Grupo SBF estende contrato com a Nike, reduzindo seu maior risco

O Grupo SBF estendeu seu contrato com a Nike e alterou a dinâmica das renovações futuras – um movimento aplaudido pelo mercado por reduzir os riscos de longo prazo de um negócio que já responde por mais de 60% da receita da dona da Centauro.
A ação do Grupo SBF sobe 3,7% no final da manhã com a notícia. Nos últimos doze meses, o papel cai 22%, com a empresa de Sebastião Bomfim valendo R$ 2 bilhões na Bolsa.
O contrato da SBF com a Nike – que venceria em 2032 e garante exclusividade à empresa na venda dos produtos da marca no Brasil, além da operação do ecommerce e das lojas físicas – foi estendido por mais dois anos, valendo agora até 2034.
Mais importante do que a extensão foi a introdução de um mecanismo de renovação contínua.
O novo acordo prevê que SBF e a Nike se reúnam anualmente para discutir a extensão do contrato por mais um ano, permitindo, na prática, que as empresas mantenham aproximadamente sete anos de visibilidade contratual a qualquer momento, em comparação aos cerca de cinco anos da estrutura anterior.
“Embora as extensões anuais não sejam automáticas e ainda dependam de um acordo entre as partes, a nova estrutura aumenta significativamente a visibilidade em relação à parceria e reforça a disposição da Nike de manter a Fisia [a subsidiária do Grupo SBF que opera o negócio] como sua parceira estratégica no Brasil,” escreveu o analista Luiz Guanais, do BTG Pactual.
Para ele, “isso é particularmente relevante considerando o escopo do mandato da Fisia: além da distribuição exclusiva no atacado de calçados, roupas, acessórios e equipamentos da Nike no Brasil, a Fisia opera o site da Nike e é a principal operadora das lojas monomarca da Nike no País.”
O novo acordo é ainda mais relevante considerando o tamanho que a Fisia ganhou nos últimos anos.
A operação da Nike Brasil gerou uma receita de R$ 1,33 bilhão no segundo trimestre deste ano, respondendo por cerca de 60% de toda a receita do Grupo SBF. O negócio também cresceu num ritmo superior ao restante da empresa no trimestre, com as vendas no atacado subindo 36,1%, as vendas digitais, 29,7% e as vendas nas lojas físicas, 13,1%.
“A Fisia evoluiu de uma iniciativa de diversificação em 2020 para um dos principais motores de lucro da SBF, tornando a visibilidade contratual com a Nike cada vez mais relevante para o valuation do grupo e perfil de risco,” escreveu Guanais.
“A extensão, portanto, pode ajudar a reduzir o potencial desconto que investidores poderiam de outra forma começar a aplicar conforme a data anterior de expiração em 2032 começasse a chegar.”
No mercado, um ponto que chamou a atenção no fato relevante foi a mudança na redação em relação à operação das lojas físicas da Nike.
Enquanto em documentos anteriores o Grupo SBF se referia a esse contrato como “varejista exclusiva de lojas Nike”, no fato relevante de hoje ele usou o termo “principal varejista de lojas físicas da Nike.”
Uma fonte próxima à empresa disse ao Brazil Journal que a mudança ocorreu porque o contrato de exclusividade para as lojas físicas venceu no final do ano passado. Segundo a fonte, a renovação desse contrato específico está em negociação avançada e deve ser divulgada em breve. A expectativa é renovar a exclusividade das lojas por mais 10 anos.
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