China avalia sediar a COP em 2028
O governo da China está discutindo internamente a possibilidade de se candidatar para sediar a COP33, em 2028. As conversas estão em estágio inicial e envolvem o Ministério das Relações Exteriores e autoridades ambientais, segundo a Bloomberg.
A possibilidade ganhou força depois que a Índia retirou, em abril, sua oferta para sediar a conferência, que reuniu mais de 40 mil pessoas na última edição, realizada em Belém, no Brasil. A eventual candidatura precisa do aval dos níveis mais altos do governo chinês.
A China vem sinalizando que quer aumentar a sua influência na governança global da transição climática. Em um documento publicado recentemente pelo governo chinês, o país mudou sua retórica e afirmou que busca nos próximos anos “liderar de forma construtiva o processo de governança multilateral em resposta à mudança climática”.
Ao mesmo tempo, sediar a conferência do clima colocaria mais holofotes e escrutínio sobre as políticas climáticas chinesas. A China é atualmente o país que mais emite gases de efeito estufa, responsável por cerca de 30% do total de emissões globais. O país é alvo de críticas por não promover a redução mais acelerada de emissões e pela falta de transparência em algumas medições.
Além disso, também tem um histórico de ser resistente a algumas iniciativas nas negociações da ONU, como metas mais rígidas para a transição para longe dos combustíveis fósseis e a ampliação do grupo de países obrigados a contribuir para o financiamento climático de nações mais pobres.
“Embora a transição energética doméstica da China e a força industrial em tecnologias limpas tenham progredido a um ritmo impressionante, sua postura política permanece cautelosa e conservadora”, disse Yao Zhe, consultor de políticas globais do Greenpeace Leste Asiático, à Bloomberg.
As negociações na COP33 terão na agenda concluir o segundo balanço global do Acordo de Paris, uma avaliação do progresso em direção aos objetivos do compromisso.
“Isso acontecerá em um momento em que as pressões geopolíticas e econômicas dificultam uma cooperação climática mais estreita. É necessário um país anfitrião com peso diplomático substancial e a disposição de mobilizá-lo”, disse Yao. “Nesse sentido, a China é uma escolha óbvia.”
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou à agência de notícias não ter conhecimento da proposta, mas disse que o país continuará apoiando as conferências do clima. A UNFCCC, braço de clima da ONU responsável pelas COPs, não comentou.
A COP33 será realizada na região Ásia-Pacífico, de acordo com o sistema de rotação regional adotado pela UNFCCC. O grupo reúne mais de 50 países, entre eles Japão, Coreia do Sul e Indonésia.
O país interessado em ser anfitrião deve convencer os outros membros do grupo a apoiarem a sua candidatura. Após esse aval regional, a UNFCCC valida a proposta e inspeciona se o local tem condições de realizar a COP.























































