Não tá fácil pra o IBOV, Circuit Breaker no Tesouro Direto, BTC virou loteria e as expectativas pra o Halving
Aqui está, saindo quentinha do forno, mais uma edição da TradeLetter, a mais divertida newsletter de notícias do mercado financeiro.
Nesta edição, vamos olhar em retrospecto para tudo que de mais interessante aconteceu na última semana. Bora lá?
E os troféus de maiores altas e maiores baixas do ano vão para…
EMBR3 = +38,10%
RRRP3 = +25,19%
BRFS3 = +23,46%
BHIA3 = -45,34%
CVCB3 = -45,14%
COGN3 = -43,55%
E lá fora?
IBOV = -6,75%
IDIV = -3,74%
IFIX = +2,41%
Dow Jones = +0,79%
S&P-500 = +4,14%
Nasdaq = +1,80%
Dólar Ptax = + 7,96%
*Dados do ano até o fechamento de 19/04/2024.
Agora, sem mais delongas, vamos ao que interessa!
Malditas profecias autorrealizáveis…
O mercado financeiro é um ambiente deveras interessante. Cheio de heurísticas e jargões, de tempos em tempos, apesar da sua inata imprevisibilidade, até dá para se prever os rumos da Smithiana Mão Invisível. O grande problema mesmo é quando todo mundo tenta prever sua rota, o que acaba por gerar as fatais profecias autorrealizáveis. A gente não aprende. É impressionante!
Uma dessas profecias que o mercado não cansa de repetir é o famoso “Sell in May and go away” — em inglês… ah, te vira aí!
O grande problema dessa inexorável profecia é que, ao que tudo indica, Maio se antecipou, e nós já estamos sob funestos augúrios de uma temporada de vendas na bolsa brasileira.
Acumulando já sete quedas no mês, quase 50% dos pregões do mês, o Ibovespa caminha a passos largos para se igualar a agosto do ano passado, quando o índice cravou um sequência inédita de 13 pregões seguidos de queda e uma desvalorização de 5% no mês. Claro que a situação do índice é ligeiramente diferente agora, com esse lenga-lenga de sobe num dia, cai no outro, mas no acumulado 01/04 a 18/04 (-3,05%) dá pra se dizer que estamos flertando com o perigo…
Colocando em números, na quarta-feira (17) os gringos sacaram cerca de R$ 3,3 bi da nossa bolsa. No ano, nosso fluxo de capital estrangeiro está no vermelho, se aproximando de R$ 30 bi. A galera tá raspando o tacho — e sem dó!
Agora, minha grande preocupação é: se em abril já está assim, imagina em maio?!
Não ficou legal, seu ministro…
Na segunda-feira (15), uma declaração do atual Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deu o que falar. Haddad simplesmente confirmou que a meta fiscal de superávit de 0,5%, estabelecida para o ano que vem, não será atingida. Em vez disso, a meta agora é ter déficit zero — o que, em outras palavras, quer dizer “nosso foco agora é não nos afogarmos”.
Arredio, o mercado não gostou. A bolsa fechou em queda de 0,49% e 0,75% na segunda e terça, respectivamente. O dólar, por sua vez, decolou: altas de 0,74% e 1,72%, respectivamente. Entre o intervalo de sexta (12) e terça, a moeda saiu de R$ 5,13 para R$ 5,26 — o maior valor desde março do ano passado.
O ministro ainda teve a pachorra de me dizer que “no governo anterior, o dólar bateu R$ 6,00”, como se isso de alguma forma amenizasse a situação atual. A comparação chega a ser esdrúxula. Quando o dólar bateu R$ 6,00 estávamos em um contexto de pandemia, oh, ministrão…
Ah! E para quem ainda não visualizou a gravidade da situação, esse movimento simplesmente demonstra que o governo está com dificuldade de aumentar a receita, enquanto as despesas continuam aumentando. Para o investidor estrangeiro, isso é um enorme red alert. E, aproveitando a onda de juros altos lá fora, é evidente que esse público fica cada vez mais desencorajado a colocar dinheiro no Brasil. Qual o resultado disso? Dólar mais caro!
