Ibovespa cai pela 11ª vez seguida e tem maior sequência de perdas em três anos
O Ibovespa tentou interromper a sequência negativa nesta terça-feira (18), mas voltou a fechar no vermelho e chegou ao 11º pregão consecutivo de queda, a maior série de perdas em três anos. Em uma sessão de poucos catalisadores domésticos, o principal índice da B3 recuou 0,27%, aos 166.334,86 pontos, pressionado pela cautela dos investidores com o cenário eleitoral, pela persistência da saída de capital estrangeiro e pela piora do ambiente externo.
Na mínima da sessão, o índice chegou aos 166.211,30 pontos. A sequência negativa atravessa todo o mês de agosto até aqui, sem que o Ibovespa tenha registrado uma única sessão de alta.
Apesar da pressão, o nível alcançado pelo índice após as quedas recentes começa a abrir espaço para movimentos técnicos de recuperação. O cenário, porém, ainda não oferece aos investidores segurança suficiente para posições mais direcionais, principalmente diante das incertezas políticas e fiscais no Brasil e dos riscos geopolíticos no exterior.
Cotação do dólar hoje
O dólar comercial fechou esta terça-feira em alta de 0,43%, cotado a R$ 5,221, em meio à maior aversão ao risco nos mercados internacionais.
A valorização da moeda americana ocorreu em uma sessão marcada pela elevação dos rendimentos dos títulos públicos de longo prazo nas principais economias e pelas preocupações com os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação global.
Petrobras (PETR4) ajuda a segurar o Ibovespa
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) ajudaram a impedir uma queda mais intensa do índice. Após oscilarem entre perdas e ganhos durante o pregão, PETR4 avançou 0,31%, enquanto PETR3 subiu 0,15%.
Além do avanço do petróleo, os papéis repercutiram a descoberta de petróleo no poço Morpho, na Margem Equatorial.
“Agradou a notícia sobre a Margem Equatorial, a descoberta de petróleo no poço Morpho, e o petróleo em alta ajuda muito a Petrobras, mas, de forma geral, o mercado está em dúvida com a bolsa”, afirma Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez.
O petróleo Brent para outubro encerrou a sessão em alta de 0,17%, a US$ 91,02 por barril, mantendo no radar as dificuldades nas negociações envolvendo Estados Unidos e Irã para a abertura do Estreito de Ormuz.
A valorização da commodity beneficia diretamente as petroleiras, mas tem um efeito negativo mais amplo sobre os mercados: petróleo mais caro aumenta os riscos inflacionários e pode obrigar os bancos centrais a manter os juros elevados por mais tempo.
Bancos pesam e estrangeiro continua cauteloso
Se a Petrobras ajudou de um lado, o setor bancário voltou a pesar sobre o Ibovespa, com Itaú Unibanco e Bradesco entre as pressões negativas da sessão.
A saída de investidores estrangeiros também permanece no centro das atenções. Além das dúvidas sobre o cenário fiscal brasileiro, o início do período eleitoral aumenta a cautela e reduz a disposição para posições mais direcionais na bolsa.
“O dia por aqui é morno, sem novidades, acompanhando um pouco as questões eleitorais. A política começa a interferir um pouco mais”, afirma Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.
No exterior, a piora do cenário geopolítico também aumentou a aversão ao risco. A alta do petróleo pressionou as expectativas de inflação e levou os rendimentos dos Treasuries de longo prazo a níveis elevados, movimento especialmente negativo para ações de crescimento.
Fechamento das bolsas americanas
As bolsas de Nova York encerraram o pregão no vermelho, com as empresas de tecnologia entre as maiores pressões. O movimento ganhou força com a alta dos rendimentos dos Treasuries e a queda das ações de semicondutores.
- Dow Jones: -0,22%, aos 53.343,40 pontos;
- S&P 500: -0,69%, aos 7.691,76 pontos;
- Nasdaq: -1,33%, aos 26.289,71 pontos.
O índice de semicondutores da Filadélfia chegou a cair cerca de 5%, enquanto ações como Nvidia e Micron estiveram entre as pressões sobre o setor de tecnologia.
Agora, as atenções se voltam para a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), prevista para quarta-feira. O documento pode oferecer novas pistas sobre como os dirigentes da autoridade monetária enxergam a trajetória da inflação e dos juros nos Estados Unidos.
Após 11 pregões consecutivos de queda, o Ibovespa segue sem encontrar um gatilho capaz de promover uma recuperação consistente, dividido entre preços mais descontados das ações e um ambiente de maior cautela com o cenário doméstico e internacional.
Com Estadão Conteúdo





















































