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Quatro casas já cortaram o preço-alvo da Vale (VALE3) desde a prévia – o encanto acabou?

Quatro casas já cortaram o preço-alvo da Vale (VALE3) desde a prévia – o encanto acabou?

Fachada da Vale em Vitória, ES

Foto: Shutterstock

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Desde o início de 2022, entra mês e sai mês e a Vale (VALE3) continua sendo a queridinha do mercado. Isso porque a empresa consta entre as ações mais indicadas na maioria das carteiras recomendadas de instituições. Em julho, por exemplo, das 15 instituições consultadas pela Agência TradeMap, 12 sugeriam a compra dos papéis da mineradora.

Contudo, essa relação de amor entre o mercado e a empresa pode ter estremecido na última semana. Depois que a Vale divulgou a prévia operacional do segundo trimestre mostrando queda na produção e na venda do minério de ferro, quatro entidades do mercado cortaram o preço-alvo para os papéis da companhia ao final de 2022.

Foram elas JP Morgan, Goldman Sachs, Inter Invest e Genial Investimentos. O primeiro reduziu preço-alvo da ação de R$ 127 para R$ 109, enquanto o Goldman cortou o preço dos ADRs, que equivalem a ações da Vale negociadas nos EUA, de US$ 17 para US$ 15. Convertendo em reais passou de R$ 90,55 para R$ 80,85. A taxa de conversão usada foi a cotação do dólar no dia em que o Goldman Sachs divulgou a decisão ao mercado.

Já o Inter Invest estima agora um preço de R$ 83 por papel ao final do ano, ante R$ 100 da expectativa anterior, e a Genial Investimentos passou o preço-alvo de R$ 115 para R$ 90.

A Vale registrou uma produção de minério de ferro de 74,1 milhões de toneladas, volume 1,2% menor do que no mesmo período de 2021. Enquanto isso, as vendas da commodity recuaram 2,3% na mesma base de comparação, para 64,3 milhões de toneladas.

De acordo com a mineradora, a produção foi impactada pelos efeitos da instalação de equipamentos no S11D, complexo localizado no município de Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, e por restrições logísticas, uma vez que a umidade exigiu mudanças nos processos de formação de pilhas, além da menor disponibilidade de minério bruto antes do refinamento, causada por processos de licenciamento mais lentos.

Isso e a perspectiva de queda nos preços do minério de ferro no mercado internacional – que pode diminuir as margens de lucro da Vale – fez com que as quatro instituições financeiras revisassem seus preços-alvo para a ação da mineradoras. Em maio do ano passado, por exemplo, o preço da tonelada da commodity bateu quase US$ 270. Atualmente, é negociado próximo a US$ 110.

Empresa continua atraente

Mesmo com os cortes, todos os preços-alvo incorporam uma valorização no papel. De acordo com dados da plataforma do TradeMap, o papel da empresa fechou o pregão de segunda-feira (25) cotado a R$ 70,52. Sendo assim, das casas que diminuíram o preço-alvo ao final de 2022, o JP Morgan ainda vislumbra uma alta de 54,57%, o Inter Invest de 17,70%, o Goldman de 14,65% e a Genial de 27,62%.

Para a analista-chefe do Inter Invest, Gabriela Joubert, que possui uma recomendação neutra para os investidores, a Vale é  uma boa geradora de caixa e receita, o que pode trazer muitos dividendos para os acionistas no futuro.

“Quando olhamos o longo prazo, existem algumas variáveis pesando mais negativamente do que pesavam no passado. Nossa recomendação é neutra pois não sabemos como ficará a situação na China, se irá se deteriorar ou melhorar”, avalia.

Em relação aos proventos, só em 2022, por exemplo, a companhia já distribuiu R$ 18,59 bilhões para seus acionistas, sendo uma das maiores pagadoras da Bolsa. Por ação, os proventos somam R$ 3,72.

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Para Gabriel Tinem, analista do setor de mineração, siderurgia e telecomunicações da Genial, a incerteza quanto a diminuição das medidas da China para conter a Covid-19 – entre elas lockdowns de bairros inteiros em grandes cidades do país – vem causando cautela nos mercados, que estão receosos em investir em commodities metálicas.

A Genial reduziu o preço-alvo da ação da Vale, mas ainda recomenda a compra do papel. “Mesmo com o cenário incerto na China, a empresa é muito robusta. É a maior empresa brasileira e uma das maiores exportadoras de minério do mundo. Não tem como ignorar esse player no mercado”, avalia Tinem.

O analista ainda cita que a empresa atua com um minério de mais alta qualidade, o que diferencia a companhia de outras concorrentes.

No caso do Inter Invest, a alteração no preço-alvo feita após a Vale divulgar o guidance não foi a primeira. Joubert avalia que já via sinais de que a China, grande compradora de produtos da Vale, estava mostrando uma desaceleração econômica.

“Com esse último relatório da Vale, incorporamos esse cenário incerto em relação à China com o governo falando em estímulos para o setor de construção, que já observávamos desde o início do ano”, comenta a analista-chefe do Inter.

Em abril, ela havia cortado o preço-alvo da ação da Vale de R$ 108 para R$ 100. “Estávamos pessimistas com o cenário na ocasião, e os temores estão se consolidando”, diz Joubert. 

Já Gabriel Tinem, da Genial, iniciou a cobertura no papel em novembro do ano passado com um preço-alvo de R$ 91. Posteriormente, subiu para R$ 105 e depois para R$ 115, diante da sinalização de grandes estímulos econômicos na China. Somente na semana passada ele fez a alteração para baixo.

Maioria das casas ainda recomenda compra

Josias de Matos, analista de equities da Toro Investimentos, foi um dos analistas que não diminuiu o preço-alvo do papel da Vale após a prévia operacional. Ele avalia o cenário no curto prazo para os setores de mineração e siderurgia, como “desafiador”, mas ainda está otimista com a Vale.

Ele considera que o papel da Vale está em “um patamar atrativo”, avaliando que ela possui vantagens comparativas relevantes e que produz um minério de maior qualidade que seus concorrentes. 

A Toro possui uma recomendação de compra para o papel, com um preço-alvo de R$ 130, o que traria uma valorização de 84,42% a cada ação. “Enxergamos a Vale como uma das principais oportunidades da Bolsa brasileira, dadas as suas características e vantagens de produção, além de sua operação robusta e diversificada geograficamente”, comenta Matos.

De acordo com dados compilados pelo Refinitiv e apresentados no TradeMap, das 12 casas consultadas, oito recomendam a compra dos papéis da Vale e quatro para manter o papel. A mediana das recomendações é de R$ 102,60, o que traria um upside de 45,49% na ação.

Refinitiv Vale 27.07.2022

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