A Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, avalia reduzir a tarifa de importação do produto para ajudar a conter os preços no mercado interno, que recentemente atingiram um recorde.Autoridades analisam propostas para reduzir ou eliminar a tarifa de 100% sobre as importações, em uma tentativa de ampliar a oferta doméstica, segundo pessoas a par do assunto que falaram com a Bloomberg News e que pediram anonimato porque as discussões são confidenciais. As negociações ocorrem pouco antes de um aumento sazonal da demanda por açúcar durante a temporada de festividades, o que reforça o incentivo para conter a alta dos preços.Representantes dos ministérios de Alimentação e Comércio não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.A medida é mais um sinal das restrições de oferta enfrentadas pelo mercado global de açúcar. Aumentam as preocupações de que o fenômeno climático El Niño prejudique as safras, o que recentemente levou os contratos futuros negociados em Nova York ao maior nível em cerca de um ano.As preocupações com a safra também atingem a Índia, onde as chuvas de monção das quais dependem as plantações de cana-de-açúcar estão 13% abaixo do normal, segundo o Departamento Meteorológico da Índia. O déficit superava 40% perto do fim de junho — primeiro mês da temporada de chuvas —, o que atrasou o plantio de algumas culturas.Leia também: Chuvas abaixo da média em julho ameaçam plantio de arroz e soja na ÍndiaOs preços do açúcar na saída das usinas em Maharashtra atingiram recentemente cerca de 46 rúpias (US$ 0,48) por quilo, um recorde histórico, segundo a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA, na sigla em inglês). O consumo na Índia costuma atingir o pico entre o fim de agosto e janeiro, com o aumento da demanda por doces tradicionais, alimentos processados e bebidas durante a temporada de festividades.Usinas nos principais estados produtores de cana-de-açúcar da Índia, Uttar Pradesh e Maharashtra, planejam antecipar a moagem em 10 a 15 dias em relação ao início habitual, no começo de novembro, após consultas com o Ministério da Alimentação, para reforçar a oferta. O governo também impôs recentemente limites aos estoques mantidos por comerciantes, com o objetivo de desestimular a retenção do produto e conter os riscos inflacionários.O país normalmente não importa açúcar para consumo doméstico. A última vez que comprou volumes expressivos do exterior foi em 2017-2018, segundo dados da ISMA.Até 14 de agosto, a cana-de-açúcar havia sido plantada em 5,83 milhões de hectares (14,4 milhões de acres), área ligeiramente inferior à registrada no mesmo período do ano passado, segundo o Ministério da Agricultura.Veja mais em bloomberg.com Leia tambémEl Niño ameaça agravar crise dos produtores de arroz no Rio Grande do Sul