Surpresa nas eleições e temor de falência do Credit – veja o que importa na semana

Investidores ainda repercutem dados de emprego nos EUA e números da indústria e comércio no Brasil

Foto: Shutterstock

Os institutos de pesquisa erraram feio, e os resultados das eleições deste domingo (2) relevaram um bolsonarismo forte e antipetismo resistente, aumentando o acirramento da disputa entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, no dia 23 de outubro.

Lula alcançou 48,43% dos votos na primeira rodada, e Bolsonaro 43,20%, percentual muito acima do projetado pela maior parte dos levantamentos de intenção de voto – o Datafolha projetava um placar de 50% e 36%.

O bolsonarismo ainda mostrou sua força ao emplacar boa parte dos 27 senadores eleitos para compor um terço da casa. Conseguiu eleger cinco ex-ministros, incluindo o ex-ministro da Ciência Marcos Pontes (PL) por São Paulo, que superou com folga Márcio França (PSB), considerado o favorito pelas pesquisas.

Nesse cenário surpreendente, a avaliação do mercado é que crescem as chances de vitória de Bolsonaro, que até agora vinha sendo considerada muito pequena. Isso deve ser bem visto pelo mercado, já que um segundo mandato na Presidência indicaria a manutenção da política econômica atual.

Leia mais:
Seja Lula ou Bolsonaro, presidente vai se deparar com economia encurralada – entenda por quê

Por aqui, o mercado ainda está de olho na divulgação, nos próximos dias, das pesquisas do IBGE que mostram o desempenho da indústria (que sai na quarta-feira) e do comércio (que será publicada na sexta-feira).

Credit em crise

Segundo maior banco da Suíça e um dos maiores do mundo, o Credit Suisse enfrenta uma crise de confiança que se intensificou durante o final de semana, com o CDS (Credit Default Swap, derivativo que indica o risco de crédito) da instituição financeira sendo negociado nos maiores níveis desde 2009 em meio a rumores de falência.

O próprio CEO da instituição financeira, Ulrich Koerner, afirmou que o Credit enfrenta “um momento crítico”, ao mesmo tempo em que ressaltou que o banco “tem forte base de capital e boa posição de liquidez” e disse que há “declarações imprecisas sendo feitas”.

Além de acompanhar as possíveis repercussões do caso, os mercados também estarão de olho nos dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos. Nesta terça (4), sai o payroll, com o número da taxa de desemprego e criação de vagas em agosto.

Caso o emprego americano continue forte, crescem as chances de um ciclo de aumento de juros mais longo e intenso pelo Federal Reserve, o banco central americano.

Saiba mais:
Mais um dado de inflação dos EUA supera previsão e traz cautela ao mercado

Por volta das 8h10, os índices futuros americanos operavam mistos: o Dow Jones subia 0,55%, o S&P 500 ganhava 0,38% e o Nasdaq estava em leve queda de 0,01%. No mesmo horário, o Euro Stoxx 50, principal índice europeu, caía 0,72%.

Veja abaixo a agenda completa:

Segunda-feira

Às 8h25, o Banco Central divulga o Boletim Focus, com as projeções de analistas de mercado para juros, inflação, PIB e câmbio.

Às 15h, a Secretaria Especial de Comércio Exterior divulga a balança comercial de setembro.

Quarta-feira

Às 9h, o IBGE informa a Pesquisa Industrial Mensal de agosto.

Às 9h15, será informado o relatório ADP de emprego no setor privado nos EUA em setembro.

Quinta-feira

Às 9h30, o departamento de trabalho dos EUA divulga o número atualizado dos pedidos de auxílio desemprego.

Sexta-feira

Às 9h, o IBGE informa as vendas no varejo em agosto.

Às 10h30, a Anfavea divulga o balanço de setembro para produção, licenciamento e exportações de veículos.

Às 11h, a secretaria de estatísticas trabalhistas dos EUA (BLS) informa a criação de emprego nos EUA em agosto.

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também:

Destaques econômicos – 02 de abril

Nesta quarta (02), o calendário econômico apresenta importantes atualizações que podem influenciar os mercados. Confira os principais eventos e suas possíveis repercussões:   04:00 –

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.