Sabesp (SBSP3) é mais interessante que Petrobras (PETR4) em eventual vitória da direita, diz Cerize

Para o sócio da Skopos, os investidores estão muito comprados em Petrobras e BB e vão vender esses papéis em uma eventual vitória de Lula

As ações da Sabesp (SBSP3) são mais interessantes para se posicionar numa eventual vitória de um governo mais à direita e pró-mercado do que os papéis de Petrobras (PETR3) e Banco do Brasil (BBSE3), segundo o sócio e gestor da Skopos Investimentos e sócio da casa de análise Inv, Pedro Cerize, durante o Inv Talks 2022.

Segundo ele, o mercado está muito posicionado em ações da Petrobras e do Banco do Brasil, apostando numa eventual reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL). “Muitas pessoas que estão compradas em Petrobras e BB vão vender esses papéis em uma eventual vitória de Lula [ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva]. Não é uma posição que me agrada nesse ponto, tem muita gente pensando nisso”.

Cerize explicou também que, olhando as intenções de voto no segundo turno, o aglutinador de pesquisas eleitorais desenvolvido pela empresa mostra que há 70% de chance de Lula ganhar a eleição, considerando um cenário em que há apenas 20% das intenções de voto que não estão cristalizadas e que teriam que ser disputadas pelos principais candidatos à presidência.

Por outro lado, o cenário para eleição ao governo do Estado de São Paulo ainda está incerto, dada a baixa cristalização das intenções de votos, isto é, quando os candidatos são citados pelos eleitores espontaneamente. “Vejo maior chance do Tarcísio [Tarcísio Freitas, ex-ministro de Infraestrutura] virar em São Paulo”, diz Cerize.

Para o gestor, em um cenário de vitória de Tarcísio, há chance de sair a concessão da Sabesp. “A Sabesp vale apenas uma fração do que valeria se fosse passada para a iniciativa privada”.

Outras empresas que podem ser privatizadas são as estatais de Minas Gerais, como Cemig (CMIG4) e  Copasa (CSMG3), caso Romeu Zema (Novo) seja reeleito para governador. “Zema teve dificuldade em aprovar as privatizações no primeiro mandato na Assembleia Legislativa, que era muito à esquerda. Acho que dessa vez ele teria mais legitimidade para tocar as privatizações”.

Rodrigo Natali, estrategista-chefe da Inv, destaca que o mercado está muito comprado no trade (aposta) de uma vitória de Bolsonaro, com posição comprada em Petrobras e BB, com base nas taxas de juros prefixadas, ou seja, apostando na queda. “Mas, dependendo do candidato, haverá mais incentivo para aumentar os gastos fiscais e estímulo ao consumo, no caso de Lula”.

O estrategista-chefe da Inv lembra que um eventual governo Lula tenderia a ter maior intervenção no câmbio, intenção essa, inclusive, já manifestada pelo candidato durante a campanha. “Se Lula ganhar, ele pode pedir para o Senado demitir a diretoria do Banco Central e, por maioria simples, pode indicar o presidente do BC e equipe. Não acho que isso vai acontecer, mas é um risco”.

Para Natali, o mercado está ignorando o risco fiscal, uma vez que todos os candidatos estão falando em mais assistencialismo, que deve ter impacto as contas públicas. “O mercado precifica hoje uma queda de juros para 9%, mas tem chance de isso não acontecer”.

Nesse cenário, o estrategista da Inv afirma que está com posição vendida no índice americano S&P 500, apostando na queda, por meio da carteira Você Gestor da Inv e em Petrobras, já que o mercado está muito comprado nesse ativo.

Da mesma forma, está com posição comprada (apostando na alta) em ações de empresas exportadoras como Usiminas (USIM5), Suzano (SUZB3), Vale (VALE3), Gerdau (GGBR4) e Klabin (KLBN4), além das varejistas Vivara (VIVA3) e Lojas Renner (LREN3). “Há uma preocupação com a China em nível quase histérico, mas eles estão fazendo medidas para estimular a economia”, diz Natali. “São ações baratas e que estão pagando dividendos”.

Títulos públicos fazem parte do bojo

Cerize ainda vê oportunidade de investimento nos títulos públicos atrelados à inflação (NTN-Bs), que pagam uma taxa prefixada mais a variação do IPCA. Esses papéis, de acordo com ele, oferecem um risco/retorno melhor, uma vez que pagam um prêmio assim como os papéis prefixados e, se as taxas de juros subirem, oferecem proteção com a variação da inflação.

As carteiras da INV

Na carteira Top Trades, que busca estratégia de valor relativo e absoluto, estão com recomendação de compra em Suzano e Porto Seguro (PSSA3) contra o índice Ibovespa, apontando que essas ações devem performar melhor que o índice, segundo o analista Nícolas Merola, da Inv.

Já na arteira Ações Alpha, que foca em 25 ações do principal índice da B3, a Inv está com posição acima da composição no índice Ibovespa em BTG Pactual (BPAC11), e está com posição maior que a do índice em SLC Agrícola (SLCE3) e Suzano. E, ao contrário do Ibovespa, a gestora não tem posição no BB e Hapvida (HAPV3).

Na carteira Top Pix, que são ações com horizonte de investimento de longo prazo, ou seja, para 10 anos, um dos grandes cases de sucesso é a posição em Vivara, que subiu 5,18% neste ano. A ideia por traz dessa estratégia é que uma empresa do setor de varejo que vai bem em qualquer cenário, tanto em uma vitória de um candidato a presidente mais irresponsável fiscalmente, quanto em um cenário de manutenção de otimismo nos mercados.

A Skopos Investimentos, de Cerize, tem três fundos que tentam replicar as estratégias das carteiras recomendadas. O primeiro, o Blue Birds Top Pix, FIA, que segue a estratégia da carteira Top PIX e acumula queda de 10,75% no ano até agosto, frente alta de 4,48% do Ibovespa, apresentando retorno de 83,35% desde o início.

O fundo Skopos Inv Alpha, por sua vez, replica a estratégia da carteira Alpha de operar 25 ações contra o índice Ibovespa, replicando um índice Ibovespa ativo. Já o multimercado Capablanca replica a carteira Você Gestor e acumula alta de 21,85% no ano, até agosto, contra 6,61% do CDI.

Por fim, a Skopos ainda lançou mais dois fundos, o Vanguarda, que visa replicar a filosofia de investimento da A Carta, e o Top Trades.

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