Fevereiro consolida onda de capital estrangeiro na Bolsa em 2026
Fevereiro consolidou a força do capital estrangeiro na B3, com entrada líquida de R$ 15,4 bilhões, o melhor resultado para o mês de fevereiro desde 2022. No acumulado de 2026, o fluxo já atinge R$ 41,9 bilhões, superando todo o volume registrado em 2024 e 2025. Em apenas dois meses, os aportes externos já são 56% superiores ao total investido ao longo do ano passado.
O volume negociado acompanhou esse movimento: foram R$ 426,6 bilhões em compras contra R$ 411,2 bilhões em vendas, evidenciando a intensidade do fluxo.
Esse capital ajudou a impulsionar o Ibovespa para perto de 190 mil pontos, aproximando o índice da marca histórica dos 200 mil. A alta tem sido sustentada principalmente por recursos vindos do exterior.
A principal explicação está na rotação global de portfólio. Após anos concentrado nas gigantes de tecnologia dos EUA, especialmente em empresas de inteligência artificial como a Nvidia (NVDC34), parte do capital passou a buscar mercados emergentes e commodities. Nesse contexto, o Brasil se destacou pelo valuation mais atrativo em relação a outros países emergentes.
Grande parte do dinheiro chega por meio de ETFs, direcionando recursos às blue chips, como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), que já acumulam valorizações relevantes no ano.
O fluxo atual não parece puramente especulativo, mas também não está imune a mudanças no cenário global. Uma piora no apetite por risco, correções nas bolsas internacionais ou ruídos fiscais e eleitorais no Brasil podem alterar rapidamente essa dinâmica. Por ora, o cenário é de cautela construtiva: as oportunidades mais evidentes já foram capturadas, e o mercado tende a exigir maior seletividade e foco em fundamentos.
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