Fluxo estrangeiro impulsiona desempenho do Ibovespa em 2026
O primeiro quadrimestre de 2026 marca uma inflexão histórica para a bolsa brasileira, com o capital estrangeiro consolidando-se como o principal pilar de sustentação do mercado secundário. Após um janeiro extraordinário, onde a entrada de recursos superou todo o volume de 2025, o mês de abril encerrou com saldo líquido positivo de R$ 3,2 bilhões. Embora o ritmo tenha desacelerado em relação ao pico de março, com a primeira quinzena de maio registrando uma saída de R$ 5,3 bilhões, o acumulado de 2026 permanece sólido, com um saldo positivo de R$ 51,3 bilhões no ano.
Como evidenciado no gráfico, o protagonismo do investidor estrangeiro é absoluto no mercado secundário da B3. Enquanto outros e pessoas físicas mantêm saídas líquidas, nota-se uma atenção especial aos investidores institucionais, que apresentam uma saída líquida ainda maior e mais acentuada em comparação aos demais perfis. Nesse cenário, o fluxo externo absorve a liquidez, impulsionado por uma rotação global de portfólios que favorece ativos brasileiros e commodities diante da volatilidade nos mercados desenvolvidos. Esse apetite levou o Ibovespa a renovar sucessivas máximas históricas no período, sustentado por indicadores atrativos e pela perspectiva de queda nos juros domésticos.
Com a taxa Selic em 14,50% e expectativas de inflação para 2026 situadas em 4,9%, conforme divulgado no último Focus, a continuidade dessa trajetória depende do equilíbrio fiscal e monetário. O gráfico reflete essa liderança do capital externo como o motor de 2026, mas o tom das recentes atas do Copom sugere que a permanência desse fluxo estará condicionada à estabilidade do ambiente econômico nacional e global nos próximos meses.
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