Ações de mineradoras de ouro sobem 43% em agosto, registrando o melhor mês da história
As ações de mineradoras de ouro caminham para registrar seu mês mais forte da história em agosto, superando o melhor mês das ações de empresas de semicondutores registrado em abril.
O índice global de mineradoras de ouro da MSCI Inc. subiu 43% neste mês. O Bitcoin (BTC) apresentou alta de aproximadamente 26% no mesmo período, atrelando ambos os ativos a uma única estratégia macroeconômica.
Plano de recompra do Tesouro reacende o movimento de proteção contra desvalorização
A valorização se intensificou após o Tesouro dos EUA anunciar que dobraria o limite de recompra para títulos de longo prazo para pelo menos US$ 4 bilhões e reduziria os custos de empréstimo.
Essa medida reacendeu o movimento de proteção contra desvalorização. O termo se refere à migração de moedas fiduciárias, especialmente o dólar, para ativos escassos como ouro, prata e Bitcoin.
A estratégia parte da ideia de que déficits fiscais recorrentes, crescimento da dívida e política monetária flexível podem corroer o poder de compra de uma moeda ao longo do tempo.
As mineradoras de ouro se destacaram como um dos principais alvos dessa mudança de posicionamento dos investidores neste mês. As empresas de semicondutores registraram um desempenho expressivo em 2026, mas nada comparável a este movimento.
O índice mundial da MSCI para semicondutores atingiu o pico em abril com alta mensal de 27%, enquanto o índice Philadelphia de semicondutores subiu 38% naquele mês.
No entanto, as ações de tecnologia passaram a enfrentar pressão devido ao aumento dos rendimentos globais dos títulos e à preocupação crescente com os gastos elevados em Inteligência artificial.
Apesar disso, as projeções otimistas de vendas da Nvidia divulgadas esta semana ajudaram a amenizar parte das dúvidas sobre a sustentabilidade do crescimento impulsionado pela IA.
Ouro e Bitcoin estendem a alta
O mercado mais amplo de ouro também se beneficiou da mesma busca por ativos escassos e da preocupação com a desvalorização das moedas.
O ouro à vista foi negociado próximo a US$ 4.583 por onça hoje, acumulando alta de aproximadamente 13% neste mês e cerca de 33% nos últimos doze meses.
As reservas em fundos negociados em bolsa (ETFs) respaldados em ouro cresceram no ritmo mais acelerado desde setembro. O BeInCrypto reportou anteriormente que os ETFs registraram entrada de US$ 3 bilhões em julho, revertendo dois meses consecutivos de saídas.
O ouro não é o único metal a registrar reação. O cobre atingiu fechamento recorde neste mês à medida que o mesmo anúncio do Tesouro repercutiu nos mercados de commodities.
DEBASER: Gold and Bitcoin ETFs have combined for +$7b in flows in past week, by far a record for a 5-day period as debasement trade steals spotlight from AI. GLD, IBIT leading, in Top 10 for week. Also notable $IBIT YTD flows are now positive, completely dug out of sizable hole. pic.twitter.com/q3LmPxnzfi
— Eric Balchunas (@EricBalchunas) August 26, 2026
O Bitcoin acompanhou essa tendência mais ampla e valorizou mais de 26% em agosto, atingindo os maiores patamares em vários meses. A força simultânea nos mercados de ouro, ações de mineradoras, cobre e Bitcoin indica uma maior procura por ativos escassos.
As atenções agora se voltam para Jackson Hole. O presidente do Federal Reserve Kevin Warsh fala na sexta-feira e economistas esperam sua análise sobre a inflação.
Um tom mais rígido elevaria os rendimentos reais e testaria a atratividade de ativos que não pagam juros. Uma postura mais branda manteria o movimento de proteção contra desvalorização em alta em setembro.
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