Análise: Irã desafia pressão dos EUA e prolonga impasse — mas quem cede primeiro?
ISTAMBUL — Eles não estão negociando seriamente, nem trocando tiros entre si. Em vez disso, Irã e Estados Unidos entraram em um estado incômodo de indefinição, que corre o risco de resultar tanto na retomada dos combates quanto no aprofundamento de um impasse.
No centro dessa situação sem resolução estão os cálculos, ou talvez erros de cálculo, de ambos os lados.
Autoridades iranianas acreditam que têm mais a ganhar resistindo à pressão econômica dos EUA e mantendo o controle sobre o Estreito de Ormuz do que fazendo grandes concessões em um acordo negociado, afirmam analistas. Já os Estados Unidos parecem apostar que apertar ainda mais o cerco econômico ao Irã terá sucesso onde os ataques militares falharam. Na quarta-feira, o presidente Donald Trump prometeu impor “enormes consequências econômicas” aos países que fizerem negócios com o Irã.
Até agora, porém, nem Washington nem Teerã conseguiram o que desejavam.
Quando os dois países concordaram com um cessar-fogo há dois meses, a expectativa era que isso os colocasse no caminho para um acordo mais amplo em até 60 dias, abrangendo o programa nuclear iraniano e a suspensão das sanções americanas. Esse prazo expirou nesta semana e, na terça-feira, Trump afirmou nas redes sociais que não havia “negociações ou conversas” em andamento nem agendadas.
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Trump adverte sobre consequências econômicas para qualquer país que apoie o Irã
Em vez disso, os dois países estão “em um estado de limbo constante”, disse Nicole Grajewski, professora assistente do Centro de Estudos Internacionais da Sciences Po, em Paris. “Fundamentalmente, pouca coisa mudou nos últimos meses”, acrescentou. “Além de um maior endurecimento da posição iraniana e das repetidas, até agora malsucedidas, tentativas dos Estados Unidos de encontrar alguma saída.”
Neste mês, o Irã apresentou uma lista de exigências aos Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz, localizado ao longo de sua costa sul e um dos principais corredores de passagem para grande parte do petróleo mundial.
As exigências incluíam a remoção das sanções, a liberação de ativos congelados e o pagamento de reparações de guerra. Condições semelhantes já haviam sido mencionadas como parte de um possível acordo futuro entre os dois lados, delineado em um memorando de entendimento firmado em junho, mas que rapidamente desmoronou.
Há semanas, o Irã negocia com Omã a gestão futura do estreito, mas a lista de demandas sugeriu que, mesmo em caso de acordo, as forças iranianas continuariam ameaçando e atacando embarcações que transitam pela região. Pelo menos dois navios foram atacados no estreito nos últimos dias.
“Tendo se recuperado do choque inicial da guerra, Teerã está agora determinada a demonstrar força”, afirmou Mehrzad Boroujerdi, diretor da Faculdade de Artes, Ciências e Educação da Universidade de Ciência e Tecnologia do Missouri. “A instrumentalização do Estreito de Ormuz e a postura inflexível nas negociações paralelas com os Estados Unidos e Omã devem ser compreendidas nesse contexto”, acrescentou.
Nos últimos meses, o discurso de Trump oscilou entre ameaças de aniquilação e promessas de que um acordo diplomático estava próximo.
Se a intenção dessa abordagem era intimidar as autoridades iranianas a fazer concessões, ela parece ter produzido o efeito contrário. Os líderes iranianos aparentam estar convencidos de que Trump não está disposto a reiniciar plenamente uma guerra que poderia elevar os preços do petróleo e que tem sido impopular entre o público americano, especialmente às vésperas das eleições de meio de mandato.
“O Irã parece acreditar que os Estados Unidos acabarão se cansando de um confronto caro e sem prazo definido para terminar”, disse Alex Vatanka, pesquisador sênior do Middle East Institute, organização sediada em Washington.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos têm enfatizado a pressão econômica sobre o Irã.
O genro e enviado de Trump, Jared Kushner, declarou à Fox News na segunda-feira que as autoridades iranianas “não demonstram interesse em fazer algo que faça sentido para nós”. Questionado sobre o estágio das negociações, ele apontou para um bloqueio naval destinado a enfraquecer ainda mais a economia iraniana como a principal prioridade atual de Trump.
Na terça-feira, Trump afirmou nas redes sociais que o bloqueio continuava totalmente em vigor. Também sustentou que o estreito estava completamente aberto, embora autoridades marítimas tenham relatado os recentes ataques contra navios.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse recentemente em entrevista à Newsmax que seu departamento planeja aplicar medidas “nunca vistas na história do isolamento econômico” de um país.
Os governantes iranianos já sobreviveram anteriormente à pressão econômica internacional, embora tenham concordado com concessões em seu programa nuclear em 2015, após o endurecimento das sanções durante o governo Obama.
Dada a posição adotada pelo Irã até agora, o custo imediato das sanções provavelmente será suportado pela população iraniana, que já enfrenta inflação altíssima e dificuldades para adquirir bens básicos.
Diante das sanções americanas, o Irã “tentará transferir a dor econômica resultante para sua população pelo maior tempo possível, apostando que Washington cederá primeiro”, afirmou Boroujerdi.
O líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, nomeou aliados da linha dura para posições-chave nas Forças Armadas, sinalizando a intenção de manter o país em estado de prontidão para a guerra. Uma nova escalada do conflito provavelmente envolveria infraestrutura energética regional, bases americanas no Oriente Médio e o transporte marítimo comercial, disse Vatanka.
Por enquanto, parece igualmente provável que o impasse continue, sem resolução das questões centrais, incluindo o programa nuclear iraniano e o Estreito de Ormuz.
“Quanto mais tempo esse limbo persistir, mais consolidado ele se torna e mais difícil será construir uma saída que qualquer um dos lados possa apresentar como algo diferente de uma concessão”, afirmou Grajewski.
c.2026 The New York Times Company






















