Circuit breaker no Tesouro Direto?!
Calma! Não estou falando de nada parecido com o que acontece quando rola todo aquele caos na bolsa.
Acontece que ao longo dessa semana o site do Tesouro por duas vezes passou por uma dificuldade técnica que permitia que os investidores negociassem apenas dois ativos: os Tesouros Selic 2027 e 2029. As outras opções, ou seja, Tesouros Prefixado, IPCA+, RendA+ e Educa+, estavam todas fora do ar.
De toda forma, em ambos os dias a correção não demorou a ser aplicada, permitindo que os investidores negociassem os títulos normalmente. Ufa!
Futuros de Bitcoin
A B3 anunciou nesta quarta-feira (17) o lançamento do tão esperado contrato futuro de Bitcoin, o BIT. Baseado no índice NQBTCTM (parece que alguém bateu a mão no teclado na hora de digitar isso), o “Nasdaq Bitcoin Reference PriceTM Index”, as negociações do ativo começaram no mesmo dia.
Com o contrato futuro, investidores poderão se expor ao Bitcoin e executar estratégias de proteção contra a volatilidade dos preços. Vale lembrar que a negociação do contrato não envolverá compra ou venda da cripto; as liquidações serão feitas exclusivamente em reais.
O racional por trás desse ativo é bem simples: investidores detentores de um contrato de BIT comprometem-se a comprar ou vender o Bitcoin a um preço predeterminada em uma data futuro. Daí o restante é bem óbvio. Se na data predeterminado, o preço do ativo estiver acima da aposta, show! Se não, só lamento…
A B3 estabeleceu que os investidores de varejo precisarão depositar uma margem mínima de R$ 100 por contrato. O vencimento dos contratos ocorrerá às últimas sextas-feiras de cada mês, permitindo aos investidores criar estratégias com prazos diferentes. E os contratos também contarão com formadores de mercado para trazer liquidez para a formação de preços.
Somente no primeiro dia de estreia, o futuro de Bitcoin registrou negociação de 7,4 mil contratos. Além dos negócios concretizados, o produto recebeu cerca de 111 mil ordens de compra ou venda em tela.
Além da novidade, o iminente halving também pode ser um dos motivos por trás da alta demanda na estreia do contrato. Afinal de contas, não é a Mega da virada, mas tá todo mundo, evidentemente, fazendo sua fezinha no Bitcoin…
OMG, IT’S HAPPENING! IT’S HAPPENING
Talvez mais esperado que a Copa do Mundo, o halving, evento que também acontece a cada quatro anos, finalmente chegou, e os investidores e entusiastas do Bitcoin estão polvorosos.
Para os neófitos no assunto, o halving é um evento exclusivo da rede do Bitcoin, responsável por cortar pela metade a taxa de emissão de novas moedas.
O evento está programado para acontecer sempre 210 mil blocos de Bitcoin são minerados — aproximadamente quatro anos. Este é o quarto halving pelo qual a rede do Bitcoin passa e, após ele, a recompensa para cada bloco minerado passará de 6,25 BTC para 3,125 BTC. Originalmente, na gênese da rede, a recompensa dada aos mineradores por bloco era de 50 BTC.
Existe toda uma comoção por trás desse evento porque ele é sempre o precursor de um considerável valorização da cripto. É batata! Teve halving, Bitcoin decola…
Confira o que ocorreu nos halvings anteriores:
- De 50 BTC para 25 BTC (2012): de US$ 12 para US$ 649
- De 25 BTC para 12,5 BTC (2016): de US$ 649 para US$ 8.600
- De 12,5 BTC para 6,25 BTC (2020): de US$ 8.600 para US$ 64.800
E dessa vez, pra onde será que o preço do BTC vai?
Hora de dar tchau!
Por hoje é só, galerinha!
Vou ali fazer minha fezinha e colocar um dinheirin em Bitcoin antes que seja tarde…
Vejo você na próxima sexta!
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