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TradeMap Explica: Como funciona o investimento em que o dinheiro vai diretamente para empreendedores

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Rentabilidade pode passar de 2% ao mês, mas o risco também será maior

P2P lending

Foto: Shutterstock

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Tem dúvidas sobre quais passos dar para deixar as contas organizadas ou está com algum receio em relação a determinado investimento?

Lidar com o dinheiro sempre suscita certa insegurança, mas com conhecimento é possível tomar a decisão mais inteligente para encarar o universo financeiro, seja na hora de investir, economizar ou se planejar.

E se precisar de uma ajuda, é só enviar sua pergunta para o e-mail redacao@trademap.com.br que a coluna TradeMap Explica vai esclarecer todas as suas dúvidas sobre finanças pessoais e investimentos.

 

Vale a pena fazer um investimento dentro do conceito de P2P (peer-to-peer lending)?

Na sopa de letrinhas do mercado de investimentos, o P2P é mais uma alternativa ao investidor. Esse instrumento é uma espécie de empréstimo coletivo, em que o credor/investidor escolhe qual empresa quer ajudar a financiar.

Quem entra com o dinheiro tem chance de conseguir uma rentabilidade acima das ofertadas em investimentos mais tradicionais, como um CDB (certificado de depósito bancário) ou um CRI (certificado de recebíveis imobiliários). Mas assim como o retorno é maior, o risco também é.

Com a Selic a 13,25% ao mês, os investidores conseguem uma rentabilidade de pouco mais de 1% ao mês em um Tesouro Selic ou CDBs que paguem 100% do CDI (taxa próxima à taxa básica).

Já nessa alternativa de investimento, é possível conseguir em torno de 2% ao mês – ou até mais, mas com maior risco de um calote.

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Para o investidor, a remuneração é atrativa e para o tomador do crédito, a taxa de juros costuma ser abaixo do que ele conseguiria em bancos. A plataforma que faz a intermediação fica com uma porcentagem desse valor.

Mas como em todo investimento, a diversificação é importante. Por ser uma aplicação de maior risco, apenas uma pequena parcela do portfólio do investidor deve ser alocada nesse produto.

Leonardo Coelho, sócio da Peak Invest, que atua em P2P, recomenda que a parcela a ser alocada nesses investimentos fique no máximo entre 5% a 10% da carteira de renda fixa do investidor, a depender do apetite por risco.

Além disso, sugere que é preciso diversificar os tipos de crédito, fazendo uma analogia com os fundos de crédito privado, que investem em algumas dezenas de papéis.

O valor mínimo para investir na Peak Invest é de R$ 500, o que é suficiente para investir no crédito de apenas uma empresa.

“O cliente até pode ter só uma empresa, mas ficará recebendo emails de forma constante recomendando uma maior diversificação”, diz.

Já na Nexoos é necessário começar o investimento já com diversificação. O primeiro aporte deve ser de no mínimo R$ 6 mil e esse valor precisa estar distribuído entre ao menos seis empresas.

Análise de crédito

Toda essa operação é feita com a emissão de uma CCB (cédula de crédito bancário) pela empresa que vai pegar o empréstimo e que assume o compromisso de pagamento ao credor (no caso, os investidores). Em geral, as empresas de P2P são registradas no Banco Central (BC) como uma SEP (Sociedade de Empréstimo entre Pessoas), e por isso podem fazer essa intermediação.

No entanto, antes de chegar nessa etapa, as empresas passam por uma análise de crédito.

No caso da Peak Invest, a empresa precisa ter ao menos 24 meses de operação e faturar no mínimo R$ 600 mil ao ano, além de não ter restrição de crédito. A partir de uma relação entre o faturamento e a dívida registrada no Banco Central, é estabelecido um limite e uma nota de crédito.

Quem escolhe qual empresa investir, no entanto, é o próprio investidor. Ele terá acesso ao faturamento da empresa, o ramo que atua e endereço, entre outros dados.

“É um investimento vantajoso, mas também é mais trabalhoso. Para que tenha mais segurança, é preciso ter algumas empresas na carteira”, diz Coelho.

Segundo ele, a inadimplência está em 4% nos últimos 12 meses, mas chegou a 12% durante a pandemia. O objetivo é entregar retornos de CDI + 11%, o que atualmente daria em torno de 25% ao ano.

O empréstimo mínimo da empresa foi de R$ 16 mil e o máximo chegou a R$ 1 milhão, mas o ticket médio fica entre R$ 150 mil e R$ 200 mil.

Daniel Gomes, CEO e fundador da Nexoos, explica que um comitê de crédito avalia quais empresas podem receber os investimentos. Quando o pedido de crédito vai para a plataforma, o investidor também tem a oportunidade de acessar as informações financeiras e operacionais da empresa.

“A gente oferece o crédito para quem enxergamos que tem boa condição de pagamento. São operações com uma relação entre risco e retorno interessante”, conta.

Segundo o executivo, em 12 meses a média dos créditos concedidos pela Nexoos gerou um rendimento de 14% ao ano, ante 8,7% da Selic no período.

O valor médio concedido em cada operação de crédito está em R$ 100 mil, mas pode variar entre R$ 15 mil a R$ 550 mil, com taxas de juros que variam de 1,49% a 5,2% ao mês.

Já a inadimplência na Nexoos é medida no período de 180 dias e está em 8%. Para mitigar o risco, o executivo aconselha a pulverização do valor investido em ao menos 20 empresas. Além disso, a fintech tem feito algumas operações com garantia. Nesse caso, uma parte do crédito aprovado para a empresa fica retido.

Outro fator que o investidor deve levar em conta é que não há liquidez nessas operações. Ou seja, ele só receberá os recursos de volta no vencimento, sem chance de resgate antecipado. Em contrapartida, o pagamento é feito mensalmente, uma vez que se trata de uma operação de crédito, até a liquidação da operação.

Gomes destaca ainda que o investidor pode tomar a decisão de onde colocar o seu dinheiro com base em objetivos ou preferências. Por exemplo, escolher alocar os recursos em empresas que trabalhem com reciclagem ou de educação.

“Alguns fazem a escolha com um viés social, outros fazem uma análise puramente financeira”, diz.

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