Trump promete ‘Dia D econômico’ contra Irã; ameaça a parceiros coloca China no foco
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou planos para submeter o Irã a um "Dia D econômico", ressaltando sua crescente frustração com a recusa de Teerã em capitular, apesar dos ataques militares e do bloqueio americano que visa suas exportações de petróleo.Trump não especificou quais medidas tomaria, mas sua ameaça de atingir os parceiros comerciais do Irã — nenhum dos quais citou nominalmente — colocou imediatamente em foco a China, que compra a maior parte do petróleo iraniano.“Isso será uma guerra econômica e um isolamento em escala sem precedentes”, disse Trump em uma postagem nas redes sociais. “QUALQUER país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais forneçam qualquer tipo de apoio vital ao Irã enfrentará, por sua vez, CONSEQUÊNCIAS econômicas TRASENDANTES.” Sua ameaça fez o preço do petróleo subir pelo quinto dia consecutivo. O petróleo Brent, referência global, foi negociado a mais de US$ 92 o barril na quinta-feira. ⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.Trump exigiu que todos os países deixassem de fornecer ao Irã acesso a casas de câmbio, transferências de dinheiro, linhas de swap, registros de navios, empresas de fachada e meios para contrabandear seu petróleo. Ele também procurou mobilizar outras nações que, até o momento, se recusaram a apoiar sua guerra contra a República Islâmica, afirmando que os EUA precisam de todos os seus aliados para ajudar a “isolar e derrotar a ameaça iraniana”. Seus comentários vieram na sequência do alerta do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de que os EUA estavam preparados para adotar novas medidas econômicas. Isso sinalizou como os EUA, assolados pela escassez de munições e pelo aumento dos custos, desejam mudar o foco de uma campanha militar que eliminou a maioria dos principais líderes do Irã e devastou sua economia, mas que, até o momento, não conseguiu forçar sua rendição.O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as ameaças de Trump constituem uma manobra de distração das próprias crises dos Estados Unidos, marcadas por uma dívida sem precedentes e custos crescentes com juros.Leia também: Trump diz que não renovará cessar-fogo com Irã enquanto impasse em Ormuz persiste“Insistir em políticas fracassadas só trará mais derrotas — e a inimizade dos iranianos”, disse ele no dia X. “O terrorismo econômico dos EUA ameaça a economia global e a soberania em todo o mundo.”Não está claro que nova punição econômica os EUA poderiam impor — se é que haveria alguma — que Teerã ainda não tenha sofrido. Atacar as vendas de petróleo iraniano também representaria o risco de um novo confronto com a China, compradora de quase todas as exportações de petróleo bruto iraniano. Isso complicaria a tentativa de Trump de prorrogar uma trégua tarifária com o presidente Xi Jinping, que deve visitar os EUA no próximo mês.“Essa é a grande linha vermelha que Trump está traçando nesta postagem”, escreveu Brett Erickson, diretor-gerente da Obsidian Risk Advisors, no X. “Ela é dirigida a um país, e apenas a um: a China”, afirmou ele. “A China é, de longe, a tábua de salvação econômica do Irã.”Trump recebeu um impulso na terça-feira, quando os Emirados Árabes Unidos romperam laços econômicos com o Irã após acusá-lo de disparar dois mísseis balísticos contra suas águas territoriais. O Irã negou responsabilidade pelo ataque. Os Emirados Árabes Unidos foram o principal parceiro comercial do Irã no ano passado, com Teerã dependendo dessa relação para ter acesso a produtos estrangeiros e moeda forte, seguidos pela China, Turquia e Índia. O Irã tem resistido a sanções econômicas há décadas e sobreviveu à campanha de “pressão máxima” que Trump impôs em seu primeiro mandato, após abandonar um acordo da era Obama que impunha limites ao programa nuclear iraniano.O objetivo de Trump é forçar o Irã a entrar em novas negociações destinadas a pôr fim à guerra de vez, obrigar Teerã a abandonar seu programa nuclear e liberar o bloqueio ao Estreito de Ormuz. Essas metas foram detalhadas em um memorando de entendimento assinado pelas duas partes em junho, mas posteriormente fracassaram em meio a uma enxurrada de ataques de retaliação.A resposta do Irã tem sido apresentar suas próprias exigências econômicas, incluindo o descongelamento de seus ativos, o fim das sanções e indenizações por danos de guerra.Leia também: Crise de munição dos EUA pode afetar decisões de Trump em negociações com o IrãResolver o conflito é cada vez mais urgente para Trump, já que ele enfrenta os altos preços da gasolina, a crescente impopularidade da guerra e as preocupações dos republicanos quanto à possibilidade de perder uma ou ambas as casas do Congresso nas eleições de meio de mandato de novembro. No início desta semana, ele chegou a ameaçar bombardear Omã, um aliado dos Estados Unidos que, por vezes, desempenhou o papel de mediador, caso o país se coloque no caminho dos EUA.As ameaças do Irã contra a navegação comercial sufocaram o tráfego pelo Estreito de Ormuz, enquanto um contra-bloqueio ordenado por Trump limitou severamente a própria capacidade do Irã de exportar petróleo.Atualmente, os iranianos têm poucos incentivos para permitir a reabertura de Ormuz, afirmou Daniel Fried, ex-embaixador dos EUA na Polônia, à Bloomberg TV.Leia também: EUA expandem presença militar na América Latina com alianças com governos de direita“Eles percebem que têm uma vantagem, porque veem Trump basicamente se debatendo e não estão interessados em nenhum tipo de acordo”, disse ele. “No médio prazo e, especialmente, no longo prazo, dispomos de certos trunfos. A economia iraniana está sofrendo. O regime não é popular. Isso não vai nos ajudar no curto prazo.”A guerra, que já se arrasta há quase seis meses, e o bloqueio dos EUA provocaram uma inflação de quase 80% no Irã, e sua moeda perdeu quase 30% de seu valor em relação ao dólar neste ano. Economistas alertaram que o conflito corre o risco de levar o país a uma das piores crises econômicas da história dessa nação de 90 milhões de habitantes.--Com a colaboração de Jennifer A. Dlouhy, Magdalena Del Valle, Ryan Chua, Jon Herskovitz, Carla Canivete e Paul Richardson.Veja mais em bloomberg.com























































