Ranking de investimentos de janeiro de 2025: ativos brasileiros lideram a recuperação do mercado
Após um 2024 turbulento para os ativos brasileiros, o mercado iniciou 2025 com um tom mais otimista. O Ibovespa, principal índice da B3, registrou uma alta de 4,86% em janeiro, impulsionado pelo alívio na curva futura de juros e pelo tom mais moderado do governo em relação à política fiscal.
Apesar da elevação da Selic para 13,25% na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 29 de janeiro, o mercado interpretou o comunicado da instituição como um sinal de que o ciclo de aperto monetário pode estar próximo do fim. A precificação dos juros futuros recuou, beneficiando os ativos de risco. Além disso, declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçando o compromisso com a responsabilidade fiscal ajudaram a sustentar o otimismo.
No ranking dos investimentos mais rentáveis do mês, quatro dos cinco ativos de melhor desempenho foram brasileiros, refletindo essa mudança de humor do mercado. Confira os destaques:
Os campeões de janeiro
1º – MSCI Brasil (+12,71%)
O MSCI Brasil, índice de referência do iShares MSCI Brazil (EWZ), foi o grande destaque do mês, registrando um retorno de 12,71%. A valorização foi impulsionada principalmente pelo setor financeiro, com ações como Nubank Banco Inter, XP e PagBank puxando os ganhos. O rebalanceamento da carteira do índice em setembro, incluindo ações de empresas brasileiras negociadas no exterior, também contribuiu para o desempenho.
2º – Stoxx 600 (+6,87%)
O índice europeu Stoxx 600 avançou 6,87% em janeiro, puxado pelas ações do setor de tecnologia. O destaque foi o grupo Hexagon, que registrou um resultado trimestral acima das expectativas. Além disso, sinais de um possível corte nos juros pelo Banco Central Europeu (BCE) em março incentivaram a tomada de risco.
3º – B3 BR+ (+6,17%)
Com composição semelhante ao Ibovespa, mas incluindo algumas BDRs (ações de empresas brasileiras listadas no exterior), o índice B3 BR+ também teve um bom desempenho, subindo 6,17%. O movimento de queda na curva futura de juros favoreceu ativos de maior risco, impulsionando esse desempenho.
4º – Small Caps (+6,11%)
O índice de Small Caps, que reúne empresas de menor capitalização de mercado, subiu 6,11% em janeiro. Entre os destaques, a CVC (CVCB3) avançou 42,75% e a Azul (AZUL4) teve alta de 29,94%, ambas impulsionadas pela queda nos juros futuros, enquanto a Azul também se beneficiou do avanço em sua reestruturação financeira.
5º – IBRX-100 (+4,92%)
O IBRX-100, que reúne as 100 ações mais negociadas da Bolsa brasileira, também apresentou um bom desempenho, subindo 4,92%. Empresas ligadas ao consumo e tecnologia foram os destaques, como CVC (CVCB3), Azul (AZUL4), Totvs (TOTS3) e Cury (CURY3).
Os piores investimentos de janeiro
Enquanto os ativos brasileiros se destacaram, alguns investimentos enfrentaram um cenário desafiador:
1º – Ethereum (-7,22%)
A resposta dos investidores reflete a preocupação global com as novas tarifas de importação anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Além do impacto no comércio, essas tarifas podem elevar a inflação no país, aumentando a chance de uma política monetária mais rígida nos próximos meses, o que traria desafios para a indústria de criptomoedas. Diante desse cenário, a aversão ao risco se intensificou, levando os investidores a buscar ativos mais seguros.
2º – Dólar (-5,85%)
Após uma forte valorização em 2024, o dólar começou 2025 com uma queda de 5,85% frente ao real. No ano anterior, o real acumulou uma desvalorização de 21,82% em relação ao dólar ptax, taxa usada como referência em contratos nas bolsas internacionais. Essa queda refletiu uma profunda desconfiança na responsabilidade fiscal do governo, aumentando a pressão sobre a moeda brasileira.
No entanto, em janeiro de 2025, o cenário mudou devido a fatores internos e externos. No Brasil, o recesso parlamentar trouxe uma calmaria, melhorando o sentimento do mercado. Nos Estados Unidos, a postura econômica mais moderada adotada por Donald Trump em seu novo mandato contribuiu para a valorização do real. Apesar desse início positivo, o cenário ainda exige cautela, especialmente se o governo não implementar novas medidas para conter o crescimento dos gastos públicos.
3º – Euro (-5,70%)
A desvalorização do euro frente ao real pode ser explicada pela estagnação econômica da zona do euro no quarto trimestre de 2024, com o PIB inalterado e consumidores cautelosos. Além disso, preocupações com o enfraquecimento do mercado de trabalho e o risco de uma guerra comercial com os EUA intensificaram os temores de uma recuperação econômica mais demorada, pressionando negativamente o euro.
4º – BDRX (-4,23%)
O índice BDRX, que acompanha o desempenho de BDRs na B3, enfrentou dificuldades devido à queda de grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Nvidia (-17,75%), Apple (-10,89%) e Microsoft (-9,15%) foram particularmente impactadas pela ascensão da inteligência artificial chinesa DeepSeek. Essa nova tecnologia, com custos operacionais significativamente menores, ameaça o domínio das gigantes ocidentais no setor, gerando pressão sobre suas ações. Esse cenário contribuiu para a desvalorização de grandes nomes da tecnologia e refletiu negativamente no desempenho do índice BDRX.
5º – IFIX (-3,07%)
O IFIX, índice que mede o desempenho dos fundos imobiliários, registrou uma queda de 3,07% em janeiro. O desempenho negativo do índice foi influenciado tanto pela alta da Selic, quanto pelo veto do governo à isenção tributária para FIIs, que aumentou a incerteza no setor, impactando negativamente a percepção dos investidores. Essa combinação de fatores levou a uma pressão sobre os preços dos fundos imobiliários, contribuindo para o desempenho desfavorável do índice no primeiro mês de 2025.
Janeiro de 2025 trouxe uma recuperação significativa para o mercado brasileiro, impulsionado pela valorização do Ibovespa e de índices correlatos. A redução da percepção de risco fiscal e o alívio na curva futura de juros foram fundamentais para o bom desempenho dos ativos locais.
No entanto, o cenário global ainda apresenta desafios, com incertezas sobre a economia europeia, tensões comerciais entre EUA e parceiros comerciais e a crescente concorrência no setor de tecnologia.
Para acompanhar mais notícias do mercado financeiro, baixe ou acesse o TradeMap.