Ibovespa cai com choque nos balanços e queda da Hapvida (HAPV3)
O Ibovespa encerrou a quinta-feira (13) em leve queda de 0,30%, aos 157.162 pontos, pressionado pelo efeito “pós-balanços” e pela sequência de resultados mais fracos divulgados entre ontem e hoje. Dados de comércio abaixo do esperado reforçaram a percepção de desaceleração da atividade, adicionando cautela aos investidores.
No exterior, o mercado acompanhou o fim do mais longo shutdown da história dos EUA. Após 43 dias de paralisação que atrasaram indicadores e ampliaram tensões no Congresso, Donald Trump sancionou o projeto que reabre o governo até 30 de janeiro. A medida reduz o ruído imediato, mas mantém elevada a incerteza fiscal, já que os impasses sobre orçamento e subsídios de saúde apenas foram adiados.
Entre os balanços domésticos, o Banco do Brasil (BBAS3) foi destaque negativo. O banco reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre, queda de 60% na comparação anual, pressionado pela alta da inadimplência, sobretudo no agronegócio, e pela necessidade de reforço nas provisões, que saltaram quase 80% em um ano, para R$ 17,9 bilhões. O ROE recuou para 8,4%, o menor nível desde 2016, e o guidance de 2025 voltou a ser revisado para baixo. As ações caíram 1,32%, refletindo a percepção de que uma recuperação mais consistente só deve ocorrer a partir de 2026.
O maior impacto do pregão veio da Hapvida (HAPV3). A companhia apresentou números muito fracos: prejuízo de R$ 57 milhões, Ebitda bem abaixo das expectativas, fluxo de caixa negativo, sinistralidade elevada e dívida líquida acima de R$ 4,25 bilhões. O JPMorgan rebaixou a recomendação e reduziu o preço-alvo, o que intensificou a aversão ao risco. As ações desabaram 42,22%, evaporando R$ 6,8 bilhões em valor de mercado em um único dia e derrubando a companhia em mais de dez posições no ranking do Ibovespa.
Na ponta oposta, a Allos (ALOS3) se destacou positivamente. Mesmo com um resultado operacional sem grandes surpresas, a empresa anunciou que triplicará sua distribuição mensal de dividendos em 2026, alcançando um dividend yield estimado em cerca de 14%. O movimento elevou as ações em 4,58% e impulsionou o setor de shoppings como um todo.
A MRV&Co (MRVE3) também agradou ao mercado. O grupo reportou lucro ajustado de R$ 111 milhões, com forte desempenho da operação da MRV dentro do programa Minha Casa Minha Vida. As ações subiram 5,16%, liderando as altas do índice.
Já a Ultrapar (UGPA3) apresentou um balanço acima das expectativas, puxado pela recuperação da Ipiranga após o avanço das ações contra a informalidade no setor de combustíveis. Mesmo assim, avaliações divididas entre os analistas levaram o papel a fechar em queda de 4,77%. A Petrobras (PETR4), por outro lado, avançou 0,43% após sinalizar redução de capex em seu próximo plano estratégico, refletindo preços mais baixos do petróleo e busca por maior disciplina de investimentos.
No setor financeiro, o mercado avaliou as revisões de projeções para Caixa Seguridade e BB Seguridade. A primeira segue como preferência do Itaú BBA, apoiada em forte geração de lucro e dividend yield elevado, levando as ações a subirem 1,79%. Já a BB Seguridade, afetada por juros menores e risco contratual pós-2033, avançou de forma mais tímida, com alta de 0,12%.
As listas das maiores altas e baixas da carteira do Ibovespa ficaram assim:
Altas
• MRV (MRVE3): +5,16%
• Allos (ALOS3): +4,58%
• Marfrig (MBRF3): +4,36%
• B3 (B3SA3): +2,48%
• Caixa Seguridade (CXSE3): +1,79%
Baixas
• Hapvida (HAPV3): -42,22%
• Raízen (RAIZ4): -6,45%
• Braskem (BRKM5): -4,89%
• Cosan (CSAN3): -4,84%
• Ultrapar (UGPA3): -4,77%
Confira a evolução do IBOV no fechamento de hoje (13/11):
• Segunda-Feira (10): +0,77%
• Terça-Feira (11): +1,60%
• Quarta-Feira (12): -0,07%
• Quinta-Feira (13): -0,30%
• Na semana: +2,01%
• Em novembro: +5,10%
• No 4°tri./25: +7,47%
• Em 12 meses: +23,04%
• Em 2025: +30,66%
EUA
Os principais índices de Nova York encerraram o dia em queda:
• Dow Jones: -1,65%
• Nasdaq: -2,29%
• S&P 500: -1,66%
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