C6 Bank compra Alymente e entra na briga pelo vale-refeição; executivo revela o plano por trás da jogada para atrair empresas
O C6 Bank abriu uma nova frente na disputa pelo bolso das empresas. De olho em um terreno ainda dominado por poucos gigantes — o mercado de vale-refeição —, o banco anunciou nesta quinta (3) a compra de 100% da Alymente, startup de benefícios corporativos criada em 2017.
Com a aquisição, o C6 desembarca em um mercado que movimenta mais de R$ 150 bilhões por ano no Brasil e atende mais de 22 milhões de trabalhadores.
A Alymente atende hoje mais de 100 mil beneficiários e tem entre seus clientes empresas como Heineken, Nissan, BIC e Pernod Ricard.
Após a conclusão da operação, a companhia passará a se chamar C6 Benefícios, e seu cartão multibenefícios será emitido pela Mastercard.
Mas, para o C6, o negócio não se resume a disputar uma fatia de um mercado dominado por poucos grandes operadores. A aposta é transformar os benefícios em mais um ponto de contato com as empresas — e, a partir dele, ampliar a relação bancária.
“A ambição aqui é grande. Queremos lutar para estar entre os maiores do setor ao longo do tempo”, afirma Ricardo Botelho, head de pessoa jurídica do C6 Bank, em entrevista ao Seu Dinheiro.
A proposta é permitir que a plataforma atenda desde uma pequena empresa que busca apenas oferecer vale-refeição aos funcionários até grandes corporações com estruturas mais complexas.
C6 Bank aproveita janela para disputar um mercado de gigantes
O movimento acontece em um momento de abertura de um mercado historicamente concentrado.
As quatro maiores operadoras ainda respondem por cerca de 80% do volume de benefícios, segundo o C6. Na avaliação do banco, porém, mudanças regulatórias e um ambiente mais aberto podem favorecer a entrada de novos concorrentes.
“Claramente haverá uma desconcentração do quase oligopólio que existia até então”, diz Botelho.
É nessa brecha que o C6 quer entrar. A aposta, segundo Botelho, é chegar ao setor combinando duas frentes que ainda não estão plenamente integradas no mercado: benefícios corporativos e serviços bancários.
“A dinâmica competitiva desse mercado vai mudar completamente, abrindo espaço para novos participantes e fazendo com que o diferencial esteja cada vez mais em produto, tecnologia, atendimento e preço”, afirma Botelho.
A aquisição da Alymente também ajuda a acelerar esse movimento. Em vez de construir uma operação do zero, o banco incorpora uma companhia que já tem tecnologia, equipe, carteira de clientes e experiência no setor.
C6 Benefícios quer ser uma plataforma além do vale-refeição
A Alymente também não chega ao banco apenas com o tradicional vale-refeição e vale-alimentação.
A plataforma oferece um cartão com nove categorias de benefícios, incluindo alimentação, mobilidade e bem-estar, além de serviços como telemedicina, apoio psicológico e acesso a academias.
É essa variedade que Botelho resume como uma espécie de “Lego” de benefícios: diferentes peças que podem ser combinadas conforme o perfil e as necessidades de cada empresa.
“Há um leque de benefícios muito grande que pode ser facilmente adaptável e personalizável para cada demanda da empresa”, afirma Botelho.
Isso porque uma empresa que entra pela porta dos benefícios pode, posteriormente, contratar conta, cartões, crédito, investimentos e outras soluções financeiras. No caminho inverso, os clientes PJ que já estão no C6 se tornam potenciais compradores dos produtos da nova C6 Benefícios.
“Não há nenhum player hoje que consiga ter uma combinação 100% integrada de benefícios com a parte de banco”, afirma André Purri, fundador da Alymente.
Em outras palavras, a aposta do C6 não está apenas na receita gerada pela operação de benefícios. O banco também mira o aumento do valor de cada relacionamento empresarial, à medida que consegue vender mais produtos para a mesma companhia.
C6 quer ser um “banco completo” para empresas
A compra da Alymente faz parte de uma estratégia mais ampla do C6 de aumentar o número de serviços oferecidos às empresas.
O banco já trabalha com conta, pagamentos e recebimentos, maquininhas, cartões, crédito, investimentos e soluções internacionais para clientes PJ. Nos próximos meses, também prepara o lançamento de uma solução de folha de pagamentos.
“Nossa ambição sempre foi ser um banco completo para as empresas”, afirma Botelho. “É mais um passo na nossa estratégia de ser um one-stop shop para o cliente PJ, reunindo em um único lugar soluções para diferentes necessidades das empresas.”
Onde estão as oportunidades de expansão?
Segundo Botelho, a estratégia não depende apenas da carteira atual do C6. A Alymente continuará podendo prospectar empresas que não tenham relacionamento bancário com o C6.
Isso cria uma via de mão dupla: o banco pode levar benefícios para sua base de clientes, enquanto a operação pode apresentar o C6 a companhias que hoje estão fora do seu ecossistema.
“Achamos que a combinação dos dois negócios consegue alavancar o resultado para os dois lados”, afirma Botelho.
O banco, no entanto, não divulgou projeções de receita, margem ou retorno sobre capital para a C6 Benefícios.
O desafio de ser 'o novato' no mercado
Apesar da ambição, os executivos reconhecem os desafios de execução dos planos. Afinal, os grandes operadores de benefícios ainda concentram a maior parte do mercado, têm escala e mantêm relacionamentos históricos com as empresas.
Agora, a missão do C6 será convencer companhias acostumadas a esses fornecedores a trocar de parceiro — ou abrir espaço para um segundo.
É nesse ponto que entram as armas que o banco pretende usar na disputa: tecnologia, flexibilidade, preço e, principalmente, a possibilidade de combinar benefícios com serviços financeiros.
A aposta é que, se o C6 conseguir transformar essa combinação em uma vantagem real para as empresas, o vale-refeição pode deixar de ser apenas um produto adicional no portfólio e funcionar como uma porta de entrada para uma relação muito maior.
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