As vendas líquidas do Tesouro Direto somaram R$ 1,76 bilhão em maio, alta de 20% em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (27) pelo Ministério da Economia.
O resultado líquido considera o volume de títulos colocados no mercado pelo Tesouro (venda) menos os papéis que foram retirados das mãos dos investidores pelo governo (resgates e vencimentos).
O total de vendas aumentou 25% em maio ante abril, para R$ 3,91 bilhões, enquanto o total de resgates cresceu 24%, para R$ 2,05 bilhões. Os títulos que venceram somaram R$ 92,4 milhões.
O Tesouro Selic, antiga Letra Financeira do Tesouro (LFT) e que possui rentabilidade atrelada à taxa básica de juros (Selic), foi o título mais demandado pelos investidores, respondendo por 56,5% do total de títulos vendidos pelo Tesouro no mês passado.
O valor do título Tesouro Selic é corrigido diariamente pela taxa básica. Assim, o investidor consegue aproveitar o alto nível da taxa, atualmente em 13,25% ao ano, e se proteger da volatilidade do mercado.
A opção é apontada por analistas para investidores que querem aproveitar a manutenção dos juros em patamares elevados por mais tempo que o previsto, e que podem precisar resgatar o dinheiro no curto prazo.
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Os papéis indexados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o indicador oficial da inflação doméstica, foram a segunda categoria mais demandada em maio, respondendo por 32,7% das vendas totais.
Nessa categoria, entram as opções de Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais. Esses papéis são mais recomendados para quem quer ver o valor investido corrigido pela inflação, e podem ser beneficiados por uma eventual queda nos juros futuramente.
Já as opções prefixadas (Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais) representaram 10,9% do total (R$ 424,34 milhões). Os papéis permitem travar o rendimento a uma taxa específica e, se os juros caírem, até antecipar parte dos ganhos esperados vendendo os papéis.
Como ainda há muita incerteza com os rumos da economia global e doméstica, analistas recomendam que a compra dos prefixados seja feita de forma gradual, de olho na maior taxa de rentabilidade possível.
Busca por títulos curtos reflete insegurança global
Os dados de maio confirmaram a preferência dos investidores por títulos com vencimento no curto e no médio prazo – um a cinco anos, que responderam por 80% do total das vendas. Opções entre cinco e dez anos responderam por 2,1% da demanda, enquanto papéis com horizontes acima de dez anos representaram 17,9%.
A busca por papéis de prazos mais curtos ocorre em um contexto de maior insegurança financeira, em meio à escalada dos juros nas principais economias do mundo, na tentativa de conter a disseminação da inflação.
A demanda por esses papéis começou a se destacar em março (com 81,2% do total, ante 55,7% em fevereiro), um mês após a disparada dos indicadores de incerteza com a invasão da Ucrânia pelas tropas da Rússia.
O estoque de investimentos no Tesouro Direto bateu R$ 91,69 bilhões em maio, alta de 3% ante abril (R$ 89 bilhões). As opções com vencimento entre um e cinco anos também prevalecem ali, com 65% do total.
Número de investidores bate recorde
O número de investidores ativos, ou seja, os que possuem aplicações no Tesouro Direto, foi a 1,97 milhão de pessoas, alta de quase 40 mil CPFs ante abril. Esse é o maior patamar desde o início da série histórica, em 2003.
O mês contou com 561 mil novos cadastros, de pessoas que não necessariamente fazem aportes nos títulos públicos, uma alta de 72,4% em comparação a maio do ano passado.
Os investidores do sexo masculino ainda são maioria, com 79,7% dos aportes em maio, contra 20,3% de mulheres. Os investidores de 16 a 25 anos foram os que mais demandaram, com 36,8% do total, à frente de pessoas com 26 a 35 anos (31,2%) e 46 a 55 nos (8%).