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Ressaca: Ações brasileiras e bolsas americanas caem forte e ficam na lanterna do ranking de investimentos

Ressaca: Ações brasileiras e bolsas americanas caem forte e ficam na lanterna do ranking de investimentos

Incerteza global faz dólar subir e liderar ganhos do mês, com alta de quase 4%

Gráfico de ações

Foto: Shutterstock

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Quanto mais alta a subida, maior é o tombo. Essa frase resume o desempenho dos investimentos em ações no Brasil, índices americanos e o Bitcoin, que caíram forte e ficaram nas últimas posições do ranking de investimentos.

Ficando apenas no indicador mais conhecido, o Ibovespa depois de subir 7% em março, recuou 10,1% em abril. Na outra ponta, o dólar foi o investimento que liderou os ganhos, com valorização de 3,83% (Ptax do Banco Central).

O motivo que levou às perdas nos investimentos de risco, em especial no Brasil, foi o mesmo que justificou os ganhos no mês passado: o investidor estrangeiro.

Em abril, esse grupo de investidores retirou R$ 5,3 bilhões de recursos da Bolsa, ante aportes de R$ 21,3 bilhões em março.

O primeiro fator para essa reversão de fluxo é técnico. O Ibovespa e outros índices subiram em março, ao mesmo tempo que o real apreciou. Do ponto de vista do investidor estrangeiro, há um menor potencial de ganho nos papéis aqui negociados, fazendo com que eles busquem outras opções.

O segundo fator é que as perspectivas para o cenário exterior pioraram.

“Há a possibilidade de uma alta de juros em ritmo maior nos Estados Unidos, isso leva mais recursos para os títulos e renda fixa americana em detrimento de outros ativos de risco”, diz Bruno Komura, analista da Ouro Preto Investimentos.

Além disso, outros fatores elevam o grau de incerteza, como a desaceleração e inflação na Europa e o crescimento da China ameaçado pelo risco de um lockdown em Pequim, capital chinesa – Shangai já enfrenta essa restrição, o que tem afetado a movimentação de cargas marítimas.

E o contexto brasileiro, se não piorou, também não melhorou a ponto de tornar o Brasil atrativo. O resultado foi a valorização do dólar, que voltou a encostar nos R$ 5.

“O quadro fiscal no Brasil teve um alívio, mas ainda é preocupante. Além disso, eleição sempre traz incerteza. São fatores que valorizam o dólar”, diz o analista.

E abril foi ruim não só para as ações brasileiras, mas também no exterior. A Nasdaq caiu mais de 13%, puxada pelos desempenhos das ações de tecnologia, em especial Netflix e Amazon.

Diversificação

Fabrício Gonçalves, sócio da Box Asset, lembra que a reversão ocorrida entre março e abril é um exemplo prático da importância da diversificação, uma vez que se de um lado a renda variável sofreu, a renda fixa conseguiu entregar resultados positivos.

Para ele, a reversão de março para abril mostra ao investidor a importância da diversificação da carteira, uma vez que a renda fixa apresentou retorno positivo.

Esse desempenho é refletido, principalmente, no índice IMA-B 5, da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), que reflete o comportamento de títulos públicos indexados à inflação com vencimento em até cinco anos.

“A partir do perfil de risco, o investidor deve diversificar o seu patrimônio levando em conta diferentes ativos, setores e geografias”, explica.

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