O cenário global macroeconômico continua a assombrar o mercado de ações brasileiro e pressiona o Ibovespa nesta terça-feira (19), que cai pelo terceiro pregão seguido.
Com a guerra na Ucrânia sem previsão de acabar e as pressões inflacionárias ao redor do globo no radar dos investidores, o Ibovespa não consegue operar no positivo nas últimas sessões. Às 13h desta terça, o principal índice da B3 caía 1%, aos 114.518 pontos.
Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora, acredita que a Bolsa brasileira está chegando a um valor que ele considera como máximo dado o cenário econômico atual.
Além disso, avalia que as quedas recentes são explicadas por uma “realização de lucros” daqueles investidores que entraram na Bolsa no começo da pandemia, quando o Ibovespa anotava entre 70 e 80 mil pontos, e estão saindo de alguns investimentos nas últimas semanas.
Dentre as maiores quedas, Cemig (CMIG4) caía 4,69% e Carrefour (CRFB3) recuava 4,77%, ajudando a pressionar o índice. A Vale (VALE3), porém, por ter maior peso no índice, é quem tem contribuído mais para o recuo do dia. No mesmo horário, a mineradora tinha uma desvalorização de 3,05%.
A empresa acompanha o recuo no preço do minério de ferro na China. Na bolsa de Dalian, a commodity teve uma queda de 3,27% no pregão da manhã, sendo negociada por 887 iuanes, ou US$ 139,10.
Na sequência das quedas, a Eletrobras via seus papéis preferenciais (ELET6) e ordinários (ELET3) recuarem 2,99% e 3,44%, respectivamente. A empresa está no centro das atenções de uma possível privatização, mas o TCU (Tribunal de Contas da União) tem dificultado o processo.
O órgão marcou o julgamento do tema para a quarta-feira (20), mas fez o chamado “pedido de vista”, ou seja, solicitou mais tempo para avaliar a proposta. O problema é que o prazo para privatizar a estatal acaba no dia 13 de maio, o que tem causado uma pressa no governo e no Ministério da Economia.
Entenda a história:
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Para além dos papéis que caem nesta terça, Velloni, da Frente Corretora, acredita que a Bolsa ainda vai sofrer por um tempo, avaliando que os juros por aqui e nos Estados Unidos devem continuar subindo, pressionando os índices. Ele já precifica que, se os números de inflação continuarem a se mostrarem fortes, a taxa Selic pode atingir os 14% no final deste ano.
“Da mesma forma, nos EUA já estão com expectativa de aumentar 0,75 ponto percentual na próxima reunião e encerrar 2022 em cerca de 3%. Vejo o setor de varejo sofrendo bastante nesse cenário, com o aumento do custo de crédito atrapalhando o segmento”, comenta o economista-chefe.
Principais subidas do pregão
A ponta positiva do Ibovespa se dividia entre Banco Inter (BIDI11) e brMalls (BRML3), que às 13h subiam 7,01% e 6,40%, respectivamente. O banco mineiro já havia anotado a maior alta do pregão de segunda, terminando a sessão com uma valorização de 4,42%.
A empresa sobe após a divulgação de que a instituição retomou seus planos de reorganização societária para listar uma nova holding na Nasdaq, uma das bolsas de Wall Street, em Nova York.
Por meio de fato relevante comunicado à Comissão de Valores Imobiliários (CVM) na noite de sexta (15), a instituição financeira declarou que realizou um filing público de um aditivo à declaração de registro na SEC, a CVM americana.
Para a Genial Investimentos, a listagem das ações no exterior é positiva para o Inter, pois permite novas ofertas públicas, mantendo a estrutura de controle da empresa, além de possibilitar que a “instituição negocie a múltiplos mais elevados, geralmente aplicados a companhias listadas no exterior.”
O valor de resgate será equivalente ao preço da ação no fechamento do dia 14 deste mês, que foi de R$ 16,53. Caso as solicitações de resgate superem o montante estabelecido, os acionistas receberão o rateio do limite de resgate e o saldo residual em BDRs do Inter.
Veja a análise:
Banco Inter (BIDI11) cria estrutura para reorganização societária e mudança para a Nasdaq
Já a brMalls foi destaque no noticiário desta terça, após declarar que irá levar para os acionistas a nova proposta de fusão feita pela Aliansce Sonae (ALSO3).
A nova proposta efetuada pela Aliansce prevê um pagamento em dinheiro de R$ 1,25 bilhão e uma compensação de 0,39 ação da companhia por ação da brMalls. Considerando o preço de fechamento das ações da Aliansce Sonae na segunda-feira (18), o valor total a ser pago chegaria a R$ 8,1 bilhões – ou 11,7% a mais que o valor de mercado da brMalls no fechamento de segunda.
Como resposta, a brMalls comunicou na manhã desta terça-feira (19) que o conselho de administração decidiu, por unanimidade, autorizar a diretoria da companhia a se engajar com os representantes da Aliansce para a negociação dos termos e elaboração da documentação necessária, com o objetivo de submeter a proposta à deliberação dos acionistas.
Mercados externos
Os principais índices acionários operam sem uma direção única nesta terça, enquanto os investidores continuam a avaliar os próximos passos do banco central americano para a contenção da inflação, os problemas causados pelos lockdowns na China e as consequências do conflito entre Rússia e Ucrânia. Esse cenário levou o Banco Mundial a diminuir sua expectativa para o crescimento global de 4,1% para 3,2% em 2022.
Nos mercados, Wall Street subia enquanto as bolsas européias caíam. Nasdaq crescia 1,97% ,enquanto Dow Jones valorizava 1,19%, e o S&P 500 apontava em 1,35% para cima. No Velho Continente, os índices acionários fecharam em queda nesta terça, com o Euro Stoxx 50 caindo 0,76%, o Dax recuando 0,08% e o FTSE 100 perdendo 0,11%.