XP projeta Selic mais baixa e eleva recomendação para títulos prefixados
A XP elevou a exposição a títulos prefixados nas carteiras recomendadas para setembro e reduziu a alocação em crédito privado pós-fixado, em movimento que a casa descreve como ajuste marginal dentro da renda fixa doméstica, que segue como principal posição dos portfólios. O prazo médio recomendado para os prefixados caiu de quatro para três anos.
A mudança reflete a avaliação de que a desaceleração gradual da economia e a perspectiva de mais cortes de juros tornam a relação entre risco e retorno dos prefixados mais atrativa, ao mesmo tempo em que a corretora passa a ser mais criteriosa na escolha de papéis de crédito.
Na carteira conservadora, os prefixados respondem por 6% do total. Na moderada, por 11%, e na sofisticada, por 9,5%. Os títulos pós-fixados continuam sendo a maior fatia do perfil conservador, com 71,5%, dos quais 20 pontos percentuais correspondem à reserva mínima em caixa. Nos perfis moderado e sofisticado, a classe responde por 34,5% e 14%, respectivamente.
Aposta em juros mais baixos
A XP sustenta que a atividade econômica mais fraca e os índices de inflação recentes podem abrir espaço para uma redução da Selic maior do que a que o mercado já embute nos preços. Nesse cenário, a queda das taxas negociadas para o futuro tende a favorecer a classe: quem compra hoje pode revender o papel no secundário com um prêmio extra.
“Não estamos aumentando a exposição porque deixamos de reconhecer os riscos inflacionários, fiscais e eleitorais, mas porque entendemos que o prêmio presente na curva curta oferece uma relação mais favorável entre risco e retorno”, reforça o time de alocação da casa chefiado pelo CIO Artur Wichmann, em relatório.
A cautela recai sobre os vencimentos mais distantes, mais sensíveis a mudanças na percepção de risco. A proximidade das eleições e a baixa visibilidade sobre as contas públicas justificam, segundo a casa, a preferência por papéis com prazos mais curtos, que capturam mais diretamente o efeito da política monetária.
Nos papéis atrelados ao IPCA, a XP manteve uma posição abaixo do neutro no curto prazo, decisão que atribui à maior probabilidade de inflação mais comportada com atividade em desaceleração. A alocação vai de 12,5% na carteira conservadora a 27,5% na sofisticada, com prazo médio recomendado próximo de seis anos.
A escolha por prazos mais longos nessa classe busca combinar a remuneração atual dos juros reais com o potencial de valorização dos papéis caso as taxas cedam, especialmente em um cenário de melhora nas perspectivas para as contas públicas.
Cautela na Bolsa e ainda mais no crédito privado
Do outro lado do ajuste está o crédito privado, em que a XP diz adotar maior seletividade, dando sequência a uma postura já cautelosa, diante do aumento no número de recuperações judiciais, piora nas avaliações de risco das empresas e condições de financiamento mais restritivas como sinais de um ambiente mais difícil.
Ainda assim, a corretora afasta a leitura de um problema generalizado. Os balanços não indicam, segundo a XP, um quadro de estresse no sistema nem uma deterioração ampla da liquidez das companhias. A ressalva é sobre remuneração: os prêmios oferecidos hoje podem não compensar de forma adequada os riscos assumidos.
Na renda variável doméstica, a XP segue com posição abaixo da referência de longo prazo, com 5% na carteira moderada e 15% na sofisticada. A carteira conservadora não tem exposição à classe, justificada por incertezas fiscais e eleitorais como fatores que limitam a visibilidade. Por outro lado, a casa reconhece reconhece o suporte vindo dos termos de troca favoráveis, impulsionados pela alta das commodities, e de avaliações consideradas atrativas em vários segmentos da bolsa.
As carteiras preveem retorno de IPCA mais 6% no perfil conservador, IPCA mais 7% no moderado e IPCA mais 8% no sofisticado, com metas de oscilação de 1,25%, 4% e 8%, respectivamente. A corretora recomenda ainda que ao menos 15% do patrimônio esteja em uma carteira global em dólar, complementar à alocação brasileira.


















