Margens da Localiza (RENT3) com seminovos devem cair, mas expansão da frota pode acelerar, diz BTG
As margens da divisão de seminovos das locadoras de veículos, infladas nos últimos trimestres por uma escassez na produção de automóveis, devem reduzir gradualmente nos próximos anos, com a normalização do mercado. Essa normalização, por outro lado, pode permitir a aceleração da expansão de frotas.
Estas são algumas das tendências da indústria observadas por Lucas Marquiori, Fernanda Recchia, Aline Gil e Marcel Zambello, analistas do BTG Pactual, após reunião com a equipe de relações com investidores da Localiza (RENT3).
De acordo com os analistas, a expectativa da empresa em relação ao fornecimento de veículos é que o segundo semestre permaneça volátil, ainda refletindo a escassez de semicondutores, mas que as condições comecem a melhorar gradualmente. Assim, a companhia deverá ser capaz de expandir sua frota mais rapidamente nos próximos trimestres.
Além disso, a previsão é que as condições de compra melhorem, permitindo que as locadoras mantenham seus altos níveis de rentabilidade.
Em outra frente, as margens das locadoras com a venda de veículos seminovos devem começar a cair, seguindo a maior disponibilidade de carros novos. Nos últimos trimestres, com a escassez de veículos, os preços de carros usados foram inflados, elevando as margens desta divisão. Isso também deve impactar a depreciação por veículo, que deve seguir em alta, diz o BTG.
Fusão com a Unidas
Em relação à combinação de negócios com a concorrente Unidas (LCAM3), marcada para 1º de julho, a novidade da reunião é que a relação de troca de ações entre as companhias pode sofrer alterações em caso de novo pagamento de dividendos ou juros sobre o capital próprio até o fechamento da operação.
Outro ponto importante são as sinergias da transação que, segundo o BTG, devem ser relevantes e capturadas gradativamente.
Ações
Considerando todos os pontos, o banco reiterou sua recomendação de compra para a ação da Localiza, afirmando que as atualizações sobre o acordo com a Unidas, o fornecimento de veículos e a precificação dos serviços são os principais fatores que podem mexer com o papel no curto prazo.
O preço-alvo fixado pelo BTG é de R$ 75, o que corresponde a alta de 49% em relação ao valor do fechamento da última sexta-feira (24), de R$ 50,31.
Por volta de 16h desta segunda-feira (27), os papéis eram negociados em alta de 2,37%, a R$ 51,50.