Da alta renda ao ‘povão’, Tesouro Direto e LCIs enchem as carteiras dos investidores em 2026, segundo a Anbima
Se você começou a investir ou aumentou sua posição no Tesouro Direto ou em alguma LCI nos últimos meses, saiba que não está sozinho. Esses foram os investimentos de renda fixa que mais ganharam espaço nas carteiras das pessoas físicas no primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta (3) pela Anbima.
Os títulos públicos lideraram o crescimento entre os produtos de renda fixa, com expansão de 32,9% nas carteiras das pessoas físicas nos últimos seis meses.
As Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) vieram logo atrás, acumulando alta de 13,7% no período.
O movimento ajuda a entender como os investidores brasileiros estão reagindo ao ambiente de juros elevados.
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De um lado, os títulos do Tesouro Direto oferecem retornos que não eram vistos há anos e têm a proteção da União como emissor. De outro, as LCIs continuam atraindo pela combinação de rentabilidade e isenção de imposto de renda (IR).
Ao todo, os investimentos das pessoas físicas somaram R$ 9,1 trilhões em junho, registrando um avanço de 6,4% em relação adezembro de 2025.
Tesouro Direto ganha força
Entre todos os produtos acompanhados pela Anbima, os títulos públicos registraram um dos maiores saltos do semestre.
Segundo a entidade, o avanço ocorreu em todos os perfis de investidores, do varejo tradicional ao private banking.
No varejo tradicional, as aplicações em títulos públicos aumentaram 27,4%. Entre investidores de alta renda, a alta foi de 26%. Já no segmento private, destinado a clientes com mais de R$ 5 milhões investidos, o crescimento chegou a 56,9%.
"O ambiente de juros elevados tornou os títulos públicos mais atrativos em todos os segmentos. No private, o movimento veio acompanhado de uma entrada expressiva de novos investidores no produto: o número de contas em títulos públicos cresceu quase 60% no semestre", diz Luciane Effting, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima.
A executiva também destaca que o resultado expressivo dos títulos públicos reflete a maior facilidade de acesso ao Tesouro Direto e a popularização de títulos voltados para objetivos específicos, como o Tesouro Educa+ e o Tesouro Renda+.
Nada tira o brilho das LCIs
Outro destaque do semestre foram as LCIs.
O estoque investido nesses produtos bancários subiu 13,7%, alcançando R$ 515,8 bilhões. Entre os investidores do varejo tradicional, o crescimento foi ainda maior, de 21,2%.
As LCIs fazem parte do grupo de investimentos de renda fixa beneficiados pela isenção de IR para pessoas físicas, uma característica particularmente atrativa para os investidores. Já o private aumentou a alocação no título em 10,9% e a alta renda, em 8,4%.
Todos os produtos isentos de IR — LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e debêntures incentivadas — alcançaram R$ 1,5 trilhão, aumento de 2% em relação a dezembro de 2025.
O resultado chama atenção porque ocorre em um momento em que o mercado volta a falar sobre a necessidade de rever o benefício tributário dos investimentos isentos. O debate gira em torno justamente da competição em relação aos títulos públicos, principal veículo de rolagem da dívida interna do país.
E os fundos e ações?
Os fundos de investimento também ganharam espaço. O volume aplicado nesses produtos cresceu 9,6% no semestre, para R$ 2,2 trilhões.
A maior expansão ocorreu no varejo tradicional, com alta de 15,8%. Na alta renda, o crescimento foi de 10,1%, enquanto o private ampliou a exposição em 6,6%.
Entre os fundos estruturados, os fundos imobiliários (FIIs) saíram na frente, avançando 24,2% no varejo.
Já as aplicações das pessoas físicas em ações somaram R$ 816,9 bilhões ao final de junho, alta de 1,2% no semestre. A alta volatilidade da bolsa brasileira afastou os investidores, segundo a Anbima.
O movimento foi diferente entre os segmentos. O volume investido em ações cresceu 7,1% no varejo, mas recuou 1,5% entre os clientes do private banking.
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