Quais ações bateram o Ibovespa e o CDI no curto, médio e longo prazo?
Apenas dez ativos conseguiram superar simultaneamente os principais referenciais do mercado financeiro brasileiro até o fim de maio de 2026. Esse grupo bateu o CDI e o Ibovespa em todas as janelas analisadas, de 12, 24 e 60 meses. O resultado evidencia uma capacidade consistente de geração de valor ao longo de diferentes ciclos econômicos, superando tanto a volatilidade característica da bolsa brasileira quanto o elevado custo de oportunidade representado pelos juros no período. Mais do que isso, demonstra a força estrutural dessas companhias para atravessar crises geopolíticas relevantes e, em alguns casos, até transformar as distorções geradas por esses eventos em oportunidades de crescimento.
| Ações que bateram o CDI e Ibovespa nos últimos 12, 24 e 60 meses* | |||
| Variação acumulada – em % | |||
| Ativo | 12 meses | 24 meses | 60 meses |
| PETR3 | 53,37 | 49,86 | 475,57 |
| PETR4 | 48,09 | 43,22 | 463,83 |
| CSMG3 | 125,21 | 197,37 | 375,57 |
| CPLE3 | 34,65 | 105,89 | 275,93 |
| PRIO3 | 55,63 | 46,71 | 217,14 |
| ITSA4 | 32,02 | 72,07 | 130,65 |
| AXIA6 | 63,45 | 105,61 | 114,01 |
| VIVT3 | 29,29 | 73,97 | 112,14 |
| BPAC11 | 36,00 | 78,05 | 98,11 |
| AXIA3 | 69,15 | 110,79 | 78,82 |
| CDI | 14,88 | 28,40 | 76,03 |
| IBOVESPA | 25,45 | 41,63 | 38,41 |
| Dólar Ptax | -10,59 | -2,70 | -3,27 |
| Fontes: RocketTrader, B3 e Banco Central | |||
| *Até 29/05/2026 | |||
| OBS.: Carteira teórica do Ibovespa válida para o quadrimestre Mai. a Ago. 2026 | |||
A predominância de empresas ligadas à exploração de recursos energéticos e à gestão de serviços públicos não é coincidência. Nos últimos anos, o mercado tem favorecido companhias com forte geração de caixa e mecanismos naturais de proteção contra a inflação, características que ganharam ainda mais relevância diante do cenário geopolítico global. No setor de petróleo, o desempenho superior reflete a combinação entre eficiência operacional e a capacidade de capturar os benefícios dos ciclos de alta da comodity. Esses movimentos foram impulsionados por choques de oferta e pelos prêmios de risco associados à guerra entre Rússia e Ucrânia e às tensões recorrentes no Oriente Médio.
Nesse contexto, a Petrobras se destaca no horizonte de longo prazo. As ações ordinárias (PETR3) acumularam rentabilidade de 475,57% em cinco anos, enquanto as preferenciais (PETR4) avançaram 463,83%. A Prio (PRIO3), por sua vez, simboliza a consolidação do setor independente de óleo e gás no Brasil, registrando valorização de 217,14% no mesmo período ao aproveitar de forma eficiente as oportunidades criadas pelas oscilações do mercado internacional.
Entre as empresas de utilidade pública, tradicionalmente mais resilientes em momentos de aversão ao risco, a Copasa (CSMG3) lidera os horizontes de curto e médio prazo. O papel registrou a maior rentabilidade da amostra nessas janelas, com alta de 125,21% em 12 meses e 197,37% em 24 meses. A Copel (CPLE3) segue trajetória semelhante e acumula valorização de 275,93% nos últimos cinco anos. Os números reforçam como a essencialidade dos serviços prestados e a relativa estabilidade das receitas podem se traduzir em retornos consistentes para os acionistas.
A criação de valor, contudo, não ficou restrita aos setores de commodities e infraestrutura. O desempenho de outras empresas mostra que gestão eficiente, posicionamento estratégico e domínio de nichos específicos também podem gerar resultados expressivos em ambientes macroeconômicos desafiadores. A Itaúsa (ITSA4), por exemplo, superou todos os referenciais analisados e entregou retornos de 32,02% em 12 meses e 130,65% em cinco anos. No setor financeiro, o BTG Pactual (BPAC11) reforça essa dinâmica ao demonstrar capacidade de alocação de capital e expansão dos negócios mesmo em um ambiente de juros elevados e mudanças nos fluxos globais de investimento, registrando ganhos de 36,00% em 12 meses e 78,05% em 24 meses.
No setor de telecomunicações, a Telefônica (VIVT3) aparece como um exemplo de estabilidade e geração recorrente de valor, acumulando valorização de 112,14% em 60 meses. Fechando a lista, os papéis da Axia (AXIA3 e AXIA6) registraram altas de 69,15% e 63,45% nos últimos 12 meses, respectivamente, e ultrapassaram a marca de 100% de valorização na janela de dois anos.
Os resultados observados sugerem que essas companhias foram capazes de gerar crescimento real e sustentável ao longo do tempo, consolidando-se como instrumentos eficientes tanto para preservação patrimonial quanto para multiplicação de capital em um ambiente marcado por juros elevados e incertezas globais.
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