacta
Um novo ingrediente de instabilidade tomou conta do cenário político brasileiro com os desdobramentos recentes envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes. Apesar do ruído institucional, o UBS BB diz que ainda é cedo para alterar projeções ou fazer apostas definitivas em relação ao impacto eleitoral.
Em relatório assinado pelos economistas Fabio Ramos, Rodrigo Martins e Alexandre de Azara intitulado "Uma corrida eleitoral acirrada encontra uma nova controvérsia institucional", o banco aponta que é prematuro avaliar as consequências legais do episódio ou determinar se eventuais danos à imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se converterão em ganhos diretos para a oposição.
Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicam um encontro com Moraes um dia antes de sua prisão em novembro do ano passado, além de indícios de que ministro do STF teria editado a versão final de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de sua esposa.
Moraes em segundo plano
A conclusão central das conversas do UBS BB com analistas políticos é que a disputa pela Presidência da República permanece equilibrada e indefinida.
Segundo o banco, a aprovação do governo e as percepções econômicas da população devem ser os fatores verdadeiramente determinantes no pleito.
Apesar do aumento da relevância do tema da segurança pública na agenda nacional, as condições econômicas seguem pesando mais no voto, entre elas, o endividamento das famílias, o poder de compra, as expectativas financeiras e a situação econômica pessoal lideram a lista de prioridades do eleitorado.
Para o trio de economistas, esses temas afetam especialmente os eleitores pragmáticos e menos partidários localizados em grandes áreas metropolitanas.
O UBS BB lembra ainda que nenhuma das campanhas líderes conseguiu, até o momento, articular uma mensagem econômica suficientemente convincente para esse segmento.
Ainda assim, o banco reconhece que as dinâmicas de transferência de voto no segundo turno da eleição tendem a favorecer o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro.
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Cury não se rompe polarização
A movimentação nas pesquisas recentes também chamou a atenção do mercado com o desempenho de Augusto Cury, candidato à Presidência pelo Avante.
Na sondagem divulgada pelo instituto Quaest, Cury avançou de 2% para 10% das intenções de voto no primeiro turno em um cenário estimulado.
No entanto, o relatório do UBS BB reforça que esse avanço não significa um rompimento da polarização política.
O relatório do banco expressa ceticismo sobre a capacidade de Cury — ou de qualquer outro nome de terceira via — de quebrar o domínio das duas forças políticas centrais.
Os próprios números da pesquisa Quaest confirmam que o eleitorado permanece dividido entre os dois polos: no primeiro turno (estimulado), Lula lidera com 37%, seguido por Flávio Bolsonaro com 30%. No segundo turno (estimulado), o petista aparece com 42% e o senador com 41%, configurando um empate técnico.
Além disso, tanto Flávio Bolsonaro quanto Lula enfrentam índices expressivos de rejeição, de 55% e 53%, respectivamente.
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Telefone VEJA AQUIFlávio Bolsonaro à frente de Lula pela 1ª vez
Reforçando o afunilamento da disputa, a pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira (3) trouxe um marco inédito no levantamento. Pela primeira vez desde o início da série histórica da sondagem em maio, Flávio Bolsonaro apareceu numericamente à frente de Lula nas simulações de segundo turno, registrando 45% das intenções de voto contra 44% do atual presidente.
É fundamental notar, porém, o contexto em que os dados foram coletados. As 3.000 entrevistas da PoderData foram realizadas entre os dias 30 de agosto e 2 de setembro.
O levantamento refletiu a repercussão das entrevistas dos candidatos no Jornal Nacional e o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, portanto, não captou as revelações recentes sobre a relação de Moraes com Vorcaro.
Como a margem de erro do levantamento é de 1,8 ponto porcentual, Lula e Flávio Bolsonaro continuam empatados tecnicamente. Brancos e nulos somam 8%, enquanto 3% não souberam ou não responderam.
De acordo com os analistas do instituto, a tendência confirma que Lula perdeu a vantagem do início da corrida e que a eleição será disputada voto a voto.
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