Brasil está com aluguel em dia: inadimplência chega ao menor nível em três anos, mostra Superlógica — concentração de atrasos preocupa

Embora a situação econômica do Brasil esteja ficando cada vez mais apertada por conta do alto nível dos juros, o país segue com o aluguel em dia. Segundo o Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica divulgado nesta terça-feira (25), a inadimplência na locação atingiu em julho o menor nível dos últimos três anos, 3,05%.
A taxa é a mais baixa desde junho de 2023, quando registrou 3,03%. De acordo com a pesquisa apresentada no evento Next 2026, o índice de atrasos nos aluguéis teve uma queda de 0,15 ponto percentual em relação a junho.
Já na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando chegou a 3,76%, a queda foi de 0,71 ponto percentual.
As maiores quedas na inadimplência foram registradas em imóveis com faixas de valores mais altos. Enquanto isso, os atrasos nos pagamentos estão concentrados nas propriedades com aluguéis mais baratos.
Um alerta na inadimplência dos aluguéis
O levantamento mostra que os imóveis comerciais com aluguéis de até R$ 1 mil apresentaram queda de 0,13 pontos percentuais. Porém, segundo a Superlógica, esse segmento ainda preocupa já que concentra a maior taxa de inadimplência, de 7,27%, ficando bem acima da média nacional.
Já nas propriedades comerciais cujo aluguel está na faixa entre R$ 5 mil e R$ 8 mil, a inadimplência passou de 3,90% em junho para 3,77% em julho.
Entre os empreendimentos residenciais, os imóveis com aluguéis de até R$ 1 mil também apresentam o maior índice, com 5,99%.
Enquanto isso, os imóveis para moradia com aluguéis acima de R$ 13 mil registraram a queda mais expressiva. O índice caiu 0,58 ponto percentual, chegando a 4,84%.
“Em um cenário de juros ainda elevados e de pressão sobre o custo de vida, famílias com menor margem no orçamento tendem a sentir mais o impacto do aumento de despesas essenciais, o que pode reduzir a capacidade de manter o aluguel em dia. É importante acompanhar a evolução desse recorte nos próximos meses”, disse Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do grupo.
Apesar disso, as menores taxas do mês (1,74%) foram registradas nos imóveis residenciais com aluguéis entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, e nos comerciais entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, com 3,42%.
O levantamento é realizado mensalmente e leva em consideração o valor do boleto, o tipo de imóvel (apartamento, casa ou comercial) e a localização, além das datas de vencimento e pagamento, que mostram se há inadimplência ou não.
Nesta edição, a pesquisa contou com dados de mais de 800 mil locatários em todo o Brasil, sendo considerados inadimplentes aqueles que possuem boletos que estão há mais de 60 dias sem pagamento ou que foram pagos com atraso de mais de 60 dias.
Outros recortes da inadimplência
A pesquisa também mostrou o nível da inadimplência por tipo de imóvel, divididos em apartamento, casa e comercial. Todos os três segmentos registraram queda em julho.
Os imóveis comerciais apresentaram a maior taxa, de 4,17%, ante 4,19% em junho. Já nas casas, o índice caiu de 3,45% para 3,29%, enquanto, nos apartamentos, passou de 2,16% para 2,14%.
A Superlógica ainda mostrou os níveis do atraso nos aluguéis nas regiões do Brasil. O Nordeste registrou a maior taxa regional em julho, apesar do recuo de 5,15% para 4,88%.
O Norte aparece em segundo lugar, com 4,04%, contra 4,30% no mês anterior. O Centro-Oeste passou de 3,00% para 2,80%, enquanto o Sudeste recuou de 2,96% para 2,78%.
Já o Sul é a região com o menor índice do país, de 2,67%. Em junho, também teve a menor taxa de inadimplência, de 2,71%.
Atraso no aluguel semestre por semestre
No acumulado do primeiro semestre deste ano, a taxa média nacional ficou em 3,24%, após atingir 3,71% na segunda metade de 2025. O resultado ficou ligeiramente abaixo dos 3,30% registrados nos primeiros seis meses do ano passado.
A maioria das regiões acompanhou esse movimento, com alta no fim de 2025 e recuo no início deste ano. A exceção foi o Norte, onde a inadimplência caiu nos três períodos analisados: de 4,83% no primeiro semestre de 2025 para 4,59% no segundo e 4,33% nos primeiros seis meses de 2026.
No acumulado do semestre de 2026, o Nordeste apresentou a maior taxa média entre as regiões, de 4,83%, seguido pelo Norte (4,33%), Centro-Oeste (3,16%), Sudeste (3,10%) e Sul (2,69%).
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