A BlackRock, uma das maiores gestoras de investimentos no mundo, continua otimista com os mercados de ações. Isso porque, na opinião da instituição financeira, o movimento global de alta de juros pode ser menos intenso do que se espera, dando sustentação para o mercado de renda variável.
Com US$ 9,6 trilhões em ativos sob gestão, a BlackRock atribui recomendação overweight (acima da média do mercado) para o investimento em ações, especialmente no mercado americano.
Durante o evento online BlackRock Future Forum, a estrategista-chefe global da gestora para investimentos, Wei Li, disse que este posicionamento deve-se à perspectiva de que os bancos centrais vão ter que enfrentar um dilema entre aumentar os juros para conter a inflação e afetar o crescimento da economia.
Esse dilema é mais pronunciado, segundo Li, na Europa, onde a guerra na Ucrânia tem aumentado as pressões inflacionárias, mas o Banco Central Europeu tem preferido postergar um aperto maior das condições monetárias.
Mesmo nos Estados Unidos, a estrategista da BlackRock não vê um superaquecimento da economia e do mercado de trabalho capaz de justificar uma alta muito intensa dos juros, mas enxerga o risco de o Federal Reserve (Fed, banco central americano) apertar demais as condições monetárias.
“Por esse motivo estamos um pouco menos overweight em ações americanas e estamos underweight [abaixo da média do mercado] em Treasuries [títulos do Tesouro americano]”, diz Li.
Para a estrategista, os bancos centrais de mercado emergentes já anteciparam o ciclo de aperto monetário e as pressões inflacionárias atuais são provocadas pelos gargalos nas cadeias de suprimento, o que não é combatido com aumento de juros.
“Na China estamos indo na direção oposta, onde é esperado mais sinais de flexibilização monetária por parte do banco central chinês para incentivar a economia após as restrições com a Covid-19“, diz Li.
A gestora está mais cautelosa com os investimentos em China e reduziu a recomendação de overweight para neutra para as alocações em ações e títulos de dívida do país.